sexta-feira, 9 de maio de 2014

Já imaginou um Uni-inverso?


Por Hermes C. Fernandes

Os gregos se encantaram com as formas geométricas. O que me impressiona são a proporção e a disposição das coisas em nosso universo. É assustador saber que, proporcionalmente, num átomo de hidrogênio, a distância entre o primeiro elétron e o núcleo que ele orbita é quase oito vezes maior do que a distância entre o Sol e Plutão, até pouco tempo, considerado o último planeta de nosso sistema solar. Trocando em miúdos: se pudéssemos tornar o núcleo do tamanho do Sol, o elétron ficaria a 43.750.280.968 km, enquanto Plutão está a 5.909.000.000 km do Sol. É ainda mais intrigante imaginar que toda esta distância no átomo é formada por espaço vazio. Por isso se diz que 99,99% da matéria é constituída de nada. Estima-se que só uma trilionésima parte do átomo está cheia de matéria. Só não nos damos conta disso devido ao tamanho absolutamente diminuto do átomo. Se pudéssemos viajar ao interior da matéria, depararíamos com algo parecido com as bonecas russas: tão logo se descobre uma nova partícula, suspeita-se que dentro dela haverá outra ainda menor, e assim por diante. E entre uma partícula e outra, mais espaço vazio.

O corpo humano é formado por 7 octilhões de átomos. Provavelmente, este não é um número que nos soe familiar. Imagine um 7 seguidos de 27 zeros à direita (7.000.000.000.000.000.000.000.000.000). Não se tratam de milhões, nem de bilhões, ou mesmo trilhões. Estamos falando de octilhões!

Esqueça o átomo e concentre-se agora nas células. O corpo humano possui 10 trilhões de células. Cinquenta vezes mais do que o número de estrelas de nossa galáxia (200 bilhões). Multiplique isso por 7 bilhões de pessoas que vivem neste planeta. É melhor deixar pra lá...

E quanto às bactérias presentes em nosso corpo? Estima-se que para cada célula exista ao menos 10 microrganismos (entre bactérias, fungos, amebas, vermes e parasitas). Carregamos algo em torno de 100 trilhões de microrganismos em nossos corpos, a maioria dos quais é fundamental à nossa sobrevivência.

Nosso cérebro tem aproximadamente 86 bilhões de neurônios que produzem trilhões de conexões entre si. Aproveitando um punhado destas conexões neurais, pus-me a imaginar o que determinaria o tamanho das coisas e, como seria se fosse possível inverter esta ordem, de modo que o universo se tornasse num uni-inverso.
Permita-me uma digressão: Suponhamos que o ser humano esteja exatamente no meio da escala de tamanhos. Tanto o macrocosmos, quanto o microcosmos seriam medidos à partir dele. Parafraseando Protágoras, o homem é a medida de todas as coisas. E usando a terminologia bíblica, Jesus é Deus que se faz homem, para como tal, ser o mediador, não apenas entre o homem e Deus (1 Tm.2:5), mas entre os mundos macro e microcósmico. Em Efésios 1: 9-10, Paulo diz que Deus nos desvendou o mistério de sua vontade que é de “fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.” Em outra passagem, o mesmo apóstolo diz que em Cristo habita toda a plenitude (pleroma, palavra grega que significa a totalidade da realidade) e que, por meio d’Ele Deus promoveu Sua reconciliação com “todas as coisas, tanto as que estão na terra (microcosmos), como as que estão nos céus (macrocosmos)” (Cl.1:19-20). O lugar emblemático escolhido para promover este encontro foi a cruz, com suas hastes horizontal e vertical. É ali que o paradoxo se resolve. Onde a mecânica quântica e a teoria da relatividade se encaixam sublimemente. A cruz é a solução de todos os paradoxos da ciência e da filosofia.

Dito isso, voltemos a soltar a imaginação. E se Deus resolvesse inverter a ordem natural das coisas? E se o macrocosmos se encolhesse, de maneira que uma galáxia coubesse na cabeça de um alfinete? E se ao mesmo tempo os átomos se tornassem do tamanho de sistemas solares? Imagine se tivéssemos que usar o telescópio para observar os átomos e o microscópio para observar as estrelas.

É claro que Deus tem poder para tal, pois para Ele nada é impossível.

E se isso já estivesse em Seus planos? E se encontrássemos pistas nas palavras de Jesus que indicassem que a realidade não é o que parece ou está destinada a revelar-se de maneira surpreendente aos nossos sentidos?
Pense na estrela de Davi, estampada no pavilhão de Israel. Dois triângulos se cruzam, um em pé e outro de cabeça para baixo. O triângulo em pé poderia representar a realidade tal como conhecemos, do menor para o maior. O triângulo invertido seria a representação da realidade tal qual se revelará, do maior para o menor, do macro para o micro.

Se isso parece loucura aos nossos sentidos, pense por um momento no que significa afirmar que Deus Se fez homem. Como o infinito poderia caber no finito? Se nem o céu dos céus é capaz de comportá-lo (2 Crônicas 6:18), como poderia ser encerrado num corpo humano? Não é em vão que Paulo se refere a tal fato como "o mistério da piedade" (1 Tm.3:16).

Cristo abarca em Si a realidade como um todo. Parafraseando Davi, se descermos ao coração da matéria, ao mundo subatômico, quântico, ali O encontraremos. Ele é o Alfa! Se subirmos ao céu, atravessarmos galáxias, quasares e buracos negros, ali também O encontramos (Sl.139:7-8). Ele é o Ômega (Ap.22:13)! Naquele em quem estão ocultos todos os tesouros da ciência, encerram-se todos os paradoxos (Rm.11:33).

N’Ele, realidades paralelas se cruzam e se conectam. O aparentemente contraditório se reconcilia. Soberania divina e livre agência humana se harmonizam. Ciência e fé se abraçam. Justiça e amor se entrelaçam. Espírito e carne se fundem. Céu e terra convergem para o mesmo ponto.

Consideremos que as palavras de Jesus encerrem significados que ultrapassam o campo da moral e da ética. Por exemplo: quando diz que em Seu reino, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, ele indica uma subversão na ordem temporal (Mt.20:16). Ao dizer que o maior seria o menor e o menor seria o maior, ele subverte a ordem espacial (Mt.23:11).

Assim como o Espírito de Deus transita livremente dentro do tempo, de sorte que não há diferença entre passado, presente e futuro, Ele também percorre todo o espectro da realidade, não havendo diferença entre o macroscópico e o microscópico. Para Deus, tanto uma galáxia quanto um átomo tem o mesmo tamanho. Ele viaja entre o espaço estelar e intergaláctico da mesma maneira como viaja entre o espaço que separa o núcleo de um átomo de seu elétron. De acordo com o escritor sagrado, Ele sustenta todas as coisas com a palavra do Seu poder (Hb.1:3), e isso inclui tanto as órbitas planetárias quanto as órbitas subatômicas.

Imagine ainda se descobríssemos uma maneira de inverter a realidade, de modo que o macro se tornasse em micro, e o micro em macro. Quem sabe, bastaria que entrássemos num buraco negro, e nos depararíamos com o avesso da realidade. De repente, as astronômicas distâncias entre os corpos celestiais se tornariam em milionésimos de centímetro. Em compensação, em vez de um céu estrelado acima de nós, veríamos um espaço pontilhado de átomos, com seus elétrons orbitando seus núcleos em velocidade inimaginável. Nosso corpo seria formado de corpos celestes. Cada cérebro uma galáxia. Cada neurônio, uma estrela. Nosso DNA estaria escrito nas estrelas, e nosso destino seria lido nas moléculas. O que para nós é um exercício de imaginação, para Deus é a mais pura realidade. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Kant e o Século XXI

Mario Sergio Cortella ensina filosofia a Gentili

A escravidão democrática


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Vídeo Aula: Nietzche e a Filosofia do Martelo

LOUCOS & LOUCOS


O louco de antigamente está em extinção, e, na realidade, fora a possibilidade de encontrá-lo em um “hospício” ainda à moda antiga, dificilmente se o achará nos lugares de antes...; que eram as casas, pois viviam com parentes; as ruas, pois faziam parte do ambiente social e até anedótico do lugar; as portas das igrejas, onde faziam parte da liturgia dos que iam e vinham; as festas de rua, nas quais eram parte integrante de tudo; e nos surtos folclóricos, dos quais eram personagens narrados com carinho...
Em Manaus, quando eu era menino, tínhamos os nossos loucos de afinidade em quase todos os bairros. Onde morávamos, no antigo Alto de Nazaré, havia duas loucas: a Rita e a Carmem Louca.
Faziam parte do folclore de nossas existências...
Éramos gostosamente assombrados por elas...
De vez em quando elas jogavam pedras...
Ambas tinham a libido em excesso...
Eram loucas com vontade de namorar... quando não corriam atrás dos carros... quando não se irritavam com as brincadeiras dos meninos, e jogavam pedras... Pedras que nunca machucaram ninguém...
Esse louco hoje está tão drogado que não tem mais força para nada...
Alguns, graças a Deus, receberam medicação adequada e quase que se reintegraram à normalidade da vida...
Esses, todavia, nunca foram os loucos perigosos... Nem ontem e nem hoje...
Os loucos perigosos são os não diagnosticáveis...
Sim, são os malucos funcionais...
Os loucos perigosos são os que trabalham, ganham dinheiro, namoram, compram e vendem, fazem tudo...; ao mesmo tempo em que o trabalho é uma obsessão, o dinheiro é um deus, o namoro é abuso apaixonado e semi-homicida, o comprar é compulsivo, o vender é avarento, e, sobretudo, seu maior perigo é sua louca e insana capacidade de enganar, de dissimular, de camaleonear, de não sentir, de não se importar, de não se dar, de não considerar, de não ser grato, de ser esquecidiço do bem; e de se tornar um ser educadamente psicopatico no meio de todos...
Esses são capacitados a levar suas loucuras, seus surtos, seus narcisismos, seus orgulhos endiabrados, suas ufanias satânicas, seu desamor, sua gula de alma, sua insaciabilidade, sua inveja, sua cobiça doentia, seu desejo de poder, de comer, de possuir, de acabar, de eliminar, de usar, de abusar, de dissolver... — a todos os lugares; posto que sejam os loucos da moral, da lei, do politicamente correto, da religião, das ongs, das igrejas, dos partidos, dos sindicatos, das torcidas organizadas, dos seminários, dos conventos, dos monastérios, das grandes empresas, da ONU, da Unesco, da Unicef, do Criança Esperança, do Viva Rio e de qualquer Clube do Bem...
Esses loucos não jogam pedras, eles dão pedradas... Não rasgam dinheiro, rasgam os ricos... Não matam os pobres, usam a pobreza... Não correm atrás de sombra de avião, só vão se for de 1ª Classe...
Esses não são parte do Folclore, são os mestres da cultura...
Esses não são malucos, são loucos surtados de egoísmo educado...
Esses não vão aos hospícios, eles fazem outros irem...
A loucura desses não é para eles mesmos, é para os outros...
A loucura deles é enlouquecer...
Esse tipo de louco é o diabo em exercício humano de sandice dissimulada...
E mais: com extrema facilidade esse louco se tornará político, empresário, pastor, guru, médium, sacerdote, ator, celebridade, e qualquer coisa do gênero; ou seja: qualquer coisa que os ponha na posição de chafarizes de loucuras derramadas em praça pública como show de importância...
Esse é o maluco com loucura de sedução, de importância, de elegância, de reputação, de poder, de sensualidade, de ganância, de segurança, de esperteza, de sobrevivência a qualquer preço, de negociação aberta a todo e qualquer sucesso...
Esse maluco, em geral, é o líder...
A maior parte dos líderes que conheço fazem parte desse rol...
Os que não são assim, saiba: são os que assim não são!

Nele, que disse: “Entre vós não é assim!”,

Caio

terça-feira, 6 de maio de 2014

Confesso: Eu me perdi!


Por Hermes C. Fernandes

Prestes a completar oito anos de blog, já até me acostumei a receber críticas. Algumas incisivas. Outras frívolas. Pouquíssimas vezes respondo. Principalmente quando o crítico se esconde sob a capa do anonimato. Não faz muito tempo, recebi um e-mail com a seguinte mensagem: "Querido, como você se perdeu! Acredito que se você vivesse na época de Jesus, seria um da turba que gritou "Crucifica-o!" Usa a palavra para defender seus próprios pensamentos a respeito de graça, pecado, salvação e outros...De que lado você realmente está??? Uma vida cheia de propósitos vazios...."

Devo concordar em parte com esta avaliação. Eu realmente me perdi. E, por incrível que pareça, sinto-me muito bem com isso. Bendita foi a hora em que me perdi. Pois foi justamente aí que minha vida foi achada, salva e revestida de significado. 

Repare nas palavras do próprio Jesus: 
"Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á." Lucas 17:33
Quem busca salvar-se, acaba se perdendo. Quem se deixa perder, acaba se salvando. Simples assim. Deixar-se perder é ser absorvido pelo amor. É deixar de viver para si, para viver para a glória de Deus e o bem de todos. Quem não percebeu isso ainda, continua perdido, crente que foi achado. 

O apóstolo Paulo admitia não ter alcançado a perfeição, mas prosseguia, esquecendo-se das coisas que ficavam para trás e avançando para as que estavam diante dele. Logo após admitir sua imperfeição, ele me sai com essa: "Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos este sentimento" (Fp.3:15). Dá para entender uma coisa dessas? Parece que Paulo está se contradizendo. Não se trata de perfeição moral, mas de completude. Sob o ponto de vista moral, ou mesmo ético, ninguém é perfeito. Todos eventualmente tropeçamos. A perfeição de que Paulo fala é de outra natureza. Uma vez que nossas fraquezas se encaixam perfeitamente no poder Deus, logo, o que nos falta à perfeição, Ele completa. O que somos, deriva-se do que Ele é. Portanto, somos perfeito n'Ele, não em nós mesmos. Todavia, devemos nutrir o sentimento de não termos ainda alcançado tal proeza. Em outras palavas, somente os perfeitos se dão conta de suas imperfeições. Este era o mesmo sentimento que havia em Cristo, que sendo Deus, não usurpava ser igual a Deus. E segundo Paulo, devemos cultivar o mesmo sentimento. Somos salvos por nos perdermos n'Ele. Por abrirmos mão de nossa justiça própria, e até da própria vida. Por não querer poupá-la, nós a preservamos para desfrutá-la no porvir. Por nos gastarmos e nos deixarmos gastar por amor, somos mantidos inteiros (2 Co.12:15). E por nos esvaziarmos de toda e qualquer pretensão, tornarmo-nos plenos.

Depois de me acusar carinhosamente de estar perdido, ele também diz acreditar que se eu vivesse na época de Jesus, certamente faria coro com a turba que pedia a Sua crucificação. Amigo querido, talvez você tenha razão. Um pecador como eu talvez reivindicasse a morte do único justo. Definitivamente, não sou melhor do que nenhum daqueles que lotaram o pátio de Pilatos naquela fatídica manhã. Mas mesmo assim, Ele me amou. Seu amor me constrangeu de tal maneira, que foi capaz de me tornar num novo homem. Hoje tenho uma vida cheia de propósitos vazios, como você mesmo diz. Vazios de presunção. Vazios de arrogância. Vazios de mim mesmo. Porém, cheios de amor para com Deus e para com o meu próximo. 

Obrigado por me escrever e me dar a oportunidade de expor aqui a razão da minha esperança. Se me permite um conselho, experimente se perder. Somente assim, você poderá ser "achado n'Ele" (Fp.3:9).