quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O SIMPLES SONHO DE TODA MULHER QUE NÃO TEM VERGONHA DE SONHAR


Ser mãe em condições naturais na relacionalidade [...] é ser mãe porque o filho que se terá tem um pai, e a mulher que dá à luz, tem um marido que ame ser marido e pai.

Quando é assim toda mulher/mãe/esposa se torna naturalmente feliz!
Então, por completo e com toda felicidade, "o desejo da mulher é para o seu marido".
Isto porque fica estabelecido no encontro de tal amor a compreensão de que "assim como a mulher veio do homem, o homem nasce da mulher, para que haja interdependência".

Também quando esse espírito de satisfação do amor simples está presente, faz com que "a mulher seja preservada pela sua maternidade".

Ora, tais princípios não trabalham contra nenhum aspecto da individuação da mulher como um ser em estado de crescimento pessoal. Ao contrário, as mulheres que encontraram tal equilíbrio são as únicas realmente tranquilas quanto ao significado de ser mulher, mãe e indivíduo em crescimento grato e feliz.

No fundo da alma de toda mulher que não tem o compromisso ideológico de negar isto, ou que não está traumatizada pelo que se apresentava como tal, mas não era o que dizia ser -- sim, não sendo por traumas, o que está presente na alma feminina é ainda um tímido desejo de que a felicidade lhes pudesse chegar assim.

Ora, quando a mulher tem esse chão para existir, tudo o mais é possível e passável. Sim, até quando dos nossos filhos se diz: "Também por causa deste menino uma espada traspassará o teu coração".

Muitas mulheres apenas perderam a coragem de sonhar assim!

Com todo carinho pelas mulheres e mães que sobrevivem a esta geração de desprezo pela felicidade simples,

Caio

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Reconhece Alguém?




























A semente da subversão


Por Hermes C. Fernandes

Como não se surpreender com Jesus? Até a maneira como Ele revela o modus operandi do Seu reino nos causa admiração. Pena que quase dois mil anos depois, os que se identificam como Seus discípulos parecem não terem entendido a natureza do reino de Deus.

De um lado, estão os que acreditam que o reino é um evento futuro, que teve que ser adiado quando os patrícios de Jesus recusaram Sua oferta. Do outro lado, estão os que creem que o reino deva se estabelecido na história através de mecanismos legais. Estes são, geralmente, chamados de teonomistas. Acreditam que por força da lei, o pecado será restringido e a justiça do reino será estabelecida na terra. Bastaria que o decálogo fosse a base da constituição de todas as nações e, pronto, o mundo seria transformado. Como esperar que homens inconversos produzam leis justas? Ou ainda: como esperar que leis justas convertam homens maus? A restauração do mundo deve começar pelo ambiente do coração humano, onde Deus prometeu gravar as Suas leis (Hb.8:10).

Entre um grupo e outro, estão os que perceberam o caráter subversivo do reino de Deus.  Ele não vem por meios legais, mas, em certo sentido, por meios considerados marginais.  Ele não virá de maneira espalhafatosa como fantasiam alguns, como no filme Independence Day de Spielberg. Tampouco se manifestará através de canetadas nos palácios de governo. Mas de maneira sorrateira, discreta, quase imperceptível, ele vai se infiltrando no tecido social, transformando mentes e corações, levando cativos todos os pensamentos à obediência de Cristo. 

Paulo seguiu à risca esta cartilha. Jamais o veremos promovendo o boicote de instituições contrárias à justiça do reino de Deus. Mesmo vivendo numa sociedade escravagista, poligâmica, onde a pedofilia era incentivada pelo Estado, nem ele ou algum outro apóstolo foi para as ruas em protesto contra tais práticas. Todavia, em cada epístola, Paulo deixou cair sementes que eventualmente eclodiriam. Ao dizer que em Cristo não há mais macho ou fêmea, escravo ou livre, grego ou judeu, o apóstolo enterrava minas no terreno, que em algum momento explodiriam e derrubariam as fortalezas da discriminação e do preconceito. Demorou séculos até que uma dessas minas explodiu e fez ruir o regime escravocrata no mundo. Mais tarde, outra dessas minas explodiria fazendo com que a mulher conquistasse seu espaço no mercado de trabalho, bem como seu direito a voto. Creio que ainda haja minas que a qualquer momento explodirão e que nos farão lembrar que não é por força, nem por violência, mas exclusivamente pela ação do Espírito Santo (Zc.4:6), convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8).

As parábolas de Jesus tinham como objetivo explicar os mecanismos subversivos usados na instalação do reino de Deus entre os homens. Uma das mais significantes é conhecida como a parábola do semeador. Prefiro chamá-la de “a parábola do semeador pródigo”.

O semeador em questão é ninguém menos que o próprio Cristo. Porém, considerando o fato de sermos o Seu Corpo Místico, podemos identificá-lo igualmente com cada cristão infiltrado nas engrenagens deste mundo.

Nosso principal papel não é alardear, mas apenas semear. Nada mais subversivo que isso. Sementes não chamam a atenção para si. Porém, têm um potencial infinito. Cada semente poderá produzir novas plantas que por sua vez produzirão inúmeros frutos, que por sua vez produzirão ainda mais sementes e o ciclo se retroalimentaráad infinitum. Pode-se contar quantas sementes há num fruto, mas não se pode contar quantos frutos produzirá uma única semente.

Cada agente do reino é um semeador de sonhos. Por onde ele passa, sempre fica um rastro de sementes que parecem ter caído acidentalmente, mas que, no fundo, foram deixadas propositadamente.

Jesus diz que “uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves, e comeram-na”(Mt.13:4). Na explicação particular que dá aos discípulos, “o que foi semeado à beira do caminho” é aquele que ouvindo “a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração” (v.19).

É, no mínimo, curioso que Jesus tenha começado Sua exposição falando sobre os que vivem à beira do caminho. Estes são os excluídos e marginalizados pela sociedade. São os que comem das migalhas que caem da mesa dos poderosos. Quem os colocou nesta condição? Quem os empurrou para a margem? Ainda que esta parte da semente não tenha resultado em colheita, não foi em vão que Jesus a destinou justamente aos da beira do caminho. E se a semente não vingou, não foi por culpa deles. Foi o maligno que arrebatou o que fora semeado em seu coração. O fato de viverem à margem, tornou-os vulneráveis à atuação dessas aves de rapina. Porém, para toda regra há exceções. O mendigo Bartimeu é uma delas. Embora cego, viu o que muitos não conseguiram ver e não hesitou em clamar pelo Filho de Davi, e ao ser atendido, recobrou a visão. Qual seria o instrumento de que o maligno se valeria para devorar as sementes lançadas no coração dos que estão à beira do caminho? Estou cada vez mais convencido de que seja todo tipo de preconceito, semelhante ao que levou os discípulos a pedirem que Bartimeu se calasse, alegando que estaria incomodando o Mestre. É lamentável notar que os próprios cristãos têm se prestado a este papel, entrincheirando-se contra alguns segmentos em nome da moral e dos bons costumes. Se esquecem de que quem precisa de médico não são os sãos. A ordem de Jesus aos Seus discípulos foi "tragam-no a mim!" Portanto, devemos tirá-los das margens e trazê-los para o nosso meio, onde receberão amor, carinho, respeito, e terão seus clamores atendidos por Jesus. 

Como aquele semeador, devemos ser pródigos com as sementes que nos foram confiadas. Não há qualquer razão para economizar. Sempre haverá quem se beneficie delas, principalmente entre os considerados párias da sociedade. Todavia, enquanto semeamos, trabalhemos para removê-las da indigência. Partilhemos com elas o nosso pão. Promovamos ações que melhorem suas condições de vida. Eduquemos seus filhos. Acolhamos os desterrados. Defendamos os direitos das minorias. Se lograrmos removê-las da beira do caminho, provavelmente haverá maior chance da semente vingar.

Na sequência da parábola, Jesus diz que “outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz” (vv.5-6). Na explicação subsequente, Jesus diz que “o que foi semeado em terreno pedregoso é o que ouve a palavra, e a recebe imediatamente, com alegria. Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração. Chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo a abandona” (vv.20-21).

Eis a razão porque cresce assustadoramente o número de desigrejados. O coração de muitos tem estado endurecido, de modo que a semente, ainda que germine, não consegue lançar raízes. O solo não tem profundidade. O que estaria por trás deste estado de petrificação dos corações? Talvez, parte do problema se deva à decepção que muitos têm tido com a igreja. Foi-se o tempo em que o solo dos corações era virgem, por isso, sempre receptivo à Palavra. Mas hoje, dificilmente encontramos alguém que já não tenha tido alguma experiência com a igreja. O solo foi tão explorado que se tornou infértil e duro. Não basta, portanto, lançar a semente. O solo precisa ser revirado, afofado, irrigado e fertilizado, para que a semente encontre o ambiente propício para germinar. Alguns necessitam passar por uma desintoxicação eclesiástica para voltarem a acreditar. Se a semente não se aprofundar no solo, ficará exposta ao sol e fatalmente secará. Apesar disso, ela não perde sua validade. Li, recentemente, que cientistas teriam semeado uma semente com seiscentos anos, e ela, surpreendentemente eclodiu.

Compreendo perfeitamente o drama dos desigrejados. Porém, devo salientar a necessidade que todos temos de congregar, de criar raízes, de construir relacionamentos fortes, de nos alimentar espiritualmente. Se o próprio Deus não desistiu da igreja, por que nós desistiríamos? Não me refiro à instituição, mas à comunhão dos santos. Não deixe que a alegria semeada em seu coração seja suplantada pela decepção com os homens.

A terceira parte das sementes “caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na” (v.7).  Segundo Jesus, “o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas as preocupações deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera” (v.22).

Pergunto: quem andou semeando espinhos por aí? Estes espinhos não podem ter surgido do nada. Estou convencido de que em nossos dias, ninguém tem cultivado tantos espinhos no coração das pessoas do que os adeptos da teologia da prosperidade. Cobiça, inveja, avareza, são algumas das manifestações destes cardos que sufocam a boa semente do reino de Deus. Infelizmente, há uma enorme clientela para este engodo que se faz passar por evangelho. Esquece-se que a marca registrada de um discípulo de Jesus não é a prosperidade, mas a generosidade. A proposta do reino nada tem a ver com concentração de riquezas, e sim com a sua justa distribuição. Urge, portanto, denunciar e remover tais espinhos para que semente seja arejada e frutifique.

A última parte das sementes “caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta” (v8). Este “é o que ouve a palavra e a compreende” (v.23). Sem que a palavra seja devidamente compreendida, por melhor que seja a qualidade da semente, não vingará. Há, aqui, um sinergismo que não podemos ignorar. Semente boa em solo ruim não pode resultar em colheita. Semente ruim em solo bom, idem.  Mas semente boa em solo bom produz além das expectativas.


Nosso papel, portanto, é de revirar o solo, adubá-lo, irrigá-lo, remover os espinhos, e garantir que a semente não se perca. 

Ed René Kivitz - Graça

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Coisas e lugares belos!











OS PERDIDOS QUE SABEM OU QUASE SABEM...


Nas parábolas de Lucas 15 e 16 Jesus descreveu em cada uma delas muitos ângulos diferentes da condição humana em sua perdição, tanto quanto também expressou o modo redentivo do Pai agir em relação á alienação humana em cada um desses casos.

Inicialmente temos a Ovelha Perdida. É o ser humano que se atabalhoou no caminho e perdeu a direção, o sentido da vida; ou seja: o caminho do Pastor. Nesse caso, não se trata de rebeldia, mas de distração e tolice; o que frequentemente faz com que homens/ovelhas venham a alienar-se da vereda, do passo, do sentido do Evangelho, da obediência a Jesus; e, também, do vínculo fraterno/humano tão útil a manter-nos andando [...] tendo uns aos outros como admoestadores na caminhada. Trata-se, portanto, da distração que gera o desgarrar fraterno e a comunhão; e isso por razões diversas, muitas delas vinculadas à perda do foco em razão de relacionamentos sem vínculo com a fraternidade da fé; ou, também, pelo envolvimento excessivo com companhias que nos fazem abandonar o interesse pela Palavra e pela comunhão humana em torno da Palavra da fé.

Então, temos a Dracma Perdida. Em tal caso, na maioria das vezes, tem-se a alma humana que se perde em estado de alienação de si mesma, inconscientemente; posto que a dracma, pela sua própria natureza, tenha se “perdido dentro da casa”; e isto por não se conhecer, por não saber de si mesma... É o caso dos que têm grande valor pessoal, mas que desconhecem o significado de sua própria existência; os quais acabam ficando jogados dentro do ambiente familiar da fé, mas sem que se saiba de seu estado de perdição pessoal; e, semelhantemente à inconsciência da “dracma”, tal pessoa não se sabe perdida, posto que não reflita sobre seu próprio estado em razão da inconsciência espiritual. Em geral isto acontece muito com “crentes e seus filhos”; ou seja: com os que se habituaram à “religião como casa”; os quais, depois de um tempo, desaparecem em seu significado espiritual diante de Deus pela impressão de “pertencimento” ao ambiente da “casa”.

Tem-se, então, o Filho Pródigo. Ora, esse tal é aquele que se rebelou contra o amor do Pai, e julgou na sua adolescência espiritual que viver com o Pai é equivalente a “limites e castrações”. Trata-se daquele que se vai por deliberação, que se aliena com a sensação de esperteza, que se distancia a fim de “viver sua liberdade” como expressão de libertinagem contra o amor santo.

Depois aparece o Irmão Mais Velho. Sim, aquele perdido que pensa que está dentro da vontade de Deus pelos seus atos de obediência forçada e legalista, mas que nunca teve vida ou intimidade com o Pai; sendo ele próprio apenas um pecador que habita as proximidades [...], embora sua alma invejosa viaje longe do coração de Deus; ainda que, ele mesmo, jamais tenha a coragem de estabelecer o que habita seu coração como decisão de comportamento. Assim, torna-se magoado, judicioso e extremamente perdido do amor do Pai, especialmente pela sua raiva dos pecadores “sinceros na sua rebelião assumida”.

Por último, tem-se aquele que se dedica aos negócios do reino, mas que é Um Administrador Infiel. Estes equivalem aos pastores, sacerdotes e agentes supostamente explícitos do reino, mas que perderam a fidelidade, e, assim, tornaram-se ladrões e enganadores, fazendo do reino um “negócio” pessoal; e, portanto, explorando o povo e defraudando o Evangelho. Sim; são os pecadores malandros; os quais esquecem que haverá o dia do acerto de contas; embora, eles mesmos, pelo vício administrativo e mistrativo [...] pensem estarem para além do perigo, julgando que exista uma dependência de Deus em relação a eles [...] — portanto, criando tal engano em suas mentes uma espécie de permissão para o ágio, para o adicional de gestão, para a exploração como “direito”; até que chega dia...

Para cada um desses “perdidos” o tratamento de Deus é diferente.

A Ovelha Perdida é “procurada”, pois, perdeu-se pela tolice e pela imaturidade.

A Dracma Perdida precisa ser buscada, posto que não tenha autodeterminação para achar-se.

O Filho Pródigo tem que arrebentar-se antes de tudo [...]; pois, sem que sofra a falência, jamaiscairá em si e voltará; e mais: ele tem que voltar boa parte do caminho sozinho.

O Irmão Mais Velho poderá ser salvo pelo ciúme da Graça; sim, esta será a sua melhor chance; isso se ele aceitar seu estado de perdição [...] embora enganado pela falsa ideia da salvação como profissão e gestão espiritual, moral e legal. Do contrário, morrerá na casa do Pai sem conhecer a Sua Graça jamais.

O Administrador Infiel somente é salvo pela vergonha e pela possibilidade da revelação pública de seu estado de falsidade e infidelidade. São aqueles que somente são salvos pelo escândalo de suas vidas.

Concluo perguntando:
Quem é você em relação aos arquétipos acima mencionados?

A Ovelha Perdida se afastou alienadamente do caminho e o Filho Pródigo deliberou tal ato em estado de revolta.

Os demais [...], a Dracma, o Pródigo, o Irmão Mais Velho e o Administrador Infiel [...], não foram para “longe” de nada; perderam-se dentro da casa; sim, perderam-se sem expressão notória de seus estados de alienação.

É sutil assim o caminho da perdição de quem se julga “pertencendo”!

A Ovelha tinha Pastor...

A Dracma tinha uma dona que a ela atribuía grande valor [...], mas a Dracma existia em estado de inconsciência no ambiente de sua proprietária...

O Pródigo sabia que tinha um Pai bom...

O Mais Velho tinha Pai, mas vivia como um órfão amargurado...

O Administrador Infiel nunca fora a lugar algum, mas jamais se entregará fielmente a nada...

Assim, vemos que tolice/ingênua, alienação, rebeldia, raiva invejosa, malandragem e perspectiva de controle — habitam os casos clássicos de perdição da alma no ambiente do convívio com a Palavra e com o Santo.

Olhe para você mesmo e pergunte-se:
Quem sou eu?


Nele, que deseja dar festas de amor pelo nosso encontro, ou pelo nosso regresso, ou pela nossa esperteza de buscar graça na nossa vergonha flagrada,


Caio

Ed René Kivitz - Integral