terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
OS HUMANOS DESISTIRAM DA HUMANIDADE
A Discovery e o National Geographic Channel são meus prediletos na televisão. Aprendo, me inspiro, discordo com insights antitéticos construtivos para mim, e mantenho-me não tão longe do que mais gosto na Terra: ela mesma. Atualmente, no entanto, vejo o mais perigoso de todos os programas que a Discovery já produziu. Quando a ciência e a tecnologia constroem cenários de milhões de anos atrás e, baseados em registros fósseis também “reconstroem” a era pré-histórica, tudo bem. Muitas vezes faz sentido. Outras vezes, nem tanto. Quando nos tomam pelos olhos e nos conduzem aos ventrículos mais profundos da terra, do mar e da história, deixam-nos extasiados. Eu, pelo menos, freqüentemente me apanho em louvor e oração. Fico feliz de poder saber de todas essas coisas. Quando advertem profeticamente que a humanidade está se auto-aniquilando e, assim, tentam gerar ações de preservação de espécies e do meio ambiente, estão ajudando a criar uma consciência sadia, ainda que baseada em nossa autopreservação. Hoje, no entanto, foi diferente. O programa passou a primeira vez no domingo à noitinha. Repetiu a 1 da manhã de segunda. O nome do programa é Futuro Selvagem. A qualidade técnica é “Discovery”—ou seja: maravilhosa. A idéia é absolutamente lógica considerando as leis da teoria da evolução e, sobretudo, as condições de degradação do ecossistema e as inapeláveis conseqüências. Tudo certo conforme a premissa lógica e a lógica da premissa. Uma interpretação do passado da Terra a partir da teoria da evolução é aceitável para muitos cristãos. De fato, nos últimos vinte anos, apenas os cristãos americanos—e seus repetidores de formulas simples—é que ainda se preocupam com essa questão como uma ameaça à fé. Havia a pré-história e a história. A história começa com a autoconsciência e com o seu registro como alguma forma de impressão. E quanto maior a autoconsciência, maior é o sentido de história. A história, estranhamente, é tanto maior quanto maior e mais profundamente o sujeito a percebe. A história é feita fora, mas é escrita a partir de dentro do homem. Agora a Discovery criou o Futuro Selvagem. Os homens acabaram com a civilização humana. Uns poucos sobreviveram refugiando-se em outras galáxias. O que sobra na Terra é apenas aquilo que aqui havia antes de ter havido a primeira autoconsciência: milhões e milhões de anos de existências sem autoconsciência e uma quantidade enorme de seres que continuaram o processo evolucionário, sendo que o Caracará brasileiro, em mais cinco milhões de anos, perderá as penas e crescerá quatro vezes o seu tamanho atual. Voltará a ser um dinosaurinho. A viagem vai de tempos recentes no futuro como cinco milhões de anos, a futuros ultra-selvagens e solitários daqui a mais 200 milhões de anos—no fim de tudo: as aranhas prateadas dominarão a Terra e os tubarões bioluminicentes continuarão os senhores das águas; ou melhor: do mar único que será o oceano, que cercará uma única porção seca de terra. O que me incomodou nisto? 1. O espírito de entretenimento. A ser produzido o programa teria que ser em tom apocalíptico, não acompanhado de música romântica. Ópera e violinos de paz tocam ao fundo. Está tudo muito bom. 2. A filosofia inerente. A vida será assim daqui a 200 milhões de anos--sem humanos--, por que, então, ser de qualquer jeito hoje? 3. A escatologia afirmada. É fatalista. Dá como certo a impossibilidade de qualquer tomada de consciência, trabalhando, portanto, contra a própria filosofia do canal. 4. A soteriologia confessada. O homem—a elite dos humanos—se salva em outra galáxia—um arrebatamento autopromovido—enquanto a Terra pertence às aranhas prateadas e os mares aos tubarões bioluminicentes. 5. A fé proclamada. O homem tomou o seu destino definitivamente em suas próprias mãos. Tudo o que haverá é tudo o que conseguirmos. Ao mesmo tempo, entrega-se o mundo atual ao serviço dos interesses imediatos, corroendo a atmosfera e destruindo os sistemas de vida e as cadeias de sinergia natural. Assim, alguns homens herdarão o reino das galáxias, mas, enquanto isto, dá-se como certo que a humanidade já acabou e que seu futuro já está profetizado. Ao final, não há a Nova Jerusalém descendo do céu adornada como noiva. Há apenas algumas naves de fuga da elite humana, que deixam para trás o lixo que a elite humana produziu. Assim, lá vão os humanos fazer mais uma ...em uma outra galáxia. Se esse é o futuro, que presente é esse? O presente é o que é. O futuro já é. Quem diz chama a si mesmo de Eu Sou! E no meu futuro a Nova Jerusalém desce sobre a Terra. Quem diz isto é Aquele que é, que era e que há de vir! Mas a voz da Discovery, de qualquer modo, precisa ser ouvida: o homem é a bomba que inviabilizará a humanidade. O Discovery consegue ver a vida se adaptando e seguindo, mas não o homem, que demonstra que a coisa mais alienígena que há na Terra é essa inteligencia malvada dos humanos, que se alimentam da ganância do imediato, e vaticinado a continuidade de uma Terra sem gente. O que isto demonstra: que a Queda do homem é um fato: sua permanencia na Tera impede a vida. Sua ausência nos daria um Terra sobrevivente, sem guerras, a não ser a dos bichos do futuro, que continuaram a caçar apenas para comer, mas não destruirão a Terra por sede de poder. Caio
Fonte: Site do Caio Fábio
sábado, 21 de fevereiro de 2015
SELFIE - Um poema
Quero que todos me vejam
da maneira que me vejo
Ao me virem, me cortejam
Muitos likes, eu desejo
Nem que para isso exiba
um sorriso, um gracejo
Não há nada que me iniba
Aproveito cada ensejo
Sempre busco o melhor ângulo
Pra esconder qualquer defeito
No espaço de um retângulo
Este mundo fica estreito
Se puder evito closes
que reforcem os meus traços
Me distraio entre poses,
beijos, bicos e abraços.
De que adianta
tanto apreço pela imagem?
Se aquilo que preciso
Só se encontra além da margem
O que me encanta
Independe da roupagem
Quer saber, não sou Narciso
Meu reflexo é miragem
Quem me ama, me percebe
Sem moldura ou efeito
De que serve usar filtro
Se nem mesmo me aceito?
Quem me ama, me enxerga
De um ângulo distinto
Ao meu ego não se enverga
Só se importa com o que sinto
Qualquer coisa mostra a lente,
Qualquer coisa que se ostente
Só não mostra a verdade
que é aquilo que se sente.
Qualquer coisa mostra a lente,
Qualquer coisa que se ostente
Só não mostra a verdade
que é aquilo que se sente.
Composto por Hermes C. Fernandes em 10/02/2015
Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes
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