sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

E se sua vida virasse filme?


Por Hermes C. Fernandes

Devo confessar: Sou um cinéfilo. A sétima arte me fascina. Enquanto assisto a um bom filme, sinto-me como se deixasse o cronos, e adentrasse uma esfera atemporal. Aprendi a admirar um bom filme pela fotografia, pela direção, pela atuação dos seus protagonistas, pelos efeitos especiais, pela trilha sonora, mas principalmente, pelo roteiro.

Sou bem eclético. Não importa qual seja o gênero do filme, desde que não seja cheio de clichês. Gosto de filmes de comédia, drama, épicos, ficção científica, mas os que mais me fascinam são os de suspense. Gosto de sentir a adrenalina que acompanha a expectativa pelo inusitado.

Quando adentro a sala de projeção, quero ser surpreendido por um roteiro inovador. Aquela velha fórmula do mocinho que aparece para salvar a mocinha não funciona pra mim. Nada é mais entediante do que um roteiro previsível. O filme pode ter uma direção impecável, com atores extraordinários, mas se for recheado de clichês, eu acabo dormindo. Nem pipoca me mantém acordado.

Lembro-me de quando assisti ao último filme do Batman, e saí da sala comentando com meu filho: Isso é que é filme! Quase que em cada tomada havia uma surpresa. Nada acontecia como previsto. Foi de perder o fôlego! Destaque para a atuação impagável de Heath Ledger como o Coringa, que rendeu-lhe um Oscar póstumo. Pode-se até dizer que neste filme, Batman foi o coadjuvante.

O ser humano tem uma fixação por surpresas. Parece que fomos feitos já com esta expectativa vinda de fábrica. Estávamos bem aconchegados e protegidos no ventre de nossa mãe, e de repente... surpresa! O nascimento foi a nossa estreia. A partir daí, nossos olhos passaram a ficar sempre atentos em busca de novas surpresas.

Uma vida desprovida de surpresas acaba por gerar um tédio insuportável. Se as surpresas não nos vêm naturalmente, procuramos por elas. Queremos aventura. Queremos ser surpreendidos. Antes o stress provocado pela expectativa do inusitado, do que o tédio da monotonia.

Recuso-me a acreditar que o roteiro escrito por Deus para a minha vida seja cheio de clichês, de lugar-comum. Quero ter o que contar aos meus netos. Quero dar trabalho ao meu biógrafo. Quero fazer valer a pena. Então, que venham as surpresas!

Se for para rir, quero rir até chorar. Se for para chorar, quero chorar até rir de minha própria emotividade. Se busco por ação, anseio pela adrenalina que ela me causa. Se for para assustar, que faça meu coração disparar. Se for romance, que me envolva. Se for ficção, que me faça embarcar para o futuro. Se for um épico, que me faça viajar ao passado. Se quiser dar uma de spoiler, faça-me o favor de trocar de lugar. Não queira estragar a surpresa, contando-me o final.

E se minha vida um dia virar filme (quanta pretensão!), não quero ninguém dormindo no cinema.

Portanto, luz, câmera, ação!

Ed René Kivitz - Voz

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

POR QUE DEUS PERMITE AS CALAMIDADES?...



Na realidade essa é uma questão de mamíferos humanos ao "deus criador dos mamíferos humanos".

É uma questão de mamíferos humanos porque em tais questões ninguém pergunta por mortes de animais, peixes, floras, e outros entes vivos à nossa volta, aos trilhões...

Sim, é uma angustia de mamíferos humanos porque o que interessa é apenas a interrupção da ordem humana ou não...

Mas de onde vem essa ideia de que "Deus" tem que cuidar dos mamíferos humanos mais do que de qualquer outra criatura universal?

Ou por que os mamíferos humanos têm essa presunção de superioridade?

Ora, em lugar algum na Escritura se promete uma suspensão mágica da Natureza e suas leis e fenômenos se os mamíferos humanos se comportarem...

No Pentateuco há aquelas promessas decorrentes da Obediência Absoluta, que somente Jesus praticou, e que nos asseguram que vivendo daquele modo, em harmonia absoluta com tudo e todos, os males fugiriam de nós.

Porém, nenhum geração bíblica ou universal jamais teve esses história para contar...

Ao contrário, Jesus veio e disse que universalmente todos temos aflições; e que o poder para enfrentar tais realidades não decorre da suspensão do trágico, mas sim do bom ânimo com o qual se o vence.

Ora, o que eu acho é esse debate sobre o "deus-natureza"... ou sobre "o deus responsável pela natureza"... é algo tão medieval que me cansa.

É o conflito do livro "A Peste". Ou você ajuda a natureza e não combate os ratos, que são natureza; ou você luta contra Deus indo contra a natureza, e vence os ratos; posto que na mentalidade Ocidental "Deus e a Natureza" se tornaram quase extensivos..., no sentido de que a Natureza não é Deus, mas é a "deusa executiva" das cacetadas de "Deus" nos mamíferos humanos não comportados... Patético!

Ora, a gente encontra essa questão o tempo todo nas Escrituras sendo levantada por Israel.

A resposta dos profetas era: "Porque vocês deixaram a verdade e o amor".

No entanto, conte nas Escrituras quantas Calamidades Judaicas vieram da Natureza e quantas vieram dos outros mamíferos humanos punindo Israel ou apenas invadindo porque podiam...

Ou seja: quase tudo o que chamamos de calamidade vem de nós mesmos ou das nossas relações ou des-relações com outros mamíferos humanos hostis.

Quando vejo um Tsunami irrompendo sobre a Terra nunca penso em Deus, mas na força dos fenômenos criados...

Então, vejo o pessoal querendo responder por "Deus" um problema que pra Deus não é problema. Pois, assim como eu existo livre [...] a natureza também tem suas 'liberdades'... que acontecem na deflagração dos seus sistemas e mecânicas autônomas... Daí o nome ser n-a-t-u-r-e-z-a.

Ou seja: a Natureza tem vida própria, assim como nós; embora a nossa aconteça com a presunção do auto-conhecimento [mais que relativo], e a existência da Natureza aconteça na mecânica do Natural; ou seja: do que tendo sido criado tornou-se algo em-si como fenômeno...; e que acontece de modo automático uma vez que as cadeias se deflagrem fenomenologicamente falando.

O conceito da Natureza como "deusa das execuções penais de Deus" foi profundamente desenvolvido e convenientemente afirmado pelos teólogos católicos medievais. Ora, pouca é coisa é mais poderosa para controlar pessoas do que falar em nome de "Deus e da Natureza" à um tempo só; e mais: criando uma Teologia Moral de Causa e Efeito na observação da Natureza como "Vara Divina" em relação aos mamíferos humanos crentes.

Todavia, hoje [não de agora, entretanto], os "cristãos" sofrem na armadilha pseudo-teológica que eles mesmos criaram.

O que me impressiona é ver pastores, sacerdotes, pensadores, etc... -- se sentindo na obrigação de entender a "deusa executiva da ações penais do divino: a Natureza; mas não com uma abordagem Científica na observação dos fenômenos", porém, completamente animista e bruxa na sua concepção mágica...

E pior: tentam explicar... Rsrsrs!

Ora, quando uma calamidade Natural acontece minha última pergunta é sobre Deus. Todas as minhas perguntas são sobre os mamíferos humanos e suas intervenções diabólicas na Natureza.

Hoje quando vejo calamidades naturais eu olho no espelho!...

A culpa é minha!

Toda-via [...] existe o "ainda que"...

Sim, é com um 'ainda que' [...] que os salmistas profetas vencem a perplexidade.

"Ainda que os mares... os montes... os abismos... as ondas... as muitas águas"... ou qualquer fúria natural sobrevenha, se diz: "Nele eu confiarei".

Confiarei depois que acontecer tanto quanto antes de acontecer.

Na realidade eu sei que tudo pode acontecer!

A certeza de Deus em mim não é uma confiança de Seguradora. É apenas paz em mim; contra ou apesar de tudo ou qualquer coisa...

"Vós valeis mais que pardais"... -- ensinou Jesus.

Mas o que Jesus disse é no sentido de que calamidades podem acontecer a pardais, mas não com a gente?...

Não! Jesus falava de significado relacional com o Pai. Homens podem ter uma relação de consciência confiante em relação ao Pai, ao passo que os pardais têm um vínculo de natureza instintiva com o Pai. Confiança consciente é mais do que instinto de confiança que não sabe de si.

Portanto, pare de reclamar e de fazer perguntas de mamíferos humanos caprichosos!

"Deus! Por que eu?" - pergunta de Playboys religiosos.

O Evangelho não produz filhos de Deus playboys!

Seja homem!

Caio

Ed René Kivitz - Noite