quinta-feira, 12 de março de 2015

A militarização da fé cristã


Por Hermes C. Fernandes


Recentemente a igreja universal provocou reação inusitada em boa parte da sociedade ao promover um culto em que centenas de rapazes entraram marchando, vestidos como militares e respondendo a gritos de ordem emitidos do altar. Justamente numa época em que o fantasma de um novo golpe militar paira sobre a sociedade brasileira, era de se esperar que os tais “gladiadores do altar” despertassem suspeita de que a tal denominação estivesse arregimentando jovens para uma espécie de milícia paramilitar. Particularmente, duvido que seja isso. Apesar de discordar da doutrina, da teologia e das estratégias mirabolantes da IURD, nego-me a crer que Edir Macedo tenha chegado a tal grau de insanidade. Prefiro acreditar que se trate de mais uma jogada de marketing. Todavia, não censuro os que ficaram com um pé atrás ao assistir àquele espetáculo medonho. Principalmente se levarmos em conta o estrago que milícias religiosas têm feito ao longo da história (as cruzadas, por exemplo) e as que têm agido em nossos dias em nome de uma fé fundamentalista e cega (como o Estado Islâmico).

Não consigo enxergar nem um parentesco entre a proposta de Jesus e uniformes, marchas e gritos de ordem característicos dos que batem continência nos quartéis.

A universal não é a única a lançar mão deste expediente. Muitas outras igrejas o fazem, ainda que não tão escancaradamente. Outras, entretanto, vão até além, usando fardas camufladas, promovendo acampamentos para treinamento, utilizando títulos da hierarquia militar, etc. Basta ouvir muitas das canções entoadas em seus cultos, nas quais se faz alusão a Deus como general, capitão, e ao seu povo como exército.

Alguns poderão alegar que haja precedentes bíblicos para isso. Afinal de contas, a alcunha “Senhor dos Exércitos” é encontrada diversas vezes nas Escrituras. Porém, temos que entender os tempos. Era assim que o povo de Israel se referia ao seu Deus em épocas de batalhas épicas contra exércitos numerosos de impérios como o assírio, o babilônico e o romano.

Também é verdade que o próprio Paulo, o apóstolo dos gentios, toma emprestados conceitos militares para descrever a batalha espiritual na qual estamos engajados (Ef.6 e II Cor. 10, por exemplo). Mesmo João, conhecido como o apóstolo do amor, no livro de Apocalipse apresenta Jesus à frente de um exército celestial. Tudo isso, porém, são figuras de linguagem que visavam facilitar a compreensão de cristãos primitivos que viviam num cenário caótico onde a guerra era sempre iminente.

Porém, o que prevalece nas páginas do Novo Testamento é a figura de Cristo como o Príncipe da Paz. Se houvesse nele qualquer pretensão de desbancar Roma e tomar o poder, Ele teria entrado em Jerusalém montado num soberbo corcel branco, e não num modesto jumentinho.

Vejo como falta de sabedoria o uso de elementos militares em qualquer expressão de culto que ofereçamos ao Senhor em nossos dias.

Nos anos 70 e 80, quando o Brasil vivia o auge da ditadura militar, participei de muitas marchas ao som de cornetas e tambores. Era o espírito da época. Os tempos são outros. E isso demanda de nós uma postura mais idônea, menos infantil. Se quisermos que o mundo nos leve a sério, devemos deixar as coisas de criança, como recomendou Paulo. Imagine se o apóstolo fosse além da figura de linguagem e resolvesse pregar vestido como um centurião romano. Isso seria inadmissível, além de ridículo. 

Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes

quarta-feira, 11 de março de 2015

QUEM FEZ VOCÊ CRER NO SUCESSO DA IGREJA SEGUNDO ESTE MUNDO?


O que Jesus veio fazer neste mundo teria falhado? Sim, é justo que se pergunte isto ante o que Sua mensagem e feitos [...] realizaram na experiência da existência histórica dos humanos ou coletivamente na História humana?


É verdade que Ele disse que o mundo odiaria a Sua Palavra e aos que por ela vivessem; e também que a melhor chance que o mundo teria de crer que Ele fora enviado pelo Pai seria mediante a prática simples do amor entre os Seus seguidores; e mais: é também verdade que Ele parecia crer que quando Ele voltasse outra vez [o Filho do Homem], não haveria fé na Terra.

Também é verdade que Ele disse que o Seu Caminho/Porta era estreito, e que apenas poucos entrariam por ele; e também é fato que nas Suas mensagens proféticas não se encontra nenhum traço de “vitória” associada ao que Ele chamou de “minha Igreja” [...] como ente a impor-se sobre o mundo.

É ainda inequívoco que Ele tenha dito que o futuro não aguardava os Seus discípulos com nenhuma Era de Paz e de Amor entre os homens; ao contrário, as Sua Palavras nos falam de ódio, divisão, de irmão entregando irmão; de casas divididas; dos inimigos do homem serem os da sua própria casa; e que Ele mesmo não viera trazer paz à Terra, mas espada.

Sim, a leitura das Palavras de Jesus não nos acende na alma a esperança de controlarmos os poderes do mundo, nem das nações, e nem da Civilização humana; antes disso, no indica um caminho de fé entre poucos, uma vereda discreta, um pequenino rebanho, algo como o voar de vagalumes na escuridão da noite.

Nos evangelhos não encontramos essa Palavra de Vitória de Jesus sobre os Poderes da História, sobre o Mundo; e nem tampouco qualquer insinuação de que a Sua Igreja seria vitoriosa sobre as forças do Príncipe deste mundo como fenômeno de supremacia do bem sobre o mal.

Não, nem os evangelhos e nem o Apocalipse nos descrevem tais cenários. Portanto, outra vez, pergunto: de onde, pois, eles nos vieram, ao ponto de que hoje pensemos que alguma coisa tenha falhado?

Até ao 4º Século desta Era nenhum discípulo cria que viveria para ver a Igreja ser qualquer coisa além de um Fermento, uma Luz, um Sal na vastidão da terra, um Pequeno Rebanho entre Lobos, uma pequena Semente que cresceria como sombra e lugar de agasalho; mas não de triunfo.

Ora, e isto tudo ainda em meio a divisões internas, a apostasias, a negações, perversões e mortes espirituais de muitos grupos que, antes haviam crido, mas que, ante a imposição “da espera” [...] perderiam a fé; e, portanto, escandalizar-se-iam, trairiam, desistiriam; ou, então, tornar-se-iam “maus” e aproveitadores dos demais — conforme várias parábolas de Mateus, Marcos e Lucas nos deixam ver...

Todavia, o paradigma foi mudado para sempre nas falsificações das esperanças da Igreja que foi virando “igreja”, quando o Império Romano ungiu a “Igreja” e criou o “Cristianismo” como poder terrestre e mundano.

É daí que vem esse surto de Vitória Visível da Igreja de Jesus na Terra; e, consequentemente, a busca por tal poder entre os homens —; ou, em meio á frustração de não conseguir realizá-lo, a não ser pela espada e pelas forças do Príncipe deste mundo, vem a descrença, o sentimento de fracasso, de inviabilidade do Evangelho e da Igreja no mundo; instalam-se como descrença e cinismo na alma dos que antes criam e amavam.

Sim; tal sentimento decorre de que a Igreja passou a pensar como “igreja”, e de que o Evangelho tenha sido entendido como uma revolução inescapável a impor-se sobre os principados e potestades dos sistemas do planeta.

Desse modo, cada novo cristão se converte crendo que sua geração mudará o mundo; e que o que não aconteceu no passado, acontecerá hoje; e mais: crendo que a “vitória” da Igreja sobre o Império Romano provou tal possibilidade [...]; não enxergando eles jamais o oposto; ou seja: que, ali, naquela virada [ou melhor: naquela emborcada], quem estava sendo definitivamente derrotada era aquilo que até então, com todos os problemas previstos nas profecias, era, na sua fraqueza, forte; e na sua fragilidade e falta de densidade, invencível; a saber: a Igreja na sua melhor expressão histórica até então.

Sim, o Imperador Constantino se tornou o pai do sonho de supremacia da Igreja sobre o mundo; e, desde então, todos os grupos cristãos anelam pela volta de tais dias, ou mesmo pela reimplantação deles na sua geração. Daí os cristãos terem-se por tão honrados quando um governador se “converte”, ou quando uma “autoridade eclesiástica” é elevada de maneira pública, ou quando à “igreja” um poder politico atribua importância, significado e força histórica.

Jesus, todavia, nunca nos deu a menor margem de crença em tais coisas até ao fim. Jamais! O que Nele vemos é que apesar de tudo a Igreja não seria destruída e que as Portas do Inferno não prevaleceriam contra ela; mas, em momento algum, se vê Jesus afirmando que a Sua Igreja criaria um Milênio; algo como um impor da verdade e do amor sobre as forças do mundo e da história; ou ainda que ela tornar-se-ia reconhecida como o Oráculo divino falando aos homens.

Ao contrário, ao ouvirmos o que Jesus disse, o que percebemos é que tais possibilidades de “vitória” sempre seriam sinais de apostasia da fé; sempre seriam a declaração de que se teria aceito a cooptação das forças do Príncipe deste mundo; sempre seria algo que apenas nos poria no lugar de ungir a Besta no papel de um Falso Profeta.

Para Jesus, o reino de Deus não se manifestaria com demonstrações visíveis, mas invisíveis e interiores; seria um poder no olhar, no espírito, na existencialidade; seria algo somente discernível por quem tivesse nascido da água e do espírito; e que aconteceria sempre sob o signo do desprezo e das muitas batalhas.

Quanto a não permitir que qualquer impressão de supremacia da Igreja como Potestade se instalasse na mente dos Seus discípulos, Ele afirmou: “Não será assim entre vós; antes, o maior seja o menor; o grande seja o que sirva; o poderoso seja o fraco do amor e da entrega”. E, lhes lavando os pés, disse: “Compreendeis o que vos fiz? Eu vos dei o exemplo!”
Pedro já advertia os discípulos dos seus dias, e que começavam a sofrer e a perguntar quando seria o tempo da vitória, dizendo-lhes que não lhes parecesse que algo teria dado errado, posto que o Senhor lhes garantisse que seria como estava justamente acontecendo...; e disse também que por tal equivoco de esperança surgiriam muitos perguntando “onde está a esperança da Sua vinda?”; ou mesmo indagariam acerca do “poder da Sua Presença” entre os homens...; visto que tudo continuara como desde o principio da criação que se pervertera.

Em Mateus 24 e 25 todas as Parábolas de Jesus nos falam de uma “espera” devastadora e desalentadora; de tal modo que alguns ficariam “maus e abusivos”, outros “dormiriam de desesperança”, outros “enterrariam seus dons de amor”, outros somente O veriam em “cenários sagrados” ou predeterminados; daí não serem capazes de vê-Lo entre os pobres, marginalizados, desterrados, doentes, abandonados e não desejados desta existência.

O fenômeno da Hermenêutica Constantiniana de interpretação do significado histórico da “Igreja” foi algo tão poderoso, e continua a ser, que, para muitos, parece que a mensagem de Jesus falhou; especialmente agora, quando o mundo se torna pós-cristão; ou seja: torna-se pós-constantiniano.

Jesus, no entanto, nos disse que a Igreja estaria aqui; e que testemunharia; e que morreria; e que não desistiria; e que não seria enganada; e que não viveria de contabilidades de poder humano; mas da força do Espírito e do olhar do Reino instalado nos corações de todos os que viram e entraram no Mistério do Indiscernível do Reino de Deus em sua atual manifestação não disponível ao mundo.

Enquanto isto [...], Jesus disse que o Espírito sopra aonde quer... [...], e que ninguém sabe de onde Ele vem ou para onde Ele vai... [...]; mostrando-nos assim que a Igreja é um ente levado [...]; e que para além do que ela própria veja [...], existe o que somente Deus vê; coisas essas nas quais os discípulos têm apenas que crer; crer enquanto servem, amam, esperam, se entregam, se sacrificam; nunca se deixando vencer do mal, mas sempre vencendo, em suas vidas, o mal com o bem.

É, portanto, o espírito do mundo, de Satanás, do Príncipe que oferece poderes terrenos [...] — aquele nos lança em surtos de “vitória terrena da Igreja” sobre as aparentes forças da História.

É a mesma voz que se fez ouvir no “alto monte” ou no Capitólio Romano nos dias de Constantino [...] a nos falar que existe um mundo a ser “conquistado” pela Igreja de Deus!

Para a verdadeira Igreja de Deus este mundo, com seus poderes, é apenas o lugar da morte, do sacrifício, do testemunho, do amor não correspondido e do serviço por nada; exceto pela obediência; posto que assim como foi com Jesus seria conosco; e isto conforme Ele próprio disse e repetiu em inúmeras formas e ocasiões diferentes.

Se esse paradigma diabólico, completamente presente nas falsas esperanças, no discurso e na prática da “igreja”,  não der lugar ao que Jesus disse que seria e aconteceria [...], até mesmo a verdadeira Igreja terá seu poder minado pelo engano; havendo cada dia menos luzes de esperança e gosto de sal no testemunho do amor neste planeta marcado para o Grande Dia da Revelação.

Eu, porém, enquanto escrevo estas linhas, sinto o vento, e percebo seu bulício; por vezes mudando de direções [...], mas sinto que ele sopra em sua independência, visto que vejo o mover das árvores; sim, balançando ora pra lá, ora pra cá; e, algumas vezes, como agora, aparentemente parando de moverem-se... Mas eis que outra vez vem o vento!... Agora uma brisa sob meus pés... Sim! O mover não cessa nunca!

Desse modo entendo meu lugar na vida e no mundo segundo Jesus!

Sim, não sou o Gerente do Vento; nem sou o indicador do seu caminho; nem tampouco aquele que sabe quando e de onde ele virá. Não! Apenas o constato. Apenas o aproveito. Apenas celebro sua soberania invisível. E, conforme disse Jesus, apenas creio que do mesmo modo é todo aquele que é nascido do Espírito.

A Palavra de Jesus, portanto, não falhou; ao contrário, contra todos os esforços miseráveis, armados e dispostos a recorrer a todos os poderes deste mundo [conforme o tem feito o “Cristianismo” e ou a “Igreja” em todo este tempo], a Palavra de Jesus se impôs e prevaleceu; posto que ela teria falhado justamente se o Caminho dos Discípulos tivesse se tornado a Política Global deste Planeta; ou seja: se a ONU dissesse que é da “igreja” que procede a honra, a glória e o poder. Então era sinal de que o reino do anticristo estaria de fato definitivamente instalado.


Nele, que não nos deixou enganados quanto ao que fosse vitória e sucesso no andar do Reino, do Evangelho e da verdadeira Igreja de Deus,


Caio

terça-feira, 10 de março de 2015

Brasil: Pátria Corruptora



"Quão terrível e quão lastimável é que a nação viva em corrupção. É como óleo de peroba que vai descendo desde o topo, daqueles que deveriam ser exemplo, escorrendo até encharcar todo o tecido social. Ali o Senhor ordena o juízo até que se convertam de seu mau caminho e aprendam a prática da justiça motivada pelo amor." Uma paráfrase do Salmo 133.



Por Hermes C. Fernandes

Chegando hoje ao banco de que sou cliente, assisti a uma lamentável cena: um chefe de família sendo detido por haver roubado uma lâmina de barbear num supermercado. Os seguranças o renderam com arma em punho, como se o mesmo pudesse resistir. Enquanto eu aguardava para ser atendido, pus-me a refletir:

Qual será o futuro de uma nação em que ser honesto é uma exceção? Será que nos tornamos numa nação de ladrões em potencial? Seria esta a confirmação do adágio que diz que a ocasião faz o ladrão?

Como poderia ser diferente se a população não encontra em seus líderes uma referência de integridade moral e ética? Se os que estão no topo da pirâmide podem, por que os que se encontram em sua base não teriam o mesmo direito? Enquanto isso, nossa população carcerária não para de crescer. O político preso cumpre sua pena em casa. O ladrão de galinha divide uma cela com outros cinquenta. Como gostaria que acontecesse aqui o que está acontecendo na Suécia, onde quatro presídios serão demolidos por falta de quem os ocupe. 

Em seu discurso de posse, a presidente Dilma anunciou que o slogan de seu segundo mandato seria “Brasil: Pátria Educadora”. Mais de cinquenta milhões de eleitores acreditaram que sua proposta era a que melhor se ajustava aos anseios populares. Porém, agora, três meses depois, boa parte de seu eleitorado declara-se arrependido. A despeito da avassaladora campanha da oposição para desacreditá-la, o fato é que sua postura ante aos desmandos cometidos em sua gestão parece fornecer munição a seus adversários. É como se a presidente desse o passe que culminaria no gol contra marcado por seu próprio time. Mesmo que não seja comprovadamente corrupta, tem-se mostrado mais leal aos seus correligionários do que à nação que a elegeu; o que, diga-se de passagem, pode ser interpretado como cumplicidade ou conivência. Bem faria a presidente em dar ouvidos à admoestação bíblica:

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas. Salmos 82:2-5ª

E mais:

“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas.” Isaías 1:23

Imagino o quão difícil deve ser cortar na própria pele, ao ver colegas que lutaram ao seu lado tendo que responder por crimes de lesa-pátria e corrupção ativa. A remoção dos que agem iniquamente é condição sine qua non para que um governo resgate sua credibilidade junto a opinião pública. “Tira o ímpio da presença do rei”, exorta Salomão, “e o seu trono se firmará na justiça”(Pv.25:5).

Quem dera fôssemos realmente uma pátria educadora, onde nossos filhos encontrassem nos líderes da nação, homens e mulheres de envergadura moral e ética inquestionável. Em vez disso, eles crescem acreditando que vale a pena ser desonesto, pelo menos, aqui, em nossa tão amada e idolatrada pátria. A corrupção tornou-se num câncer cuja metástase já afeta todo o tecido social. Não há inocentes. Todos os partidos estão igualmente chafurdados neste tremedal de lama. O diagnóstico divino pronunciado pelos lábios do profeta parece caber como uma luva:

“Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores”.
Miqueias 7:2-3

É esta sociedade completamente corrompida que fornece os componentes de nossa classe política. Eles não vêm de outro mundo, mas das famílias que constituímos. Ao chegarem ao poder, seu mau exemplo garante a continuidade da estirpe, retroalimentando um ciclo funesto aparentemente inquebrável. Não seria o caso de cobrarmos menos um mundo melhor para os nossos filhos e tratar de garantir filhos melhores para o nosso mundo?

Devo reconhecer que temos a classe política que reflete fidedignamente nossa estatura moral. Se quisermos que algo mude, não podemos esperar por eles. A mudança deve começar em nossa casa. Quando nossos lares fornecerem, não apenas políticos honestos, mas também empresários conscientes de seu dever cívico, comerciantes menos gananciosos, policiais íntegros, professores idealistas, advogados éticos, médicos altruístas, líderes religiosos mais afáveis e cordatos, o mundo estará ensaiando para tornar-se num lugar melhor para as próximas gerações. O ciclo da corrupção finalmente terá se partido e a justiça prevalecerá.


Seria ótimo se esta revolução começasse de cima para baixo. Mas não faz sentido ficar esperando por isso a vida inteira. Então, que comece de baixo. Que nossos púlpitos sejam menos usados para campanhas políticas e mais usados para educar nossa gente. Que nossos quadros negros não sejam usados apenas para informar, mas também para instruir e formar o caráter dos alunos. Que nossos pais sejam exemplos vivos para os seus filhos. E que sejamos motivos de orgulho para os nossos pais. 

Caso o contrário, quem precisará de um impeachment será toda uma geração. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

O DIABO MORA NA PORTA DA NECESSIDADE


Jesus disse aos judeus que Deus poderia “das pedras suscitar descendência à Abraão”. Entretanto, Ele negou-se a transformar pedras em pães. Mas, paradoxalmente, iniciou Seu ministério transformando água em vinho.

Portanto, quando da tentação—ocasião na qual negou-se a transformar pedras em pães—a ênfase não recai na violência essencial, do ponto de vista físico, que tal “transformação” implicaria, mas sim nas razões que o induziam a ver naquilo uma tentação.
Ora, Ele estava sendo sugestionado pelo diabo, e, em toda sugestão que carregue uma motivação errada, não importando o que seja, seguí-la, é sempre algo mal.
Aqui, neste ponto, fica claro que a questão de Jesus para não realizar aquele feito, não era de natureza moral e nem teológica, mas sim existencial. Seguir aquela sugestão seria mal tanto em razão da motivação—de um lado, fome; de outro, demonstração de poder—, quanto também em razão do motivador: o diabo.
De fato, o diabo mora na esquina onde a necessidade e oferta se encontram sob o patrocínio da fome.
O interessante, naquele episódio, é que o diabo não faria nada, e não fez nada, exceto sugerir que Jesus fizesse algo por Si mesmo. Isto porque o diabo precisa do indivíduo para realizar qualquer coisa. O diabo não realiza nada na Terra sem o homem.
O mal não é pré-definido, necessariamente. Às vezes ele o é, e todos sabemos quando ele já chega com sua própria cara. Na maioria das vezes, entretanto, o mal não tem cara de nada mal, exceto pelo fato que ele realiza o casamento da necessidade instintual ou existencial, com a oferta de algo que seria anti-natural, mas realizaria um alívio imediato.
As tentações que nascem do instinto e da existencialidade são poderosas. Aliás, essas são as únicas tentações que de fato tentam.
O erro, nesse caso, está na entrega da necessidade à sugestão que vem de fora. É esse ceder à sugestão aquilo que conflitua a alma. Isto porque, sozinho, Jesus jamais transformaria pedras em pães a fim de se alimentar. Mas quando o diabo se imiscui no ambiente da necessidade, então, a simples fome virou tentação.
Ter fome não é mal, ao contrario, é bom. Pouca coisa é tão ruim quanto fome zero. Viver sem fome pode ser muito ruim, e quem já sofreu de algum tipo de inapetência sabe o que estou falando.
O equilíbrio da existência está entre a fome e o pão. Pão sem fome é um horror, e fome sem pão é uma desgraça.
É justamente nesse limbo que o diabo mora!
O diabo não vive do que é mal, mas sim de transformar o que é bom em algo ruim, pois que, tal coisa, se realizaria como concessão dele. O diabo adora pretender fazer concessões. Ele sabe que são essas concessões ilegítimas aquilo que torna até o ato de comer pão em algo culposo.
Na realidade aceitar algo como concessão do diabo é aquilo que torna qualquer coisa em algo ruim.
Nesse caso, o corpo treme de fome, e as pulsões de estranhos desejos se somam à necessidade, e a alma mergulha a caminho da transgressão a si mesma.
Pior do que a fome é o pão que carrega a sugestão do diabo!
Jesus se viu livre da tentação não negando a necessidade (o pão), mas afirmando a necessidade superior do ser: comer também e, sobretudo, a Palavra de Deus.
Negar a fome aumenta a tentação. Assumi-la, esvazia a tentação.
Quando você estiver com “fome”, e for algo normal, não negue a fome—afinal, depois de 40 dias e noite quem não estivesse morrendo de fome seria anormal—, ao contrário, respeite-a e chame-a pelo nome, você mesmo, e não deixe que ninguém se torne senhor de sua necessidade.
Jesus saiu dali e foi comer. E comeu comida de anjos. Mas só comeu o que era bom porque negou-se a comer conforme o cardápio do diabo.
Nenhuma necessidade humana é pecaminosa. A pecaminosidade da necessidade é apenas fruto da sugestão e de como ela vem.
Ora, assim como é com Deus, assim também é com o diabo, pois a questão não é o quê, mas sim como.
Sim, eu repito: a questão não é o quê—posto que todas as coisas provêm de Deus—mas sim “como”, posto que nem tudo o que é bom, é bom sempre, pois todo bem se torna em mal quando o patrono da solução é o diabo.
Assim, não se preocupe com a sua fome, mas apenas com as “soluções” que você encontra.
E lembre-se: Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus.

Caio

quinta-feira, 5 de março de 2015

Se nos conhece tão bem, por que Deus prova nossos corações?


Revelando a Química do Coração


No mesmo salmo em que Davi afirma que “de longe” Deus entendia seus pensamentos, ele pede: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos” (Sl.139:2,23). Ora, se Ele nos conhece tão bem, a ponto de saber o que pensamos, mesmo antes que a palavra nos chegue à boca, por que deveria nos provar? Não há nada que façamos que Lhe passe despercebido. Ele esquadrinha nosso andar e o nosso deitar; conhece todos os nossos caminhos. Ele criou o nosso interior, moldando-nos no ventre materno. Os Seus olhos viram nosso corpo ainda informe. Portanto, conhece profundamente nossa composição orgânica e psíquica. Todos os nossos dias foram previamente ordenados por Ele. Quem nos conhece tão bem quanto Ele? Então, por que nos provar?

Uma das razões pelas quais Deus nos prova é revelar-nos o estado do nosso coração. Ao provar-nos, Deus deseja nos conduzir pelas sendas do autoconhecimento. Não é Ele quem precisa nos conhecer, mas nós que necessitamos nos conhecer mais. Tornamo-nos estranhos a nós mesmos. Iludimo-nos, achando que nos conhecemos, porém somos sempre surpreendidos com facetas desconhecidas de nossa personalidade.

Que diagnóstico as Escrituras fazem do coração humano?

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e incorrigível. Quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, e provo a mente, para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto das suas ações.” Jeremias 17:9-10
O pior dos enganos é o auto-engano! Nosso coração sempre nos prega peças. Seu grau de corrupção chegou a tal ponto que se tornou incorrigível. Em outras palavras, não tem jeito.

Uma das razões que levou o coração humano a chegar a tal estado é explicado por Salomão:
“Visto que não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto à prática do mal.”Eclesiastes 8:11
Deus não admite impunidade. Sua justiça requer que todo erro seja devidamente tratado. Porém, a aplicação de Sua disciplina sempre visa o bem e a restauração de quem errou. Entretanto, às vezes, tal disciplina parece tardar-se. E a razão desse retardamento proposital está explícita nas Escrituras: “Ele é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe.3:9). É a Sua misericórdia que suspende temporariamente o juízo, dando-nos tempo para que nos arrependamos (Ap.2:21). Mas o homem, em seu estado pecaminoso, entende isso como uma licença para pecar. Por isso, seu coração fica inteiramente disposto à prática do mal. Ele não percebe que a justiça de Deus tarda, porém não falha (Na.1:3).

Podemos crer em nossa própria avaliação?

Dado o estado lastimável do coração humano, como acreditar em sua capacidade de avaliação? Seríamos aptos a julgar com isenção? De acordo com o sábio Salomão, “o que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv. 28:26a). Quando julgamos os outros, geralmente somos severos em nossos critérios de avaliação. Mas quando julgamos a nós mesmos, somos sempre condescendentes. Como bem disse Salomão,“todos os caminhos do homem são inocentes aos seus olhos, mas o Senhor pesa os motivos” (Pv. 16:2). Há, portanto, uma instância que só Deus pode julgar: nossas motivações.

Deus não Se deixa impressionar por nossas atitudes. Ele avalia aquilo que as motivou. É possível fazer a coisa certa, mas pelos motivos errados. Aos olhos dos homens, parecemos santos e irrepreensíveis, porém, aos olhos de Deus estamos deixando a desejar.

Quando olhamos para dentro de nós, deparamo-nos com motivações inconfessáveis. E para tranquilizarmos nossa consciência, sempre buscamos justificativas. Em vez de buscar reconciliar-nos com Deus, buscamos nos reconciliar com o travesseiro.

Nossa avaliação só é válida quando concorda com a avaliação do próprio Deus. Não temos o direito de nos opor aos critérios apresentados na Sua Palavra. Se esta disser que algo é mal, não há o que se discutir. Vale aqui a admoestação de Isaías:

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal, que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade, que põem o amargo por doce, e o doce por amargo.” Isaías 5:20
Entre confiar em meu próprio paladar e confiar no que Deus diz, prefiro confiar cegamente em Sua Palavra. Meus sentidos não são inteiramente confiáveis. Devemos viver por fé, e não por vista. E viver por fé nada mais é do que submeter-se inteiramente à avaliação de Deus.

Achamos que somos profundos conhecedores de nós mesmos. Além de nossa típica condescendência, somos muito superficiais. Temos medo de nos aprofundar. Alguns dos nossos erros são patentes, porém outros nos são ocultos.
“Quem pode entender os próprios erros? Purifica-me dos que me são ocultos.” Salmos 19:12
Para sermos restaurados temos que trilhar o caminho do arrependimento e daconfissão. Arrepender-se é concordar com a avaliação de Deus, sem tentar justificar-se. Confessar é expor a ferida para que seja tratada. Mas como podemos nos arrepender e confessar aquilo que nos é oculto? Seria como se automedicar, sem saber de que enfermidade está acometido. Temos que passar por exames médicos, que vão diagnosticar com precisão a doença que precisa ser tratada. Sabendo disso, Davi orava ao Senhor: “Sonda-me, ó Deus...” (Sl. 139:23). Não é Ele que necessita nos sondar pra ver quem realmente somos. Esta sondagem visa nos fazer conhecer as facetas ocultas do nosso ser. Ele nos sonda para nos revelar o que está encoberto, e assim, nos possibilitar o arrependimento.
“Disse eu no meu coração: Isso é por causa dos filhos dos homens,para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como animais.” Eclesiastes 3:18

“A luz que a tudo manifesta” é acesa nos recônditos mais escuros do ser, possibilitando-nos enxergar toda a poeira acumulada na mobília da nossa alma(Ef.5:13). Ora, ninguém pode fazer uma faxina na casa com as luzes apagadas.

Como Deus sonda o nosso coração?

A análise química de uma substância é feita a partir da reação que ela tem a um determinado elemento. Por exemplo: a água e o álcool têm aparência semelhante… Mas cada um reage de maneira diferente ao fogo.

Deus se utiliza de vários elementos reagentes para nos provar. Nossa reação vai revelar o que há em nosso coração.

Um dos elementos usados por Deus para nos provar é a humilhação. Foi assim com o povo hebreu durante sua marcha de quarenta anos pelo deserto do Sinai. Confira o que disse o Senhor:
“Guarda-te de não te esqueceres do Senhor teu Deus, não cumprindo os seus mandamentos, os seus juízos e os seus estatutos que hoje te ordeno, para não suceder que, depois de teres comido e estares farto, de teres edificado boas casas e habitado nelas, e depois de se multiplicarem as tuas vacas e as tuas ovelhas, e aumentar a prata e o ouro e tudo quanto tens, se ensoberbeça o teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões, de terra árida e sem água onde fez jorrar para ti água da pedra dos rochedos, que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram, a fim de te HUMILHAR e PROVAR, e afinal te fazer bem. Não digas no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me proporcionaram esta riqueza.”Deuteronômio 8:14-17
Não se trata de sadismo! O propósito de Deus sempre é de nos fazer bem. “Humilhar” aqui não é pisar, mas ensinar a ser dependente. Tal humilhação visa nos precaver da soberba resultante de um espírito autossuficiente.

Outro elemento usado por Deus é a repreensão.

A razão pela qual Deus nos repreende é o Seu profundo amor por nós. É por se importar com o nosso bem, que Deus nos chama a atenção: “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enojes da sua repreensão, porque o Senhor corrige aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Pv. 3:11-12).

O sábio e o tolo agem de maneiras distintas quando repreendidos:
“O que ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que odeia a repreensão é estúpido.” Provérbios 12:1
Há duas maneiras de o tolo reagir à repreensão: ou ele se enoja, sentindo-se ofendido, ou fica indiferente. Às vezes a indiferença é pior do que sentir-se ofendido. O indiferente ouve, mas não escuta. A repreensão fica como água empoçada no asfalto. Mas o sábio reage diferentemente:
“Mais profundamente entra a repreensão no prudente, do que cem açoites no tolo.” Provérbios 17:10
tabela periódica de Deus está cheia de elementos com os quais Ele testa o coração humano: elogios, críticas, autoridade, prosperidade, adversidades, etc.


Como reagimos, por exemplo, a um elogio? E quando somos severamente criticados? E ainda: quando nos é delegada autoridade? Dizem que o poder é capaz de mudar os homens. Discordo! O poder não muda ninguém. Apenas revela o caráter antes disfarçado de virtudes.

Controle das variáveis

Deus sabe até onde podemos suportar e tem o controle de todas as variáveis. Dependendo das circunstâncias, a substância pode reagir ao elemento de maneira diferente.

Se Jesus não estivesse em jejum por quarenta dias no deserto, a tentação de transformar pedras em pães não faria qualquer sentido. Imagina se Ele houvesse saído de uma churrascaria gaúcha... Seria mais sugestível transformar pedras em sobremesa.

Jesus foi tentado ao extremo. Todos os seus limites foram postos à prova. E não pense que sua boca não se encheu de saliva quando ouviu a sugestão do Maligno. Embora não seja Deus o autor da tentação, Ele tem o controle de todas as variáveis. Deus prova, mas não tenta.

Observe o que Tiago diz sobre isso:
“Bem-aventurado o homem que suporta a provação, porque depois de ter passado na prova, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Tiago 1:12-14
O diabo entra de coadjuvante, ou se preferir, assistente de palco, responsável por compor o cenário. O ator principal é aquele que é tentado. Deus é quem permite a tentação, para que sejamos provados, e assim, saibamos o estado de nosso coração. Não façamos do diabo nosso bode expiatório!

Por ter o controle de tudo, Deus jamais permite que sejamos tentados além de nossa capacidade de resistência.
“Não veio sobre vós tentação, senão humana. E fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” 1 Coríntios 10:13
Somos tentados como humanos, não como deuses. Através da tentação, ficamos cientes de nossos pontos fracos. E assim, além de nos arrependermos quando caímos, passamos a redobrar a vigilância nas áreas onde somos mais vulneráveis. Temos que agir como “gatos escaldados”.


Reconhecendo os limites

Ora, se agora sei onde sou mais fraco e vulnerável, devo me precaver, evitando ao máximo me expor a situações melindrosas. Quem reconhece suas limitações, não vai querer correr riscos desnecessários. O penúltimo capítulo de Provérbios nos adverte para isso:
“Duas coisas te peço, ó Senhor; não as negues a mim, antes que eu morra: Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza, mas dá-me só o pão que é necessário, para que de farto eu não te negue, e diga: Quem é o Senhor? Ou empobrecendo, não venha furtar, e profane o nome de Deus.”Provérbios 30:7-9
Eis um homem que não confiava em seu próprio coração. Agur, autor dessas palavras, sabia que não estava pronto nem para a riqueza, nem para a pobreza. Ele preferia não correr riscos. Não se trata de covardia, mas de prudência.

Confiemos mais no Espírito da Graça e menos na força dos nossos braços e em nossa força de vontade. E que sejamos continuamente motivo de glória para o nosso Pai Celestial.

Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes