segunda-feira, 7 de abril de 2014

Reconhecendo a silhueta divina em meio à calamidade


Por Hermes C. Fernandes

Sabe quando a gente tem a impressão de ter agido precipitadamente, mas logo em seguida, somos tomados pela certeza de que agimos sob a direção divina? Já se sentiu assim antes? Pois os discípulos de Jesus passaram por um episódio em que se sentiram exatamente assim. Eles haviam acabado de presenciar um dos maiores milagres realizados por Cristo. Cinco mil homens, além de mulheres e crianças, foram alimentados com míseros cinco pães e dois peixinhos. Eles ainda estavam processando o significado do que tinham assistido.

Jesus, por Sua vez, parecia distraído com a multidão. Mateus conta que “ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão” (Mt.14:22). Aquela ordem não parecia razoável. Deixá-lO ali? E como os alcançaria depois? Não seria melhor esperá-lO um pouco mais?

Ordem é pra ser obedecida, não questionada. Por isso, lá se foram eles sem dizer uma palavra. O que Ele teria em mente? Talvez tomasse carona em outro barco para os encontrar. Tão logo acabou de despedir-se do povo, em vez de sair imediatamente ao encontro dos discípulos, Jesus foi para o monte orar. O fato é que Jesus precisava ficar a sós com o Pai.

Marcos relata que “sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e ele sozinho em terra” (Mc.6:47). Mesmo tão distante geograficamente, Jesus não os perdeu de vista por um só instante.

“Vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da oite aproximou-se deles, andando por sobre o mar”(Mc.6:48a).

Ora, se eles estavam lá por uma ordem expressa de seu Mestre, por que o vento lhes era contrário? Posso imaginar uma discussão entre os discípulos:

- Eu não disse que deveríamos esperar por Ele?
- Mas foi Ele quem nos enviou?
- Que nada! Ele estava nos testando. Deveríamos ter ficado com Ele.
- É… acho que nos precipitamos.
- Vamos parar com este papo, e continuar a remar…

De fato, não houve qualquer precipitação. Eles estavam ali no meio daquele mar revolto por determinação de seu Senhor. E embora eles O tivessem perdido de vista, distraídos com os ventos contrários, Jesus não os perdera. E a prova disso é que veio correndo para socorrê-los.

Os pés que em breve seriam vazados pelos cravos, marchavam sem serem submergidos pelas águas. Os pés que seriam suspensos no madeiro, agora driblavam a lei da gravidade, suspensos sobre as águas pelo poder do amor.

Sua caminhada por sobre o mar não era uma demonstração performática de poder, mas evidência de Sua pressa em alcançá-los. Marcos diz que Jesus “queria passar à frente deles” (v.48b).

Convém destacar que Jesus caminhou em meio ao mar revolto. A calmaria só veio depois que Ele entrou no barco. Quando os discípulos viram aquela silhueta se insinuando no meio do nevoeiro, começaram a gritar apavorados, achando que era um fantasma.

- Só faltava essa! Como se não bastasse o vento contrário, agora nos aparece esta assombração! E cadê Jesus? Por que nos abandonou?

Se isso acontecesse em nossos dias, em terras tupininquins, alguns diriam que era Iemanjá…rs

Vendo-os desesperados, Jesus bradou: “Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt.14:27). Pedro, gato escaldado, preferiu tirar a prova dos nove: “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por sobre as águas” (v.28).

Jesus deve ter sorrido nessa hora. Uma sugestão dessas só poderia vir de Pedro, o sanguíneo. Em momento algum Jesus o censurou por isso. Às vezes precisamos de sinais que nos evidenciem que a silhueta que se insinua diante de nós seja realmente de Jesus, e não de alguma assombração ou projeção de nosso inconsciente.

Às vezes enxergamos o que queremos enxergar. Outras vezes enxergamos o que preferíamos evitar. Somos assombrados por temores incontroláveis e assediados por desejos inconfessáveis. Antes de deixar nossa zona de conforto para nos aventurar em direção àquilo que nos atrai, convém buscar uma confirmação de que aquilo provém do Senhor.

Jesus não discursou. Não era momento para um sermão. Ele apenas deu voz de comando: VEM!

Sem titubear, Pedro “descendo do barco, andou por sobre as águas para ir ter com Jesus” (Mt.14:29).
Repare no detalhe: Ele andou por sobre as águas para encontrar Jesus. O problema é que muitas vezes queremos “andar sobre as águas” apenas pela sensação que isso poderia nos proporcioar, ou mesmo, pela repercussão que isso causaria. Perdemos o foco. Fazemos do meio um fim em si mesmo.

Enquanto os outros discípulos pasmavam e talvez questiovam o atrevimento do colega, Pedro pisava nas águas como quem se sustenta sobre o chão firme. Tudo ía bem até que Pedro se deixou distrair pelo vento que permanecia forte e contrário. As ondas do medo invadiram seu coração e logo, começou a afundar. Desesperado, Pedro começou a gritar:“Salva-me, Senhor!”

Sem cerimônia, Jesus Se aproximou, estendeu a mão e o socorreu, dizendo:”Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (v.31). Jesus não estava censurando por lhe haver pedido uma prova de que era Jesus quem se aproximava do barco. Jesus o repreendera por haver se distraído com a fúria do vento. Este é o tipo de dúvida que aborrece a Deus. A dúvida gerada pela distração.

Quando ambos entraram no barco, o vento cessou (v.32). O que indica que aquela tempestade servia como cenário para que os discípulos aprendessem uma importante lição: Reconhecer Jesus em meio da adversidade.

Atender a uma ordem divina nos garante que seremos imunes aos ventos contrários da vida. Mas nos garante que Jesus jamais nos perderá de vista, e quanto estivermos cansados de remar contra o mar, Ele virá em nosso socorro.

A CALAMIDADE DA TERRA DESCATASTROFIZA


Os homens desmaiarão pelo bramido do mar e das ondas; ou seja, pela desordem das águas.

Mas esta Terra não está mais reservada para as águas, mas sim para o fogo.

Por isso, mesmo assim e, sobretudo, me preocupo com tudo aquilo que Jesus disse que seria um sinal da calamidade humana que provocará a intervenção dos céus na Terra.

E por quê?

Ora, é que conquanto eu queira que o Senhor venha [Maranata!], sou estimulado pelo Senhor a lutar contra as profecias de Sua Vinda, exceto quanto à “pregar o Evangelho do reino a todas as nações até que venha o fim”.

Entretanto, não devo fanaticamente tentar ajudar a cumprir as profecias; seja pelo descaso de quem vê a não faz nada; seja pelo fanatismo que se veste “do braço de Deus” e vai fazer “Cruzada ou Jirad” em nome do Altíssimo.

Mas comecei a escrever isto porque começou a chover aqui em Brasília, o que muito me alegra.

Sim! Porque honestamente eu nunca pensei, até há uns 20 anos atrás, que eu iria viver para celebrar cada chuvinha que caísse neste planeta, mesmo em situações catastróficas.

Sim! Porque chegará a hora que água caindo do céu será sempre tão bem-vinda, que mesmo os males que eventualmente cause serão vistos como menores do que a catastrófe de qualquer dilúvio.

O que não se suportará será o frio queimante de certos lugares e os calores infernais de outros, os quais serão capazes de assar os pulmões humanos e dos animais, secar as plantas e matar os peixes, em muitos lugares da Terra, incluindo a Amazônia; e também esta área desértica do Planalto central, falando agora apenas do Brasil.

Mas o fim não será logo!

Agradeçamos as chuvas... E até pelos tsunamis. Pois chegará a hora em que o sistema de controle humano de Babilônia será tão onipresente, que nossa maior angustia será a total falta de liberdade, de privacidade e de autodeterminação, pois a Lei do Politicamente Correto será a Lei do Anti-Cristo, da Grande Babilônia, da Meretriz que contra tudo, pois sendo também a Besta na sua forma sistêmica, tem sede em dominar, sobretudo almas humanas.

Pode chover, chuva abençoada!

Eu aqui olho pra você e agradeço porque toda água dos céus será sempre vista, daqui para frente, como sinal de bondade, pois os homens interromperam as Estações e os ciclos naturais até da Terra, e, agora, até os açoites das tempestades terão que ser por nós vistos como ainda uma disciplina de amor.

Dias virão em que se dirá: “Chove sobre nós!” Mas os céus somente trarão gelo, saraivada de pedras de gelo, ou, então, o inferno de um ar seco que queimará os nossos pulmões e nos fará ter dores de quem tem o peito numa assadeira.  

Obrigado pela chuva Senhor!
  
Caio

sábado, 5 de abril de 2014

Podemos impor valores cristãos à sociedade?


Por Hermes C. Fernandes

Ultimamente, a Igreja cristã tem procurado resgatar sua relevância na sociedade, manifestando-se contra algumas tendências e comportamentos. Manifestos contrários à Lei de Homofobia, ao aborto, à pesquisa com célula-tronco extraída de embriões humanos e outros. Não questionamos a motivação que tem levado a Igreja a posicionar-se perante a sociedade com relação a esses assuntos. Contudo, cremos que devemos avaliar a eficácia de tais manifestos.

Antes de buscarmos respostas nas Escrituras Sagradas, devo expor minha insatisfação ao perceber que a Igreja cristã contemporânea parece tão preocupada com questões de cunho moral, ao passo que deixa de dar a devida importância a questões relacionadas à justiça social, tais como, a má distribuição de renda, a reforma agrária, a política econômica, os juros altos, etc.

Cremos piamente que a Igreja faz bem em envolver-se com qualquer questão que diga respeito ao ser humano. Não podemos ser um povo alienado, indiferente aos problemas deste mundo. Temos o dever cristão de participar, arregaçar as mangas e trabalhar por um mundo mais justo, e, conseqüentemente, mais seguro e próspero.

Como devemos posicionar-nos quanto a temas importantes como esses?

Quando a Igreja Primitiva dava seus primeiros passos, uma das instituições mais antigas e perversas da sociedade estava em pleno vigor. Trata-se daescravidão. Como os crentes deveriam reagir diante da injustiça da escravidão? Não vemos os apóstolos promovendo manifestos públicos para denunciar a escravidão, nem mesmo comparecendo perante as autoridades para reivindicar o seu fim.

Todas as sociedades da época eram constituídas de classes, das quais os escravos eram a base. Se a escravidão fosse abolida repentinamente, o mundo ruiria.

Mesmo sabendo que tal instituição era contrária à justiça do Reino, os cristãos preferiram conviver com ela por algum tempo, até que ela se definhasse por completo, através da proclamação do Evangelho do Reino. À medida que a mensagem libertária de Cristo era pregada, e a sociedade obtinha a consciência de que todos os homens eram iguais, a escravidão ia perdendo sua força.

A carta de Paulo a Filemom nos revela a maneira como o maior evangelista da época tratou deste assunto. Filemom era um novo convertido, que devido à sua privilegiada situação econômica, possuía escravos. Paulo não começa sua epístola criticando-o por isso. Pelo contrário, ele dá testemunho de que o que ouvira falar de Filemom, revelava um homem íntegro, cheio de “amor e fé” para com Cristo e todos os santos (v.5). De maneira discreta, o apóstolo revela sua preocupação através de uma oração:

“Oro para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em nós há para com Cristo” (v.6).

Como podemos comunicar a nossa fé de maneira eficaz? Como podemos tornar conhecido todo o bem de que Cristo nos tem feito participantes? Eis a questão principal dessa epístola! E eis a questão sobre a qual quero me debruçar neste artigo. Não basta comunicar nossa fé através de um conjunto de doutrinas. É necessário comunicar a nós mesmos. E para que isso seja possível, devemos amar àqueles com quem desejamos compartilhar os valores do Reino de Deus. O mesmo apóstolo escreve aos Tessalonicenses:

“Antes fomos brandos entre vós, como a mãe que acaricia seus próprios filhos. Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque nos éreis muito queridos” (1 Ts.2:7-8).

Ninguém vai conquistar corações descrentes tentando impor suas crenças e valores. Temos que conquistar seus corações, antes de tentarmos conquistar suas mentes. Temos que expor nosso amor, antes de propor nossos valores.

Ora, embora Paulo estivesse tratando com um fiel, e não com um descrente, ele preferiu dirigir-se primeiro ao coração de Filemom.

“Pelo que, ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, prefiro, todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, também agora, prisioneiro de Cristo Jesus” (vv.8-9).

Se com um fiel deve-se falar desta maneira, imagina com descrentes!

Hoje em dia, muitos pastores, além de quererem dominar o rebanho de Deus, querem também impor sua autoridade ao mundo. Bem fariam se dessem ouvidos ao velho Pedro: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe.5:2-3).

Impetuosidade não nos leva a lugar algum. Tanto Paulo, quanto Pedro, chegaram a esta conclusão depois de velhos. Em vez de simplesmente “mandar”, “ordenar”, Paulo preferiu “solicitar em nome do amor”.

As pessoas só deixarão determinadas práticas, quando tiverem suas consciências iluminadas pelo amor. Quem pensa, por exemplo, que proibindo o aborto vai coibir o avanço desta prática nefasta, está equivocado. As clínicas clandestinas agradecem qualquer tentativa de impedir que o aborto seja regularizado no País.

A carta de Paulo não tinha a pretensão de condenar a instituição da escravidão. Pelo menos, não diretamente. Seu objetivo era interceder por um escravo em especial, Onésimo.

“Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei em minhas prisões. Outrora ele te foi inútil; mas agora a ti e a mim muito útil. Mando-o de volta a ti, a ele que é o meu coração” (vv.10-12).

Onésimo era escravo de Filemom. Por algum motivo que não é revelado, Onésimo foi preso. Talvez tenha desfalcado seu senhor, ou cometido algum outro crime. Na prisão, conheceu o apóstolo, e acabou se convertendo a Cristo. Após cumprir pena, Onésimo voltaria às ruas. Mas pra onde iria? Um escravo não tinha alternativa, senão a casa de seu amo. Ele trazia marcas em seu corpo que o identificava como escravo, e por isso, estava fadado a ser reconhecido como tal pelo resto de sua vida. Ninguém se atreveria lhe abrir as portas. Na casa de seu amo, ele teria trabalho, comida e moradia. Seu dilema agora era saber se seu amo o receberia de volta. Caso não o recebesse, sua única opção seria a mendicância.

Era assim que a sociedade da época era estruturada. Isso não mudaria de uma hora pra outra. Quando o Brasil, pressionado pela coroa inglesa, promoveu a abolição da escravatura, os escravos alforriados não tiveram pra onde ir, e foi isso que deu origem aos bolsões de miséria, hoje conhecidos como favelas, nas encostas dos morros das grandes cidades.

Imagine como a igreja cristã deveria se portar diante de uma questão social como a poligamia. Em alguns países, a poligamia não apenas é aturada, mas também estimulada. Países onde o número de mulheres é muito maior do que de homens, devido às constantes guerras. Sem a possibilidade da poligamia, muitas mulheres morreriam de fome, pois em algumas dessas sociedades, elas sequer podem trabalhar pela sobrevivência. Não bastaria a igreja se manifestar contrária a este modelo familiar. Se os maridos resolvessem liberar suas várias esposas, pra onde elas iriam? E se os pais não as recebessem de volta? É claro que tanto a escravidão, quanto a poligamia são práticas condenadas pelas Escrituras. Mas isso não nos dá o direito de simplesmente impor nossos valores de maneira inconseqüente e irresponsável.

Antes de enviar Onésimo de volta ao seu amo, Paulo apela à sensibilidade de Filemom. “Eu bem quisera conservá-lo comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho. Mas nada quis fazer sem o teu consentimento, para que o teu benefício não fosse como que por força, mas voluntário” (vv.13-14).

Pelo jeito, nosso amigo Onésimo deu um grande prejuízo a Filemom. Paulo queria que ele fosse recebido de volta, mas com o valor que lhe era conferido pelo Evangelho. Então, o que fez Paulo? O valorizou. Mostrou ao seu antigo senhor o quão útil Onésimo lhe seria, caso o mantivesse consigo.

Se quisermos revelar ao mundo o valor que tem o casamento, não precisamos sair por aí condenando os adúlteros, mas valorizar nossos cônjuges aos olhos de todos. Feridas não precisam ser ainda mais abertas, mas devidamente tratadas.

“Bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, não já como escravo, antes, mais do que escravo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor” (vv.15-16).

Paulo intentava convencer Filemom que receber Onésimo na condição de irmão representaria lucro em vez de prejuízo. Precisamos convencer o mundo que o casamento não é uma instituição falida, e que é melhor ter uma esposa do que uma amante. Temos que mostrar ao mundo o prejuízo que é fazer as coisas de maneira inversa àquilo que Deus planejou. As pessoas devem ser convencidas de que vale a pena fazer as coisas do jeito certo.

Um filho é melhor do que um aborto. Um casamento é melhor do que uma aventura amorosa. É melhor a justiça com segurança e paz, do que a corrupção acompanhada de pavor e violência.
Finalmente, Paulo dá o retoque final ao seu argumento em nome do amor:

“Portanto, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, lança-o na minha conta. Eu, Paulo, escrevo de meu próprio punho, eu o pagarei, para não te dizer que ainda a ti mesmo a mim te deves” (vv.17-19).

Quem paga a conta?

Todos sonhamos ver este mundo restaurado, com suas instituições devidamente reformadas, livre da injustiça, da corrupção, e de todo mal. Entretanto, quem se dispõe a pagar o preço por isso? Ninguém quer ficar no prejuízo. É muito fácil dizermos a uma menina grávida de seu estuprador para que não aborte. Mas quem se dispõe a ajudá-la a criar seu filho?

Lembro de uma mulher que ligou para um programa de rádio que eu conduzia. Ela chorava muito, e dizia que estava diante de uma janela, pronta a se arremessar. Tentei acalmá-la, e pedi que me contasse o que estava havendo. Ela me explicou que havia crescido em uma igreja evangélica extremamente legalista, mas que se desviara e se tornara numa garota de programa. Pra piorar as coisas, ela se engravidou de uma dos seus clientes, mas tinha a menor idéia de qual deles era a criança. Foi um momento muito difícil para mim, pois nossa conversa estava sendo ouvida por milhares de pessoas, e se ela resolvesse pular da janela, eu me sentira culpado pro resto de minha vida. Deixei que o Espírito Santo pusesse palavras em meus lábios, que a dissuadiram de pular. Instei com ela para que voltasse pra igreja. Ela argumentou comigo, dizendo que todas as vezes que ela pôs os pés em sua antiga igreja, as pessoas lhe olhavam de cima a baixo, julgando-a e condenando-a. Em vez de amor, ela só encontrava juízo. Mesmo sustentando sua família com o dinheiro advindo da prostituição e de filmes pornográficos, sua família a rejeitava.

Depois de muitas lágrimas, ela aceitou orar comigo, reconciliando-se com Deus. Após a oração, ela pediu pra conversar comigo fora do ar. Contou-me que tinha um contrato com uma produtora internacional de filmes pornôs, e que, se ela resolvesse abandonar aquela vida, teria que pagar uma alta soma por quebra de contrato. Procurei mostrar a ela que todo o dinheiro que aquela vida lhe dava não valia a pena, e que, mesmo sofrendo eventuais prejuízos, nada seria melhor do que voltar-se para Cristo. Será que a igreja está preparada para receber pessoas assim?

Outra vez, recebi um homossexual em meu gabinete. Ele começou a chorar, e a dizer que sentiu confiança em nos ouvir pelo rádio. Segundo ele, todas as igrejas por onde passara, o rejeitaram. Ninguém se dispusera a ajudá-lo. É muito fácil julgar, condenar, ou mesmo ignorar tais pessoas. Difícil é amá-las e acolhê-las como Jesus teria feito em nosso lugar.

Paulo se dispôs a pagar por qualquer prejuízo que Onésimo houvesse dado a Filemom. E quanto a nós, será que estamos prontos a arcar com os custos e implicações da mensagem do Reino de Deus?

Estaríamos prontos para lidar com os efeitos colaterais de um verdadeiro avivamento, como aquele que varreu o País de Gales, encerrando as portas dos prostíbulos e bares?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

COMO ME SEDUZISTE?


Por que te amo assim..., Jesus?

Só sei que foi por causa do teu amor por mim!

Agora, tudo me fale de Ti.

Sim, porque criastes todas as coisas, todas as coisas agora só me falam de Ti.

E porque sei que me fizestes, hoje tudo em mim só me lembra de Ti, Senhor.

Teu amor, Teu terror, Teu calor, Teu temor, Teu perdão, Teu trovão, Teu refugio, Tua ira, Teu galardão, Tua sentença, Teu poder, Tua singeleza, Teu braço, Tua brisa — sim, tudo se tornou uma só coisa em mim!

Tu és!
Eu sou em Ti!
Tu-eu-eu-Tu!

Nele, nós,
Caio

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A LEI ESTÁ MATANDO A HUMANIDADE: A MORTE DA CONSCIÊNCIA!


Estava assistindo a mais um episódio do Apocalipse bíblico na CNN e na BBC.

É impressionante que as mesmas sementes históricas, culturais, geográficas, étnicas e religiosas continuem a nos mostrar a cara da Humanidade por mais de quatro mil anos.

Os personagens do Gênesis estão vivos em seus filhos e lutas até hoje. Sobretudo Hoje! De fato, a Bíblia não é somente Palavra de Deus — digo “somente” apenas na perspectiva daqueles que vêm a Palavra “guardada” dentro do livro —, mas também a Palavra da Humanidade.

Eu já disse isto: quanto mais se anda de volta ao Gênesis, mais se chega perto dos personagens do Apocalipse.

Agora mesmo, com o assassinato do novo líder de campo de uns dos grupos terroristas em território palestino, o que se ouviu como “razão e lógica” das duas partes foi apenas denúncia moralista. Ambos os lados são hipocritamente moralistas e religiosos em seu modo de fazer “política e guerra”. Ambos os lados evocam “valores”.

Aliás, o novo nome da Lei, nessa fantasmagórica era pós-moderna, é “Valores”. Muda do singular para o plural, mas é a mesma coisa. É apenas uma maneira psicológica de ser legalista. E eu aqui pensando: “Fundados em valores os dois lados vão afundar até a morte.”

Então, fiquei pensando nessa tirania horrível dos valores; sim, de todos eles; coisas “nobres” como honra, coragem, valentia, dignidade, correção, retidão, soberania, liberdade e o escambau ao infinitesimal. Todas elas umas gracinhas! Lindas de morrer...

Então vi como é difícil para a mente humana o exercício da Consciência. Dá vertigem. As pessoas não sabem onde se segurar. Escorregam... Mesmo andando em chão plano crêem que vão cair... Precisam do corrimão da Lei, da Moral, do Politicamente Correto ou mesmo dos Valores e Princípios.

É claro que não é possível haver vida num mundo caído sem que tais “imposições da queda” possam deixar de se fazer presentes; afinal, consciência é coisa rara na terra. A questão é a Lei mata. Sempre. Assim, sem Lei, nos matamos; e, com a Lei, morremos!

Eu tenho apenas Um acima de mim. Lei nenhuma me dá os parametros de meu existir. Em Cristo a fé gera Consciência, não Lei. Acima da Consciência está Deus. Dele provém toda consciência. As demais coisas, mesmo os Valores, têm que estar a serviço da Vida, não da morte. Portanto, a serviço da Consciência, não sobre ela. A menos que Deus não existisse. Então, seria Tirania pela Tirania, no absurdo existir por existir.

A Consciência tem que aprender a não usar "valores" quando o curso da ação deflagrada vai gerar morte. Aí está a Liberdade!

A Lei está matando o mundo. É a guerra dos Direitos. É a suprema arrogância: "Quem é dono do mundo? " É a mais ardilosa camuflagem: o sangue. É a mais diabólica mensagem: “Liberdade”. É a mais enganosa liberdade: "Chegou a nossa vez de mandar em vocês!"

Odeio a "inteligência" humana!

Ó, Deus, dá-nos Consciência, e derrama sobre nós a Graça de fazer o que é bom, não o que seja considerado digno de morte como justiça própria.

Caio

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O escândalo de uma graça radical


Por Hermes C. Fernandes


A graça é um insulto ao nosso senso de justiça própria. Ela subverte completamente nossa lógica fundamentada na performance e no mérito. Como entender que o Deus santo e justo poderia se relacionar com gente de nossa laia sem impor qualquer condição? E como admitir Sua disposição em aceitar em Sua companhia gente que consideramos ainda pior do que nós?

Ultrajados em nossa presunção religiosa, estabelecemos condições sine qua non que devem ser preenchidas para que pecadores iguais ou piores do que nós sejam aceitos por Deus. Em nossa mentalidade medíocre Deus faria certa concessão aos pecadores "desde que..."

Ora, se houver qualquer condição preliminar, logo, a graça é invalidada. Todas as razões para que Deus nos acolha devem estar exclusivamente n'Ele, não em nós. Portanto, o conceito de graça e o conceito de condições preliminares são mutuamente excludentes.

A lógica paulina é implacável:

"Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra." Romanos 11:6 

O problema é que quando pensamos em obras, somos remetidos às exigências da Lei. Porém, o conceito encerrado no termo "obras" é muito mais abrangente.

Sutilmente, afirmamos a graça ao mesmo tempo em que dizemos que Deus salva o pecador desde que este creia, se arrependa e obedeça aos mandamentos. Tudo isso soa tão piedoso que não percebemos sua contradição lógica.

O que é o arrependimento, senão uma obra? O mesmo pode-se dizer tanto do crer, quanto do obedecer. Se estas são condições que devem ser cumpridas para que sejamos salvos, logo, a graça se torna inútil e teremos do que nos gloriar diante de Deus. Ao chegarmos à glória derradeira poderemos dizer: "Aqui cheguei graças a algo que fiz. Fui salvo porque cri, me arrependi e obedeci."

Então, tais coisas não são importantes? Sim, são importantes, porém, não são condições preliminares para que se alcance a salvação.

Paulo põe uma pá de cau sobre qualquer pretensão humana de fazer da salvação uma conquista meritória:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Efésios 2:8-10
 Alguns dirão que a graça é parte que compete a Deus, porém, a fé é a parte que nos cabe. Porém, Paulo afirma que mesmo a fé mediante a qual temos acesso à graça nada mais é do que manifestação desta própria graça. "Isto não vem de vós", brada o apóstolo. É um dom que recebemos ao ouvirmos a Palavra. Em Filipenses 129-30, o mesmo apóstolo diz que o crer em Cristo é uma concessão celestial.
"Pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele." 

Repare nisso: até mesmo o padecer por amor a Ele não nos serve como razão para nos gloriarmos, pois também é uma concessão da graça. Portanto, deveríamos crer piamente em nossa incapacidade de crer sem uma intervenção da graça.

 Então, não é necessário que nos arrependamos ou que renunciemos às paixões pecaminosas?

Sim. Mas não são condições, e sim, consequências da ação da graça em nós. Lembre-se que, apesar de não sermos salvos pelas obras, somos salvos para as boas obras, "as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas". 

Não se tratam de exigências para que sejamos salvos. Quem pensa assim não leva em conta o estado espiritual lastimável no qual nos encontrávamos. Paulo diz que estávamos mortos em nossos delitos e pecados.

"Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo {pela graça sois salvos}." Efésios 2:4-5

Como exigir que um morto creia, se arrependa, renuncie a si mesmo e obedeça? Quando Cristo faz tais exigências, estava revelando a inabilidade humana em cumpri-las à parte da graça. Ele exige de nós o que não podemos pagar para depois revelar Sua misericórdia ao quitar nossa dívida. Isso fica claro na parábola do credor incompassivo.

Precisamos nos arrepender de atribuir ao nosso arrependimento um poder salvífico que ele não tem. É a graça divina que nos conduz ao arrependimento:

"Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?" Romanos 2:4 
Devemos renunciar nossa pretensão em achar que somos salvos pelas renúncias que fizermos. Qualquer renúncia verdadeira é patrocinada pela graça:
"Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente." Tito 2:11-12

À luz disso tudo, podemos afirmar sem medo de errar que o "negar a si mesmo" exigido por Jesus a Seus discípulos nada mais é do que admitir nossa incompetência em atender quaisquer condições. Só nos resta apelar à graça, e aceitar que esta é a única maneira para que a glória se mantenha intacta e seja inteiramente atribuída a Deus. Simplesmente, não há no que nos gloriar diante de Deus.

Disputamos com Paulo o título de "Principal dos pecadores". Se a graça foi capaz de nos alcançar a despeito de nossa miserável condição, que outro pecador ela também não alcançaria?

Como sugerido pela parábola do credor incompassivo, uma vez perdoados, devemos estender este perdão aos demais sem impor-lhes qualquer condição.  Não imponhamos aos outros condições que não nos foram impostas. Creiamos que Aquele que em nós começou a boa obra, igualmente a começou nos demais, e a completará no prazo determinado pelo Pai (Fp.1:6).

VAMPIROS DE ALMAS COLETIVAS



Desistir do bem é algo muito fácil neste mundo. Os salmos 37 e 73 nos mostram o processo. Quando quem lidera ou tem poder faz o que é mal, os demais perdem o ânimo. Então, o justo, na modéstia de seus passos, vai perdendo o alento. E, aquele que caminha sem tanta convicção, passa a invejar aquele que faz, faz, faz e nunca é punido; antes, é honrado.

A leitura do livro do Eclesiastes é mais que útil em dias como estes! 

Quando o status do cinismo prevalece, as reações são muitas; e sutis. Desde o cinismo que se instala como câncer, à inveja que o ser bom passa a ter do mal-feitor — tudo corre como as torrentes de águas destruidoras. 

E o mal se torna tanto pior quanto mais se fale como cordeiro e se haja como o lobo. Daí a perversão do “ético” ser enormemente pior do que a do corrupto; pois destrói todas as referencias. No linguajar bíblico: “... remove os marcos”. 

Isto sem falar nas vozes que olham para os céus e pensam que Deus enlouqueceu com a loucura dos malfeitores; ou que Deus mesmo não se preocupa com tais coisas. 

“De que me serve Deus?” — pergunta a alma cansada. 

Frequentemente tem-se que escolher entre poderes. E, nesse caso, a eleição para tal escolha deve contemplar, sobretudo, o fortalecimento daquilo que não abisma a alma nacional em estado de cinismo crônico. 

E isto vai de atitudes pequenas, no âmbito de nossas vidas pessoais, passa pela “igreja” e vai até o Estado. 

De onde vem o ânimo para a honestidade quando os que nos lideram mentem e enganam? 

O argumento de que ‘rouba mais faz’, aplicado ao Maluf, agora é algo que se aplica em geral. Até em relação ao Lula e Bolsa-Família-no-Bolso. Pode? Até quando? 

Eleger um programa de governo para votar, é sábio. Mas não se pode fazer isto à custa da instalação do cinismo na alma nacional. Do contrário, os pobres comerão, mas será comida envenenada pelo sarcasmo. E o pão de hoje será o veneno de amanhã. 

Portanto, nem só de pão vive o homem, mas, sobretudo, de dignidade, confiança, respeito, e honestidade. 

Entretanto, quem divulga tais causas, não pode brincar de fazê-las menores; e nem tampouco pode fazer como o Conde fez nas disputas com o César Maia há uns quatro anos, quando disse: “Eu minto; mas o César mente mais que eu!”. 

Não se governa fazendo avaliação de menos roubo! 

O programa Bolsa Família não pode ser Família no Bolso! — o Lula repudiaria isto se o programa não fosse parte de sua estratégia política. E eu sei o que estou falando; e baseado em horas e horas de conversa com ele mesmo no passado. 

Sim! O Lula que eu conheci não votaria em si mesmo hoje! — é simples assim. 

Isto era contra tudo o que as mentes historicamente mais lúcidas lutavam — até virar populismo eleitoral em favor deles. 

Ah! Eu teria centenas de histórias e argumentos, mas, cansado de muitas “viagens”, apenas ouso dizer: “Que o Senhor nos salve de alimentarmos milhares de famílias, enquanto lhes roubamos as almas e a consciência!”. 

Assim como o pão e a Palavra alimentam o homem, do mesmo modo o pão e a dignidade também o fazem! 

Enquanto isto... Recolher-me-ei; e buscarei agir pelo não-agir. Quieto. Em oração. Afinal, eu creio que Deus é Deus; e que sobre tudo e todos reina; e que o que sinto é somente o que sinto; e nada, além disso. 

Todas as nossas causas e clamores estão diante do Trono da Graça! 

Cada um com sua própria consciência e discernimento. Mas Deus é um! 

O que não podemos é deixar de discernir o que para nós é vampiro de sangue coletivo. Pois, em trocando beijos com tais entes, nós mesmos passaremos a detestar o nascer do dia, do sol e da luz — visto que nosso ambiente será a penumbra da quase-luz e da quase-treva. 

Com todo carinho, reverência e oração por quem pensa e sente diferente, 



Caio