quarta-feira, 23 de abril de 2014
Foi o túmulo que ficou vazio, não a cruz!
Por Hermes C. Fernandes
Se o túmulo de Cristo ficou vazio, então, Deus aceitou Sua oferta pelo pecado, e estamos livres. Mas se a Cruz estiver vazia, nosso velho homem escapou ileso, e portanto, ainda vivemos sob a égide do pecado.
A Cruz é eterna! E a prova disso é que as Escrituras nos informam que o Cordeiro foi morto desde antes da fundação do mundo.
Há uma cruz histórica ocorrida na plenitude dos tempos, e que nada mais é do que a manifestação de uma cruz meta-histórica, ocorrida fora do tempo e do espaço.
O que acontece na eternidade não tem começo nem fim. Nesse sentido, a cruz é coexistente com Deus. Desde que há Deus, também há Cruz. Por isso, quando o céu se descortina diante dos olhos de João, o trono que se vê é ocupado por um cordeiro"como que houvesse sido morto".
Ele ressuscitou! Porém, Seu sacrifício não durou apenas seis horas. As mãos que criaram o Universo foram mãos crucificadas. Aos olhos de Deus, tanto o trono, quanto a Cruz, estarão sempre ocupados por Jesus.
Enquanto esteve na cruz histórica, o trono não ficou vago. E enquanto ocupa Seu trono de glória, a Cruz não está vazia. Nisso reside nossa salvação. Se Jesus houvesse descido dessa Cruz meta-histórica, não haveria razão para que Paulo declarasse: "Estou crucificado com Cristo". Ele não disse que havia sido crucificado, no passado. Ele disse que estava, naquele momento, crucificado com Cristo. Portanto, Cristo continuava na Cruz, e Paulo com Ele. Se Ele desce da Cruz, nosso velho homem escapa.
O sepulcro, porém, está vazio. O sepultamento de Jesus é um fato histórico, porém, não meta-histórico. Sua ressurreição também é histórica. Mas Sua Cruz vem antes de todos os antes, e será sempre viva depois de todos os depois. Por isso, no dizer de Paulo, o Cristo que pregamos é o CRUCIFICADO. Engana-se quem imagina que a Cruz foi a vergonha que só foi sublimada pela glória da Ressurreição. Não! Jamais houve manifestação maior da glória de Deus do que a revelada no Gólgota. Foi aquela glória que Ele desejou, ao pedir que o Pai lhe restituísse a glória que recebera antes que houvesse mundo.
As mãos que mantém as órbitas planetárias ainda exibem as cicatrizes. Sob a coroa de glória que há em sua cabeça ainda se vê as marcas deixadas pelos espinhos. O resplendor dos Seus pés é incapaz de disfarçar as feridas feitas pelos cravos. Embora tenham sido feitas num determinado tempo, tais feridas adentraram a eternidade e por isso, tornaram-se co-eternas em Deus. Se fôssemos capazes de retroceder no tempo, e reencontrássemos o Criador caminhando com Adão pelo Jardim, certamente veríamos as marcas. Ele as exibe como troféus, prova do Seu grande e incompreendido amor por Sua criação.
terça-feira, 22 de abril de 2014
ESTA É A MINHA IGREJA. VOCÊ QUER SER PARTE DELA?
Quando Jesus disse que o “reino de Deus” ou o “reino dos céus” seria semelhante a [...] uma semente pequena que cresceria; ou como um fermento imperceptivelmente penetrante; ou como um tesouro escondido no campo; ou como uma pérola de grande valor, porém não disponível aos sentidos de todos; ou como uma candeia que iluminaria a todos os que estivessem na casa; ou ainda como o sal da terra — Ele apresentava, também, ao assim dizer, o paradigma do que a Igreja [a Dele] deveria ser como expressão visível do reino de Deus na comunidade humana.
Desse modo, as ênfases de Jesus são aquelas ligadas ao pequeno que cresce naturalmente a fim de acolher... [semente/árvore]; ao que tem como poder a pervasividade discreta [fermento]; a um valor indizível e que é conhecido apenas por quem o venha a conhecer em seu real significado [a pérola]; a uma riqueza escondida dos olhos de todos, e que não é objeto de propaganda [o tesouro oculto]; a uma luz para os da casa [a candeia; que ilumina a muitos se aumentarem as casas com sua luz no interior]; e à qualidade de gosto da presença dos discípulos, com poder de dar gosto divino onde estejam [o sal da terra].
Ora, em nenhuma dessas coisas a ênfase está na grandeza, na publicidade, na promoção ou na propaganda!
Ao contrário, a ênfase está na naturalidade do crescer, na pervasividade e na penetração decorrente de ser, no significado intrínseco da coisa em si, na sobriedade oculta de tal poder, que fascina por não ser massificado; na iluminação de grupos pequenos, como numa casa, e que altera primeiro os de dentro, e, aumentando o número de casas/povo iluminados, se faz visível ao mundo; e, sobretudo, a ênfase recai na qualidade essencial da natureza existencial dos discípulos, os quais, à semelhança do sal, podem dar sabor à vida dos que os cerquem, pelo fato de que eles têm tal gosto/sabor/qualidade em si mesmos.
Agora, compare isto com os modelos de “igreja”. Sim; com a ênfase na propaganda, no mercado, nos nichos, na promoção, no show da fé, na massificação sem rosto, no crescimento quantitativo, na artificialidade dos modelos de crescimento piramidal; ou ainda: compare com a venda do “Evangelho” como produto de salvação; sempre para fora; sempre para o mercado; sempre segundo a Coca-Cola, ou a Pepsi, e nunca segundo Jesus; o Qual, entre nós, fazia tudo com discrição, sem o afã das promoções; e que mais que frequentemente, pedia que Dele não se fizesse propaganda, ou que se O expusesse à publicidade; posto que Seu modus operandi cumprisse a profecia que dizia: “Nas praças [Ele] não fará ouvir a Sua voz!”
O que isto significa? Que não se pode fazer propaganda de Jesus?
Sim; significa isto mesmo!
O Jesus propaganda é o Jesus do Mercado; é o Jesus do Bazar; é o Jesus da Venda; é o Jesus do Mundo!
Na realidade se diz que “a fama de Jesus corria por toda parte” e que “as multidões vinham ouvi-Lo de todos os lugares”.
Todavia, isso acontecia porque acontecia; porque era verdade; porque não se consegue esconder a luz; porque se o sal for jogado na terra nota-se a diferença pelo sabor; porque se a semente virar árvore as aves dos céus a encontram com naturalidade; porque o achar da “pérola de grande valor” faz aquele que a acha sair alegre com tal descoberta; porque o “tesouro escondido no campo”, uma vez que nele se tropece, faz o achador vender tudo e comprar o campo, a qualquer custo ou preço, tornando qualquer esforço apenas um ganho, uma alegria!...
Assim deveria crescer o “reino de Deus” entre os homens; e assim deveria ser com a Igreja dos discípulos de Jesus como expressão do “reino de Deus” na História.
Ora, isto faz sentido com a lógica de Jesus em tudo; embora difira radicalmente das lógicas humanas!
Sim; pois foi Jesus Quem disse que o grão de trigo tem que morrer a fim de dar muito fruto; que aquele que busca se salvar, perde-se; que aquele que morre, vive; que aquele que se humilha, será exaltado; e que é o pequeno que se faz grande!
O problema é que desde os apóstolos [...] pensar diferente sempre foi uma tentação. Tiago mesmo se vangloriava de ter “milhares e milhares com ele em Jerusalém”, e também que um grande número de sacerdotes do judaísmo [...] eram cristãos “zelosos da Lei de Moisés”.
Paulo parece ser o exemplo a ser seguido entre os apóstolos como aquele que não desistiu jamais do paradigma de Jesus; sem surtos de tomadas de cidades; sem querer erguer nada no Areópago; sem pretender nada além de ir plantado sementes de igreja nas casas; sem buscar conluio com autoridades das sinagogas; sem falsas expectativas —; enquanto, assim procedendo, em nenhum outro tempo apostólico [...] as coisas geravam mais bulício, produziam mais impacto nas cidades, alvoroçavam mais o mundo!
A Igreja que revolucionou o 1º e o 2º Séculos foi a de Paulo, não a de Tiago, a qual tinha Jerusalém como modelo!
Do 4º Século em diante, todavia, houve uma fusão do modelo de Jerusalém [o de Tiago] com o paganismo cristianizado, miscigenado, sincretizado, politizado e cooptado pelo Imperador Constantino.
Sim; esse é o modelo que vige até aos nossos dias!
Até mesmo o Protestantismo das raízes mais bem intencionadas se serviu dos aparatos que o Catolicismo havia produzido; como, por exemplo, os grandes prédios de culto ao estilo romano; os modelos oficiais de sacerdócio; as hierarquias de autoridade; a oficialidade dos sacramentos; a liturgia do culto; o oráculo procedente de oficiais; os vínculos com as realezas; o conluio com os principados políticos; e, consequentemente, com a propaganda e o mercado.
Assim, a Igreja casa [grão de mostarda] deu lugar à “igreja” Catedral; a Igreja fermento deu lugar à “igreja” da influencia; a Igreja do valor intrínseco deu lugar à “igreja” do intrínseco valor da propaganda; a Igreja do tesouro oculto deu lugar à “igreja” das promoções de poder.
Ora, é por isto que nos últimos 1700 anos a “igreja” teve todos os poderes do mundo na mão, mas o mundo apenas piorou! — sem falar que a Igreja de Deus teve que se ocultar ainda mais nas sombras da “Igreja dos Homens” ou até fora dela!
Desse modo, afirmo que faz milênios que o mundo não assiste ao que possa ser a verdadeira revolução da Igreja; sim, desde os dias em que gente como Paulo praticava a grandeza do pequeno; seguia a fermentalidade subversiva do oculto; celebrava com bravura feliz o achado de grande valor para o coração; e a criação de uma rede de amantes de Deus guiados pela leveza da Palavra apenas — em casas, em bosques, em pequenos grupos, em porões, em jardins particulares, em lugares públicos abandonados, etc... — sim; desde aquele tempo o mundo não viu mais o poder subversivo e sem dono humano da Igreja de Deus!
A revolução da Igreja no mundo decorre de sua disposição de ser não-proprietária; de ser hebreia na leveza peregrinante dos seus movimentos; de ser discreta e prática nas suas obras de amor; de ser o mais livre possível dos poderes constituídos deste mundo; de ser uma comunidade de amor, que se reúne para compartilhar a Palavra, orar, adorar e ajudar-se mutuamente; enquanto vive o testemunho do Evangelho em serviço de amor no mundo.
Se um dia essa Igreja reaparecer em grande escala de multiplicidade não adensada; se ela ressurgir na subversão de ser sem a propaganda de aparecer em outdoors; se ela ressurgir como agente ocultamente visível apenas por suas obras de generosidade e graça; se ela emergir como sombra simples que decorre da sua própria natureza; e se seu gosto for renovado pela qualidade existencial dos seus agentes — então, outra vez, sem que isto decorra de um plano ou de uma estratégia, mas da mera expressão da própria natureza de ser desse ente santo, o mundo tremerá sem saber nem de onde vem o abalo.
Nós, todavia, fomos ensinados pelo diabo que isto é morte, é fraqueza, é moleza, é perda de poder, é desistência de status, é suicídio, é entrega do que se conquistou ao mundo; é coisa de maluco; sim; de gente que perdeu a visão, perdeu a ambição, perdeu o espírito profético.
Sim; diante disso o diabo diz à “igreja”: “Jamais! Isto de modo nenhum te acontecerá, Senhora!”
Ao que Jesus continua a responder: “Arreda de mim, Satanás; pois para mim tu és pedra de tropeço!”
Eu, porém, sei que grito no deserto; sei que sou lido como louco; sei que tais palavras são consideradas insanidades; sei que não serei ouvido; embora, em meu coração, saiba também que aqui e ali uns poucos me entendam; e, assim, eu julgue que pela conversão de alguns [...] o que hoje seja horrível, possa ser de um modo ou de outro melhorado; ou, pelo menos, possa, em acontecendo em que escala possa acontecer [...], suscitar, emular ciúmes na “Israel/Igreja/Pedrada” — usando os pensamentos de Paulo em Romanos 9,10 e 11.
Nele, em Quem tenho a consciência tranquila quanto a nunca ter deixado de dizer o que Igreja é para Jesus,
Caio
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O que Jesus teria ido fazer no inferno?
Por Hermes C. Fernandes
Há uma corrente que defende que Cristo teria descido ao inferno para ser torturado por Satanás, e, assim, pagar por completo o preço de nossa redenção. Se isso fosse verdade, Ele não teria dito antes de Seu último suspiro: “Está consumado” (Jo.19:30). A obra da redenção foi finalizada na cruz. Ainda que tenha descido ao inferno, não foi para completar nada, mas tão somente para anunciar o que já havia feito (1 Pe.3:18-19).
Outra lenda que se tem disseminado entre muitas igrejas é a de que o Diabo promovia um verdadeiro carnaval no inferno enquanto Jesus era crucificado. Mas para sua surpresa, Jesus interrompe a celebração e toma das mãos do Diabo as chaves do inferno. Nada mais distante da verdade que isso. Jamais foi intenção do Diabo que Jesus morresse na cruz. Pelo contrário. Ele fez de tudo para impedir que isso acontecesse, pois sabia que através de Sua morte, seu império seria desbaratado. Por isso, foi capaz de usar até os lábios de Pedro para tentar dissuadir Jesus (Mt.16:22-23).
Já no início do ministério de Jesus, o Diabo lhe ofereceu um atalho para reaver os reinos deste mundo, e assim, não precisasse passar pela cruz (Mt. 4:8-9). Mesmo durante Seu suplício no calvário, o Diabo insistia em que Ele descesse da cruz, valendo-se dos lábios de várias pessoas, incluindo um dos ladrões que morriam ao Seu lado (Lc.23:39; Mc.15:30). A cruz sempre foi o centro do plano divino para a redenção de toda a criação (At.2:23). Ela foi a porta pela qual Jesus passou para adentrar o território da morte e libertar os que ali estavam cativos.
Jesus é Senhor de todos os céus, de todos os mundos e de todos os infernos. Ele recebeu as chaves das mãos do próprio Pai, além de um nome que é sobre todos os nomes, agora e por todas as eras.
Assinar:
Postagens (Atom)


