quarta-feira, 9 de abril de 2014

Noé e os Nefilins desmascarados


Por Hermes C. Fernandes

O filme "Noé" tem sido pivô de muitos debates nas redes sociais. Muitos o acusam de não ser fiel aos relatos bíblicos. Descontando a licença poética, o filme tem o mérito de levantar questões há muito ignoradas pela maioria dos cristãos. Dentre elas, a existência de uma raça angelical que na película é chamada de guardiões. De acordo com o enredo, tais seres teriam ajudado os homens depois que estes foram expulsos do paraíso. Como castigo, Deus os teria exilado na terra em forma de monstros de pedra. É aqui que o enredo esbarra com o relato bíblico, segundo o qual, os guardiões, também chamados de Bene-Elohim, haviam se rebelado contra as instruções divinas e se envolvido sexualmente com mulheres humanas, gerando uma raça híbrida conhecida como os Nefilins. 

A primeira medida tomada por Deus para corrigir o erro dos guardiões foi enviar um Dilúvio ao mundo. Não queremos aqui discutir a abrangência de tal cataclismo, se foi universal ou local. Mas o fato é que Deus queria separar uma estirpe pura, que fosse preservada ao longo dos séculos, até que chegasse a plenitude dos tempos, e o Filho de Deus fosse enviado para redimir a humanidade.

Antes de enviar o Dilúvio, Deus chamou a Noé, e o ordenou a construir uma arca. Qual foi o critério pelo qual Deus escolheu justamente a Noé? Será que ele era perito em tecnologia náutica? Não. Será que ele era um homem perfeito sob o ponto de visto moral ou mesmo ético? Não. Se fosse, não teria se embriagado e se exposto ao ridículo, como fez, sendo alvo de chacota do próprio filho.

Há razões para crermos que os guardiões contaminaram não apenas os seres humanos, mas também os animais. A serpente do Éden estava, por assim dizer, se alimentando do pó da terra, comprometendo geneticamente as criaturas de Deus (Gn.3:14). Lembremo-nos que, tanto o homem, quanto os animais, provém do “pó da terra”, que é uma metáfora para células, e mais precisamente para genes (Gn.1:24; 2:7; Ec.3:18-20).

O texto declara enfaticamente que “a terra, porém, estava corrompida diante de Deus” (Gn.6:11). Por isso Deus anunciou: “Destruirei de sobre a face da terra o homem que criei, tanto o homem como o animal” (Gn.v.7).

Em meio a esta corrupção (não apenas moral, mas genética), Deus encontrou Noé que era “homem justo e íntegro em suas gerações”, e ainda por cima, “andava com Deus” (v.9). O texto original indica claramente que Noé era puro em sua genealogia. Isto é, ele não havia sido contaminado pelo gene angélico. Por isso, Deus o escolheu para dar origem à estirpe que traria Seu Filho ao mundo.

Mesmo com a contaminação da raça humana pelo gene angélico e com a manipulação genética que resultou no surgimento de raças híbridas de animais, Deus resolveu não exterminá-los completamente. Além de poupar a Noé e sua família, Deus também decidiu poupar os animais, mesmo aqueles que houvessem sido resultado de manipulação genética de tais seres. Entretanto, Deus ordenou a Noé que de cada animal limpo levasse sete casais, mas dos animais impuros, apenas um casal (7:2). É a primeira vez que surge na Bíblia a distinção entre animais limpos e impuros. Quando a Bíblia relata a criação dos animais, os distribui em várias categorias: selvagens, domésticos, aves, répteis, peixes. Não encontramos ali a categoria “impuros”.

De onde surgiu esta discriminação?

Há relatos extrabíblicos que afirmam que os anjos manipularam geneticamente os animais, criando novas espécies. Creio que tais espécies foram consideradas impuras por serem resultado de tais manipulações.

Quando Deus outorgou a Lei, proibiu que tais animais fossem consumidos. E por quê? Porque poderiam, ao longo das gerações, causar algum comprometimento genético à estirpe pela qual Cristo deveria vir ao mundo. É por isso que, depois que Cristo veio e cumpriu Sua missão redentora, tais proibições foram invalidadas.

Paulo expressou sua compreensão acerca disso ao declarar: “O fim da Lei é Cristo” (Rm.10:4). Em outras palavras, o objetivo da Lei era Cristo. Tendo Cristo vindo ao mundo, já não haveria necessidade de certas precauções.

Era necessário que a estirpe pela qual Jesus viria fosse preservada de qualquer contaminação genética, a fim de que Jesus fosse 100% Homem, tão puro geneticamente quanto Adão. As leis higiênicas e dietéticas tinham este objetivo.

Dentre os animais considerados impuros, o que mais chama a atenção é o porco. É interessante ressaltar a proximidade genética e morfológica entre o porco e o ser humano. Por isso, são cada vez mais comuns pontes de safena com tripas de porco, e transplantes de órgãos de porco para humanos.

Não seria o porco um produto de manipulação genética feita pelos guardiões? Ora, se hoje há raças caninas resultantes de manipulação genética, por que não seria razoável supor que houvesse raças de animais resultantes de manipulação por parte de tais seres? Talvez algumas figuras mitológicas, como o minotauro, metade homem, metade animal, tenham sido inspiradas nessas experiências.

Flavio Josefo, historiador judeu, conta que nos dias que antecederam a queda de Jerusalém, uma vaca deu à luz um cordeiro no Templo em plena festa da Páscoa. A glória de Deus já havia deixado aquele recinto outrora sagrado, e que agora estava entregue às hordas rebeldes capitaneadas por Satanás.

Com o Dilúvio, a raça humana teria sido reduzida a um grupo de oito pessoas, a saber, Noé, sua esposa, seus três filhos e respectivas esposas. Se o Dilúvio tinha como objetivo exterminar a raça híbrida, de onde teriam vindo os gigantes que aparecem nas páginas da Bíblia até os dias de Davi?

É plausível acreditar que tenha havido novas incursões angelicais ao mundo, e, conseqüentemente, novas experiências genéticas envolvendo seres humanos. 

Depois do episódio que ficou conhecido como Torre de Babel, os homens foram distribuídos pelo mundo, e se organizaram em nações, e cada uma delas invocava seus próprios deuses. A invocação a estes deuses deu-lhes liberdade para que voltassem a transitar entre os homens, e aqui proliferassem sua semente.

Mais uma vez a humanidade estava sendo contaminada pelo gene maligno. Babel se tornou num portal para que os Bene-Elohim retornassem a terra.

Foi nesse ínterim que Deus chamou a Abraão.

Abraão representa um novo início. Deus lhe ordena a sair da terra dos Caldeus, onde florescia a civilização Suméria, para uma terra que ainda lhe seria mostrada. O patriarca teve que romper com sua família, com sua herança cultural, e aventurar-se por uma terra desconhecida, e que posteriormente seria dada por herança à sua posteridade.

Sabemos que Sara, mulher do patriarca, era estéril. Como poderia Deus cumprir o que prometera, se sua esposa era incapaz de conceber? Acolhendo a ideia de sua própria esposa, Abraão tomou sua escrava Hagar, para que esta lhe desse um descendente. Porém, Deus não Se agradara de tal iniciativa. Hagar era egípcia, descendente de Cão, o filho de Noé que fora amaldiçoado; portanto, sua ascendência não era pura.

Abraão era semita, isto é, descendente de Sem, de quem Deus pretendia suscitar uma estirpe santa pela qual Seu Filho seria enviado ao mundo.

Abraão já tinha cem anos, e Sara, sua mulher, noventa anos. Além de ter sido estéril por toda a vida, “Sara havia cessado o costume das mulheres” (Gn.18:11). Ora, se Sara não ovulava mais, como poderia conceber? O texto sagrado diz que “o Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido. Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara” (Gn.21:1-2).

Não foi apenas um milagre feito à distância. O Senhor visitou a Sara!

O escritor de Hebreus diz que Sara “recebeu poder de conceber um filho, mesmo fora da idade” (Hb.11:11). Receber poder de conceber é o mesmo que receber um óvulo para que fosse fecundado pelo sêmen de Abraão. De onde veio esse óvulo? Terá sido produzido naturalmente pelos ovários de Sara? Absolutamente, não! Deus não restaurou seus ovários. Mas lhe deu “poder” para conceber. O óvulo que fora colocado no ventre de Sara pode ter sido produzido pelo Espírito Santo e inseminado por Deus. Sendo assim, Isaque teria sido gerado pelo próprio Espírito Santo! Evidência bíblica? Em Gálatas 4:28-29, Paulo diz que Isaque “nasceu segundo o Espírito”.

Em sua concepção, Isaque teve o sêmen humano e o óvulo produzido pelo Espírito; o inverso de Jesus, que teve o sêmen do Espírito fecundando o óvulo humano.

Isso não faria de Isaque um ser semelhante a Jesus? Não! Deus estava tão-somente preparando o caminho genético que culminaria com o invólucro, isto é, o ventre que hospedaria Jesus por nove meses.  

Foi necessário que Isaque fosse gerado desta maneira, para preparar geneticamente a estirpe de onde Jesus viria. De Isaque a Jesus foram 42 gerações, isto é: 7 x 6. Sete é o número que representa a divindade, enquanto seis representa a humanidade. Estas 42 gerações eram necessárias para que a humanidade fosse preparada para mesclar-se à divindade na Pessoa de Jesus.

O envolvimento do guardiões com as humanas não tinha apenas motivação libidinosa ou romântica, mas era uma estratégia que visava contaminar a raça humana e impedir que se cumprisse a promessa feita no Éden de que da semente da mulher viria o que esmagaria a cabeça da serpente. 

Talvez o link entre os guardiões descritos na Bíblia e os monstros de pedra do filme "Noé" seja o fato de tais seres terem acabado se tornando nos ídolos das nações, geralmente feitos de pedra. 

Para uma melhor compreensão do tema, leia também os seguintes artigos:


São Paulo num passado não tão distante





















terça-feira, 8 de abril de 2014

BEM-AVENTURADOS OS INSACIÁVEIS



Mateus 5:6; 6:25-34

O conceito humano de SANTIDADE relacionado ao mundo material faz com que se admire uma pessoa e sua espiritualidade tanto mais quanto essa tal pessoa possa viver em simplicidade, com muito pouco, ou quase nada; e, assim, nesse estado, viva contente.

Desse modo, quanto menos uma pessoa precise para viver, mais revela sua beleza e sua perfeição de consciência; e mais será admirada pelos homens. Assim, quanto MENOS prisão e desejo pelo que é material, MAIS liberdade e contentamento.

Mas esse mesmo princípio – o de desejar pouco, ou quase nada – não se aplica em relação a Deus. No que diz respeito a Deus a SANTIDADE é a sede, é a fome, é a necessidade, é busca, é o desejo de ter mais, de ser mais em Deus e para Deus... E que é fruto de se saber como um “MENOS”, como o menor, como o mais carente.

“Dos pecadores eu sou o principal”—dizia Paulo.

Portanto, quanto mais imperfeito for o homem para si mesmo, e quanto mais carente de Deus, tanto mais perfeito será o seu imperfeito caminhar.

Precisar de Deus não é vergonha. Alias nada eleva tanto um ser humano quanto sua pobreza espiritual, sua fome, sua necessidade.

Nada há mais horrível do que se ver alguém que passa pela vida sem sentir falta de Deus; sem achar que precisa Dele.

Afinal de contas, o que é o homem?

Jesus disse em Mateus capítulo seis que o homem não é um show cósmico de ornamentos. Lírios são externamente mais belos...

A vida do homem não consiste nos bens que possui, e nem sua beleza humana se manifesta como afirmação de pobreza como virtude.

O que torna um homem grande é sua pequenez; e, sobretudo, sua consciente carência de Deus!

Assim, paradoxalmente (como sempre!), o grande poder de um homem vem de sua total consciência de fraqueza.

Sim! O poder de um homem vem de sua total admissão de incapacidade quanto a realizar qualquer coisa. 
Sim! O poder do homem vem dele dizer e crer que sem Deus nada se pode fazer.

Quando sei que não posso Nada, então, nada podendo, Deus pode por mim.

Desse modo, a virtude humana diante de Deus é o inverso de sua virtude diante dos homens; pois se entre os homens o santo é que não precisa de quase nada, e vive contente; todavia, diante de Deus, o homem que caminha em perfeição é justamente o que carece, o que quer mais, o que não se contenta; e tem sede...

Isto porque mesmo que alguém aprenda a se contentar materialmente com Nada, ou quase isso; no entanto, em Deus, e no espírito, ele só será coerente com seu próprio caminho de simplificação material, se, todavia, viver como alguém que pede, busca, bate, e confessa total carência.

Isto porque aquilo que é elevado diante dos homens, disse Jesus, é abominação diante de Deus; inclusive o show de simplicidade e virtuosismo material – pela simplificação dos desejos materiais, que de nada vale se o coração não viver sempre com fome, e almejando comer o Pão que está na mesa de Deus.


Caio

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Reconhecendo a silhueta divina em meio à calamidade


Por Hermes C. Fernandes

Sabe quando a gente tem a impressão de ter agido precipitadamente, mas logo em seguida, somos tomados pela certeza de que agimos sob a direção divina? Já se sentiu assim antes? Pois os discípulos de Jesus passaram por um episódio em que se sentiram exatamente assim. Eles haviam acabado de presenciar um dos maiores milagres realizados por Cristo. Cinco mil homens, além de mulheres e crianças, foram alimentados com míseros cinco pães e dois peixinhos. Eles ainda estavam processando o significado do que tinham assistido.

Jesus, por Sua vez, parecia distraído com a multidão. Mateus conta que “ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão” (Mt.14:22). Aquela ordem não parecia razoável. Deixá-lO ali? E como os alcançaria depois? Não seria melhor esperá-lO um pouco mais?

Ordem é pra ser obedecida, não questionada. Por isso, lá se foram eles sem dizer uma palavra. O que Ele teria em mente? Talvez tomasse carona em outro barco para os encontrar. Tão logo acabou de despedir-se do povo, em vez de sair imediatamente ao encontro dos discípulos, Jesus foi para o monte orar. O fato é que Jesus precisava ficar a sós com o Pai.

Marcos relata que “sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e ele sozinho em terra” (Mc.6:47). Mesmo tão distante geograficamente, Jesus não os perdeu de vista por um só instante.

“Vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da oite aproximou-se deles, andando por sobre o mar”(Mc.6:48a).

Ora, se eles estavam lá por uma ordem expressa de seu Mestre, por que o vento lhes era contrário? Posso imaginar uma discussão entre os discípulos:

- Eu não disse que deveríamos esperar por Ele?
- Mas foi Ele quem nos enviou?
- Que nada! Ele estava nos testando. Deveríamos ter ficado com Ele.
- É… acho que nos precipitamos.
- Vamos parar com este papo, e continuar a remar…

De fato, não houve qualquer precipitação. Eles estavam ali no meio daquele mar revolto por determinação de seu Senhor. E embora eles O tivessem perdido de vista, distraídos com os ventos contrários, Jesus não os perdera. E a prova disso é que veio correndo para socorrê-los.

Os pés que em breve seriam vazados pelos cravos, marchavam sem serem submergidos pelas águas. Os pés que seriam suspensos no madeiro, agora driblavam a lei da gravidade, suspensos sobre as águas pelo poder do amor.

Sua caminhada por sobre o mar não era uma demonstração performática de poder, mas evidência de Sua pressa em alcançá-los. Marcos diz que Jesus “queria passar à frente deles” (v.48b).

Convém destacar que Jesus caminhou em meio ao mar revolto. A calmaria só veio depois que Ele entrou no barco. Quando os discípulos viram aquela silhueta se insinuando no meio do nevoeiro, começaram a gritar apavorados, achando que era um fantasma.

- Só faltava essa! Como se não bastasse o vento contrário, agora nos aparece esta assombração! E cadê Jesus? Por que nos abandonou?

Se isso acontecesse em nossos dias, em terras tupininquins, alguns diriam que era Iemanjá…rs

Vendo-os desesperados, Jesus bradou: “Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt.14:27). Pedro, gato escaldado, preferiu tirar a prova dos nove: “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por sobre as águas” (v.28).

Jesus deve ter sorrido nessa hora. Uma sugestão dessas só poderia vir de Pedro, o sanguíneo. Em momento algum Jesus o censurou por isso. Às vezes precisamos de sinais que nos evidenciem que a silhueta que se insinua diante de nós seja realmente de Jesus, e não de alguma assombração ou projeção de nosso inconsciente.

Às vezes enxergamos o que queremos enxergar. Outras vezes enxergamos o que preferíamos evitar. Somos assombrados por temores incontroláveis e assediados por desejos inconfessáveis. Antes de deixar nossa zona de conforto para nos aventurar em direção àquilo que nos atrai, convém buscar uma confirmação de que aquilo provém do Senhor.

Jesus não discursou. Não era momento para um sermão. Ele apenas deu voz de comando: VEM!

Sem titubear, Pedro “descendo do barco, andou por sobre as águas para ir ter com Jesus” (Mt.14:29).
Repare no detalhe: Ele andou por sobre as águas para encontrar Jesus. O problema é que muitas vezes queremos “andar sobre as águas” apenas pela sensação que isso poderia nos proporcioar, ou mesmo, pela repercussão que isso causaria. Perdemos o foco. Fazemos do meio um fim em si mesmo.

Enquanto os outros discípulos pasmavam e talvez questiovam o atrevimento do colega, Pedro pisava nas águas como quem se sustenta sobre o chão firme. Tudo ía bem até que Pedro se deixou distrair pelo vento que permanecia forte e contrário. As ondas do medo invadiram seu coração e logo, começou a afundar. Desesperado, Pedro começou a gritar:“Salva-me, Senhor!”

Sem cerimônia, Jesus Se aproximou, estendeu a mão e o socorreu, dizendo:”Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (v.31). Jesus não estava censurando por lhe haver pedido uma prova de que era Jesus quem se aproximava do barco. Jesus o repreendera por haver se distraído com a fúria do vento. Este é o tipo de dúvida que aborrece a Deus. A dúvida gerada pela distração.

Quando ambos entraram no barco, o vento cessou (v.32). O que indica que aquela tempestade servia como cenário para que os discípulos aprendessem uma importante lição: Reconhecer Jesus em meio da adversidade.

Atender a uma ordem divina nos garante que seremos imunes aos ventos contrários da vida. Mas nos garante que Jesus jamais nos perderá de vista, e quanto estivermos cansados de remar contra o mar, Ele virá em nosso socorro.

A CALAMIDADE DA TERRA DESCATASTROFIZA


Os homens desmaiarão pelo bramido do mar e das ondas; ou seja, pela desordem das águas.

Mas esta Terra não está mais reservada para as águas, mas sim para o fogo.

Por isso, mesmo assim e, sobretudo, me preocupo com tudo aquilo que Jesus disse que seria um sinal da calamidade humana que provocará a intervenção dos céus na Terra.

E por quê?

Ora, é que conquanto eu queira que o Senhor venha [Maranata!], sou estimulado pelo Senhor a lutar contra as profecias de Sua Vindaexceto quanto à “pregar o Evangelho do reino a todas as nações até que venha o fim”.

Entretanto, não devo fanaticamente tentar ajudar a cumprir as profecias; seja pelo descaso de quem vê a não faz nada; seja pelo fanatismo que se veste “do braço de Deus” e vai fazer “Cruzada ou Jirad” em nome do Altíssimo.

Mas comecei a escrever isto porque começou a chover aqui em Brasília, o que muito me alegra.

Sim! Porque honestamente eu nunca pensei, até há uns 20 anos atrás, que eu iria viver para celebrar cada chuvinha que caísse neste planeta, mesmo em situações catastróficas.

Sim! Porque chegará a hora que água caindo do céu será sempre tão bem-vinda, que mesmo os males que eventualmente cause serão vistos como menores do que a catastrófe de qualquer dilúvio.

O que não se suportará será o frio queimante de certos lugares e os calores infernais de outros, os quais serão capazes de assar os pulmões humanos e dos animais, secar as plantas e matar os peixes, em muitos lugares da Terra, incluindo a Amazônia; e também esta área desértica do Planalto central, falando agora apenas do Brasil.

Mas o fim não será logo!

Agradeçamos as chuvas... E até pelos tsunamis. Pois chegará a hora em que o sistema de controle humano de Babilônia será tão onipresente, que nossa maior angustia será a total falta de liberdade, de privacidade e de autodeterminação, pois a Lei do Politicamente Correto será a Lei do Anti-Cristo, da Grande Babilônia, da Meretriz que contra tudo, pois sendo também a Besta na sua forma sistêmica, tem sede em dominar, sobretudo almas humanas.

Pode chover, chuva abençoada!

Eu aqui olho pra você e agradeço porque toda água dos céus será sempre vista, daqui para frente, como sinal de bondade, pois os homens interromperam as Estações e os ciclos naturais até da Terra, e, agora, até os açoites das tempestades terão que ser por nós vistos como ainda uma disciplina de amor.

Dias virão em que se dirá: “Chove sobre nós!” Mas os céus somente trarão gelo, saraivada de pedras de gelo, ou, então, o inferno de um ar seco que queimará os nossos pulmões e nos fará ter dores de quem tem o peito numa assadeira.  

Obrigado pela chuva Senhor!
  
Caio

sábado, 5 de abril de 2014

Podemos impor valores cristãos à sociedade?


Por Hermes C. Fernandes

Ultimamente, a Igreja cristã tem procurado resgatar sua relevância na sociedade, manifestando-se contra algumas tendências e comportamentos. Manifestos contrários à Lei de Homofobia, ao aborto, à pesquisa com célula-tronco extraída de embriões humanos e outros. Não questionamos a motivação que tem levado a Igreja a posicionar-se perante a sociedade com relação a esses assuntos. Contudo, cremos que devemos avaliar a eficácia de tais manifestos.

Antes de buscarmos respostas nas Escrituras Sagradas, devo expor minha insatisfação ao perceber que a Igreja cristã contemporânea parece tão preocupada com questões de cunho moral, ao passo que deixa de dar a devida importância a questões relacionadas à justiça social, tais como, a má distribuição de renda, a reforma agrária, a política econômica, os juros altos, etc.

Cremos piamente que a Igreja faz bem em envolver-se com qualquer questão que diga respeito ao ser humano. Não podemos ser um povo alienado, indiferente aos problemas deste mundo. Temos o dever cristão de participar, arregaçar as mangas e trabalhar por um mundo mais justo, e, conseqüentemente, mais seguro e próspero.

Como devemos posicionar-nos quanto a temas importantes como esses?

Quando a Igreja Primitiva dava seus primeiros passos, uma das instituições mais antigas e perversas da sociedade estava em pleno vigor. Trata-se daescravidão. Como os crentes deveriam reagir diante da injustiça da escravidão? Não vemos os apóstolos promovendo manifestos públicos para denunciar a escravidão, nem mesmo comparecendo perante as autoridades para reivindicar o seu fim.

Todas as sociedades da época eram constituídas de classes, das quais os escravos eram a base. Se a escravidão fosse abolida repentinamente, o mundo ruiria.

Mesmo sabendo que tal instituição era contrária à justiça do Reino, os cristãos preferiram conviver com ela por algum tempo, até que ela se definhasse por completo, através da proclamação do Evangelho do Reino. À medida que a mensagem libertária de Cristo era pregada, e a sociedade obtinha a consciência de que todos os homens eram iguais, a escravidão ia perdendo sua força.

A carta de Paulo a Filemom nos revela a maneira como o maior evangelista da época tratou deste assunto. Filemom era um novo convertido, que devido à sua privilegiada situação econômica, possuía escravos. Paulo não começa sua epístola criticando-o por isso. Pelo contrário, ele dá testemunho de que o que ouvira falar de Filemom, revelava um homem íntegro, cheio de “amor e fé” para com Cristo e todos os santos (v.5). De maneira discreta, o apóstolo revela sua preocupação através de uma oração:

“Oro para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em nós há para com Cristo” (v.6).

Como podemos comunicar a nossa fé de maneira eficaz? Como podemos tornar conhecido todo o bem de que Cristo nos tem feito participantes? Eis a questão principal dessa epístola! E eis a questão sobre a qual quero me debruçar neste artigo. Não basta comunicar nossa fé através de um conjunto de doutrinas. É necessário comunicar a nós mesmos. E para que isso seja possível, devemos amar àqueles com quem desejamos compartilhar os valores do Reino de Deus. O mesmo apóstolo escreve aos Tessalonicenses:

“Antes fomos brandos entre vós, como a mãe que acaricia seus próprios filhos. Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque nos éreis muito queridos” (1 Ts.2:7-8).

Ninguém vai conquistar corações descrentes tentando impor suas crenças e valores. Temos que conquistar seus corações, antes de tentarmos conquistar suas mentes. Temos que expor nosso amor, antes de propor nossos valores.

Ora, embora Paulo estivesse tratando com um fiel, e não com um descrente, ele preferiu dirigir-se primeiro ao coração de Filemom.

“Pelo que, ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, prefiro, todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, também agora, prisioneiro de Cristo Jesus” (vv.8-9).

Se com um fiel deve-se falar desta maneira, imagina com descrentes!

Hoje em dia, muitos pastores, além de quererem dominar o rebanho de Deus, querem também impor sua autoridade ao mundo. Bem fariam se dessem ouvidos ao velho Pedro: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe.5:2-3).

Impetuosidade não nos leva a lugar algum. Tanto Paulo, quanto Pedro, chegaram a esta conclusão depois de velhos. Em vez de simplesmente “mandar”, “ordenar”, Paulo preferiu “solicitar em nome do amor”.

As pessoas só deixarão determinadas práticas, quando tiverem suas consciências iluminadas pelo amor. Quem pensa, por exemplo, que proibindo o aborto vai coibir o avanço desta prática nefasta, está equivocado. As clínicas clandestinas agradecem qualquer tentativa de impedir que o aborto seja regularizado no País.

A carta de Paulo não tinha a pretensão de condenar a instituição da escravidão. Pelo menos, não diretamente. Seu objetivo era interceder por um escravo em especial, Onésimo.

“Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei em minhas prisões. Outrora ele te foi inútil; mas agora a ti e a mim muito útil. Mando-o de volta a ti, a ele que é o meu coração” (vv.10-12).

Onésimo era escravo de Filemom. Por algum motivo que não é revelado, Onésimo foi preso. Talvez tenha desfalcado seu senhor, ou cometido algum outro crime. Na prisão, conheceu o apóstolo, e acabou se convertendo a Cristo. Após cumprir pena, Onésimo voltaria às ruas. Mas pra onde iria? Um escravo não tinha alternativa, senão a casa de seu amo. Ele trazia marcas em seu corpo que o identificava como escravo, e por isso, estava fadado a ser reconhecido como tal pelo resto de sua vida. Ninguém se atreveria lhe abrir as portas. Na casa de seu amo, ele teria trabalho, comida e moradia. Seu dilema agora era saber se seu amo o receberia de volta. Caso não o recebesse, sua única opção seria a mendicância.

Era assim que a sociedade da época era estruturada. Isso não mudaria de uma hora pra outra. Quando o Brasil, pressionado pela coroa inglesa, promoveu a abolição da escravatura, os escravos alforriados não tiveram pra onde ir, e foi isso que deu origem aos bolsões de miséria, hoje conhecidos como favelas, nas encostas dos morros das grandes cidades.

Imagine como a igreja cristã deveria se portar diante de uma questão social como a poligamia. Em alguns países, a poligamia não apenas é aturada, mas também estimulada. Países onde o número de mulheres é muito maior do que de homens, devido às constantes guerras. Sem a possibilidade da poligamia, muitas mulheres morreriam de fome, pois em algumas dessas sociedades, elas sequer podem trabalhar pela sobrevivência. Não bastaria a igreja se manifestar contrária a este modelo familiar. Se os maridos resolvessem liberar suas várias esposas, pra onde elas iriam? E se os pais não as recebessem de volta? É claro que tanto a escravidão, quanto a poligamia são práticas condenadas pelas Escrituras. Mas isso não nos dá o direito de simplesmente impor nossos valores de maneira inconseqüente e irresponsável.

Antes de enviar Onésimo de volta ao seu amo, Paulo apela à sensibilidade de Filemom. “Eu bem quisera conservá-lo comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho. Mas nada quis fazer sem o teu consentimento, para que o teu benefício não fosse como que por força, mas voluntário” (vv.13-14).

Pelo jeito, nosso amigo Onésimo deu um grande prejuízo a Filemom. Paulo queria que ele fosse recebido de volta, mas com o valor que lhe era conferido pelo Evangelho. Então, o que fez Paulo? O valorizou. Mostrou ao seu antigo senhor o quão útil Onésimo lhe seria, caso o mantivesse consigo.

Se quisermos revelar ao mundo o valor que tem o casamento, não precisamos sair por aí condenando os adúlteros, mas valorizar nossos cônjuges aos olhos de todos. Feridas não precisam ser ainda mais abertas, mas devidamente tratadas.

“Bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, não já como escravo, antes, mais do que escravo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor” (vv.15-16).

Paulo intentava convencer Filemom que receber Onésimo na condição de irmão representaria lucro em vez de prejuízo. Precisamos convencer o mundo que o casamento não é uma instituição falida, e que é melhor ter uma esposa do que uma amante. Temos que mostrar ao mundo o prejuízo que é fazer as coisas de maneira inversa àquilo que Deus planejou. As pessoas devem ser convencidas de que vale a pena fazer as coisas do jeito certo.

Um filho é melhor do que um aborto. Um casamento é melhor do que uma aventura amorosa. É melhor a justiça com segurança e paz, do que a corrupção acompanhada de pavor e violência.
Finalmente, Paulo dá o retoque final ao seu argumento em nome do amor:

“Portanto, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, lança-o na minha conta. Eu, Paulo, escrevo de meu próprio punho, eu o pagarei, para não te dizer que ainda a ti mesmo a mim te deves” (vv.17-19).

Quem paga a conta?

Todos sonhamos ver este mundo restaurado, com suas instituições devidamente reformadas, livre da injustiça, da corrupção, e de todo mal. Entretanto, quem se dispõe a pagar o preço por isso? Ninguém quer ficar no prejuízo. É muito fácil dizermos a uma menina grávida de seu estuprador para que não aborte. Mas quem se dispõe a ajudá-la a criar seu filho?

Lembro de uma mulher que ligou para um programa de rádio que eu conduzia. Ela chorava muito, e dizia que estava diante de uma janela, pronta a se arremessar. Tentei acalmá-la, e pedi que me contasse o que estava havendo. Ela me explicou que havia crescido em uma igreja evangélica extremamente legalista, mas que se desviara e se tornara numa garota de programa. Pra piorar as coisas, ela se engravidou de uma dos seus clientes, mas tinha a menor idéia de qual deles era a criança. Foi um momento muito difícil para mim, pois nossa conversa estava sendo ouvida por milhares de pessoas, e se ela resolvesse pular da janela, eu me sentira culpado pro resto de minha vida. Deixei que o Espírito Santo pusesse palavras em meus lábios, que a dissuadiram de pular. Instei com ela para que voltasse pra igreja. Ela argumentou comigo, dizendo que todas as vezes que ela pôs os pés em sua antiga igreja, as pessoas lhe olhavam de cima a baixo, julgando-a e condenando-a. Em vez de amor, ela só encontrava juízo. Mesmo sustentando sua família com o dinheiro advindo da prostituição e de filmes pornográficos, sua família a rejeitava.

Depois de muitas lágrimas, ela aceitou orar comigo, reconciliando-se com Deus. Após a oração, ela pediu pra conversar comigo fora do ar. Contou-me que tinha um contrato com uma produtora internacional de filmes pornôs, e que, se ela resolvesse abandonar aquela vida, teria que pagar uma alta soma por quebra de contrato. Procurei mostrar a ela que todo o dinheiro que aquela vida lhe dava não valia a pena, e que, mesmo sofrendo eventuais prejuízos, nada seria melhor do que voltar-se para Cristo. Será que a igreja está preparada para receber pessoas assim?

Outra vez, recebi um homossexual em meu gabinete. Ele começou a chorar, e a dizer que sentiu confiança em nos ouvir pelo rádio. Segundo ele, todas as igrejas por onde passara, o rejeitaram. Ninguém se dispusera a ajudá-lo. É muito fácil julgar, condenar, ou mesmo ignorar tais pessoas. Difícil é amá-las e acolhê-las como Jesus teria feito em nosso lugar.

Paulo se dispôs a pagar por qualquer prejuízo que Onésimo houvesse dado a Filemom. E quanto a nós, será que estamos prontos a arcar com os custos e implicações da mensagem do Reino de Deus?

Estaríamos prontos para lidar com os efeitos colaterais de um verdadeiro avivamento, como aquele que varreu o País de Gales, encerrando as portas dos prostíbulos e bares?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

COMO ME SEDUZISTE?


Por que te amo assim..., Jesus?

Só sei que foi por causa do teu amor por mim!

Agora, tudo me fale de Ti.

Sim, porque criastes todas as coisas, todas as coisas agora só me falam de Ti.

E porque sei que me fizestes, hoje tudo em mim só me lembra de Ti, Senhor.

Teu amor, Teu terror, Teu calor, Teu temor, Teu perdão, Teu trovão, Teu refugio, Tua ira, Teu galardão, Tua sentença, Teu poder, Tua singeleza, Teu braço, Tua brisa — sim, tudo se tornou uma só coisa em mim!

Tu és!
Eu sou em Ti!
Tu-eu-eu-Tu!

Nele, nós,
Caio