domingo, 29 de março de 2015

Filósofos essenciais

quinta-feira, 26 de março de 2015

clovis de barros beleza e prazer hippias maior e epicuro

quarta-feira, 25 de março de 2015

CONCEITO DE FANTASIA PERVERSA


O que é fantasia do ponto de vista psicológico?


 

 

Fantasia é uma noção que encontra as mais diversas conceituações na psicologia. O conceito de Freud relaciona a fantasia a um mecanismo ligado ao princípio do prazer e distanciado do mundo externo, que o indivíduo utiliza como uma busca da satisfação por meio da ilusão.

Para Jung a fantasia expressa o fluxo ou agregado de imagens e idéias vindas do Inconsciente, e que produz uma atividade imaginativa, espontânea e criativa da psique.

Assim, a Fantasia é uma espécie de união entre os conteúdos inconscientes e conscientes. Nesse caso, a fantasia é o resultado imediato de operação das estruturas arquetípicas; ou seja: daquilo que no inconsciente são simbolos e imagens que correspondem ao sentido ou des-sentido do mundo interior, e que buscam Integraçao com o consciente humano.

Jung classificou a Fantasia em "fantasias ativas", as que requerem o auxílio do ego para emergirem na consciência, e "fantasias passivas", aquelas que emergem diretamente do inconsciente, porém utilizando-se de conteúdos conscientes.

As fantasias ativas seriam altamente criativas, enquanto que as passivas seriam de natureza patológica. Ambas podem ser interpretadas.

O que nos interessa aqui, entretanto, é a fantasia como fuga e evasão da realidade e, espiritualmente, da verdade.

Quando Jesus disse que o nosso ser deveria ser “sim” para sim e “não” para não, Ele acabava com a fantasia como fuga do real. Pois o que disso passa faz mal; ou seja: vem do maligno.

Ele, entretanto, nada tinha contra a fantasia assumida como arte e criação; jamais teria.

Todavia, a fantasia como fuga do que é, para Jesus é o caminho do diabo no ser.

Quase todo mundo tem grandes doses de fantasia perversa na mente.

Fantasias perversas são aqueles que privam o individuo da apreciação da realidade, dando a ele um olhar que corrompe tudo.

Tais pessoas não amam, elas desejam o desejo; mas nem mesmo desejam o desejado.

Digo estas coisas tão simples apenas por estar convencido cada vez mais de que boa parte do que as pessoas chamam vida, problema, angustia, dor, esperança, fé, crença, etc. — não passa de fantasia.

Conheço muita gente que tem fétansia, não fé.

Ora, a lista é sem fim; e eu tenho que dar uma saidinha agora...


Pense nisso, entretanto!


Caio

domingo, 22 de março de 2015

Quem disse que Jesus não combina com chicote?




Hermes C. Fernandes



Havia uma expectativa no ar. Todos comentavam entre si que finalmente chegara o dia em que o Messias tão esperado adentraria triunfantemente em Jerusalém; dirigindo-se ao palácio, deporia Herodes, o rei fajuto, marionete do império romano. Um tal galileu surgira na periferia, fazendo milagres, exorcizando demônios, alimentando multidões. Além de tudo, tinha pedigree. Só poderia ser Ele, o filho de Davi, que libertaria Seu povo do domínio romano, e assumiria o trono do qual era herdeiro.

A cidade estava em polvorosa. Munidos de ramos, todos dirigiram-se ao portão principal para dar boas vindas ao que vinha em nome do Senhor. HOSANA! Os tempos áureos voltaram! Viva o Filho de Davi!

De repente, desponta no horizonte um figura doce, serena, montada num jumentinho. Seus discípulos O precediam e engrossavam os brados de hosana.

Acostumados em assistir às paradas triunfais, em que reis e generais se apresentavam montados em extravagantes corcéis, a imagem d’Aquele galileu montado num jumento era, no mínimo, frustrante. Mesmo sem entender direito o que acontecia, os brados de hosana se intensificavam. Talvez aquilo fosse um recurso cênico, visando identificá-lO com as camadas mais pobres e oprimidas da sociedade. Ninguém sabia que o jumentinho era emprestado.

Ao atravessar o portão da cidade, todos imaginavam que Ele Se dirigiria ao palácio, liderando o povo para uma tomada de poder, mas em vez disso, Ele toma o lado oposto, e Se dirige ao Templo.

Possivelmente muitos pensaram que Ele faria uma breve escala no templo, a fim de legitimar Seu motim, buscando apoio da casta sacerdotal.

Inusitadamente, Sua feição é transformada. O galileu humilde montado num burrinho, agora improvisa um chicote, adentra os pátios do templo, e de lá expulsa os cambistas e mercadores.

Confusão geral! Os brados de hosana foram substituídos por burburinhos. Todos estavam enganados em suas expectativas. Ele não estava interessado em ser unanimidade. Não buscava apoio dos sacerdotes, nem dos dos principais partidos religiosos.

O reino que Ele representava não propunha mudanças que começassem pelo palácio, mas pelo templo. A Casa de Seu Pai estava sendo profanada, transformada num mercadão a céu aberto. Antes de instaurar a ordem do reino, aquela “ordem” teria que ser subvertida. Mesas de pernas pro ar! Gaiolas abertas! Cambistas expulsos!

O mesmo Cristo do jumentinho é o Cristo do chicote. Não confunda Sua humildade com passividade. Ele jamais fez vista grossa às injustiças dos homens.

Depois de limpar o terreno, cegos e coxos Lhes são trazidos, e Ele os cura ali mesmo. De repente, o silêncio é quebrado por brados de hosana, que desta vez vinham dos lábios de crianças.

Os sacerdotes, indignados, perguntam se Ele não se incomoda com aquilo. Jesus responde: Vocês jamais leram? Da boca das crianças é que sai o mais puro louvor.

Repare nisso: Os hosanas bradados à entrada de Jerusalém não mereceram qualquer comentário de Jesus. Entretanto, Ele sai em defesa das crianças que O louvavam com a mesma expressão. Por quê? Porque estes eram legítimos, desprovidos de interesses. Os hosanas de quem O recepcionou à porta da cidade foram interrompidos, tão logo Jesus feriu seus interesses.

Aqueles O louvavam por imaginarem que Jesus planejava um golpe político, e que, em posse do trono, romperia relações com Roma, reduziria a carga tributária, e restabeleceria a monarquia de Davi. Mas Jesus tinha em mente outro tipo de revolução. Somente as crianças estavam prontas para isso. Naquele momento, Jesus Se tornou no super-herói da meninada.

Só Ele teve a coragem de desafiar o status quo. Só Ele ousou enfrentar os que detinham o monopólio religioso.

Enquanto as crianças O louvavam, os adultos, indignados, já pensavam em como detê-lO. Foi esta postura subversiva que Lhe custou a vida. Começava ali a contagem regressiva para que o Cristo subversivo fosse morto, não por defender uma ideologia, mas um ideal, o ideal do Reino de Deus.

Desde então, o grito de “hosana” deveria ter conotação subversiva, e não ser mais um jargão religioso. Que seja o hosana das crianças, dos representantes do futuro, aqueles para os quais é o reino dos céus, e não o hosana dos interesses inconfessáveis, do monopólio, da religiosidade insípida, do jogo político. É triste e revoltante ver tantos cristãos deixando seus cultos dominicais portando ramos nas mãos, sem com isso serem cúmplices de Deus na instauração do Seu reino.

Que a religião instituída desista de tentar domesticar Jesus

Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes

sexta-feira, 20 de março de 2015

Entre a Babilônia e o Jornal Nacional


Por Hermes C. Fernandes


Para começo de conversa, detesto qualquer tipo de patrulhamento, seja cultural, político ou ideológico. “Foi pra liberdade que Cristo nos libertou”. Ou não foi? Então, não me venha com esta conversa de que devemos boicotar este ou aquele programa de TV. Cada qual deve ser guiado por sua consciência, que por sua vez, deve ser iluminada pelo Espírito Santo e pelo bom senso.

Perdoem-me a franqueza, mas estou cansado da mesma ladainha como a que se ouviu no lançamento de outras novelas como a “Salve Jorge”. Porém agora, com uma agravante. O título da novela é “Babilônia”. Como um cristão poderia dar audiência a um folhetim cujo nome nos remetesse às pragas do Apocalipse? Deixar de assistir a uma novela por se chamar "Babilônia" seria equivalente a deixar de tomar um ônibus porque seu número é 666. 

Para piorar a situação, logo no primeiro capítulo, duas atrizes consagradas se beijam. Talvez se fossem duas mocinhas alguns marmanjos não se incomodassem tanto. Deixariam passar batido. Mas duas anciãs? Que pouca vergonha é essa? Não assisti à tal cena devido ao horário em que cheguei à casa. Mas deu tempo de pegar o finalzinho do primeiro capítulo, quando uma das protagonistas assassina friamente o motorista de seu marido com quem teria se envolvido sexualmente. Ninguém se queixou disso. Tirar a vida do outro para encobrir seu erro já não embrulha estômago de ninguém. Mas duas velhinhas se beijando... isso é nojento! Também não vi comentários sobre as cenas finais da última novela (Império) em que o pai é assassinado pelo próprio filho. Ninguém deu tremelique, nem protestou. 

Quão hipócritas somos! Acostumamo-nos com certas cenas violentas, porém outras ainda mexem com nossos escrúpulos e expõem as entranhas de nossos preconceitos. “Isso é pecado!”, esbravejam alguns. Mas tirar a vida de alguém também não o é?

Quando se trata de dois rapazes, o receio é que isso acabe influenciando os jovens a se envolverem sexualmente com pessoas do mesmo gênero. Há pastores cujo temor é que um de seus filhos descambe para o homossexualismo. Que baita escândalo isso não provocaria em seu ministério! A preocupação maior é com a repercussão do que propriamente com o bem-estar do filho. É claro que não estou generalizando, mas esta a conclusão a que cheguei depois de conversar com alguns. Já ouvi alguns dizerem que prefeririam ter filhos bandidos a ter filhos gays. Mas em se tratando de duas anciãs, o que isso poderia provocar? Já pensou se a moda pega e as irmãzinhas do coral resolvem virar a casaca? rs

Ora, se o que a novela apresenta nos ofende, basta trocar de canal. Só espero que adotemos os mesmos critérios para os enlatados made in USA. A gente abomina a teledramaturgia nacional, mas consome vorazmente tudo o que o cinema e os canais por assinatura oferecem. Ainda não vi ninguém se levantar no meio de um filme e deixar a sala de exibição ofendido com as imagens. No cinema, tudo entra na conta da licença poética. É como se o escurinho do cinema nos cobrisse com um manto que nos permitisse deixar do lado de fora os escrúpulos. Mas a TV, via de regra, está no centro de nossa sala de estar, lugar de passagem de toda a família. Neste ambiente, um discurso moralista cai bem e preserva nossa imagem. Santa hipocrisia,Batman!

Assisto a qualquer filme ou novela com o mesmo olhar: o de alguém que busca entender os conflitos humanos. Para mim, o que importa não é se haverá ou não nudez ou cenas de sexo ou beijos homossexuais, e sim se há uma trama bem construída que exija de mim uma atenção redobrada e o uso de mais de dois neurônios.

É de Paulo a recomendação para que vejamos de tudo, mas retenhamos somente o que for bom. Talvez alguém argumente que não há absolutamente nada de bom num folhetim de TV. Tudo vai depender do nosso olhar. Como me interesso pelo ser humano e suas idiossincrasias, sempre encontrarei algo bom, até em filme de terror.

Parte do problema é que as pessoas não conseguem distinguir entre narrativa e apologia. Um filme ou novela que tem que lançar mão de cenas gratuitas de nudez, violência ou sexo para alavancar a audiência não é capaz de despertar meu interesse. Prezo pelo conteúdo, pela construção, pelo argumento. Se enriquece a trama, tudo bem, não me incomodo. O importante é suscitar o tema, provocar debate, nos fazer pensar. 

Alguns, mais afoitos, chegam a propor o boicote da emissora por seu conteúdo supostamente imoral. Sinceramente, considero que o pior veneno que a tal emissora destila em nossos lares não é através de suas novelas, mas de seus telejornais. Não faz sentido trocar de canal durante a exibição de Babilônia depois de dar crédito a tudo o que assistiu no Jornal Nacional. Prefiro ter meus escrúpulos ofendidos a ter minha inteligência subestimada.

Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes