terça-feira, 1 de setembro de 2015

CONFORTOS, FAMA, VIAGENS E FROUXIDÃO EXISTENCIAL...


Quando eu era jovenzinho ouvia nas igrejas que o Comunismo tinha concluído que a melhor maneira de vencer o Capitalismo seria estimulando o estilo de vida capitalista, especialmente o lazer adoecido pelas drogas como “viagem”.

Obviamente que aos meus ouvidos de 14 anos de idade isso soava como ameaça, posto que nas igrejas o Capitalismo fosse a doutrina econômica de Deus e o Comunismo a do diabo. Além disso, eu sabia que existia também o desejo eclesiástico de fazer a juventude pensar que a cada baseado ou ácido [...] se estava chamando o “diabo do comunismo” para as nossas vidas.
Esqueci o assunto para sempre [...], até há pouco tempo atrás, quando vi um documentário sobre “Drogas Alucinógenas”, e em meio a tudo [...] lá se dizia justamente algo a respeito da KGB ter estimulado no passado o uso de LCD a fim de “alienar a juventude americana e internacional”...
Hoje, vendo um clipe musical na Vem e Vê TV e que foi feito pela Vinde, com letra minha e musica do Josué Rodrigues, e que compus a fim de estimular aCampanha Contra a Fome, do meu amigo Betinho, e que teve em mim um dos mais ardorosos proponentes e guerreiros do projeto na década de 90, lembrei das idéias conspiratórias das igrejas na minha juventude...
Isto porque [no clipe] vi muitos cantores gospel cantando juntos a minha musica, ao estilo “We are the World”, em um tempo quando eles todos ainda eram muitos puros e inocentes em relação ao que a maioria se tornou depois...
Os CDs, os DVDS, as paradas de sucesso, os contratos ricos, os Halls da Fama para eles criados, os cachês milionários, e, a reboque, as mulheres ou os muitos namoradinhos ou amantes, muito pó para animar os aleluias, muita vaidade para ungir o show — acabaram com eles todos...
Então me lembrei que ontem ao ver um filme sobre o radicalismo islâmico [...] pensei que o que de “melhor” poderia afetar a pulsão suicida de muitos dos que naquele meio fanatizado se oferecem para o martírio ou para a loucura terrorista [...], seria dar a ele todos os confortos dos veados dos meninos e meninas ocidentais...
Sim, se alguém deseja acabar com o terrorismo e com os homens bomba [...], basta que se faça um derrame de luxos, confortos e banalidades ocidentais sobre eles...
Sim, é fazer o território Palestino ou qualquer outro do mundo islâmico mais fanático [...] receber as desgraçadas benesses dos nossos adoecidos e enfraquecedores confortos, que, logo, logo, os guerrilheiros de hoje se tornarão os veadinhos de amanhã.
Sim! Já imaginou os jovens terroristas de hoje tendo cada um o seu DVD musical e seu status de artista do Islã?...
Rapidinho todo mundo viraria Infeliciano! Rsrsrs!
Assim, a esta geração se diz:
Jovens, eu vos escrevi porque sois frouxos, a Palavra de Deus morreu em vós e tendes vos dado avidamente ao Maligno!”
Por isto digo:
SOMENTE UM GRANDE PERRENGUE PODE SALVAR A ALMA DOS CRISTÃOS DO ESTADO DE AFETAMENTO FROUXO E ENFRAQUECIDO NO QUAL A ALMA DOS CRISTÃOS SE COLOCOU!
Pense nisso!

Caio

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Você tem certeza que ama ou é amado?


Por Hermes C. Fernandes


“O amor... não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” 1 Coríntios 13:5-6

Entre toda de descrição que Paulo dá acerca do amor, esta pequena porção capta minha atenção de maneira especial. Aqui são apresentadas seis características que, a meu ver, autenticam o amor.

Primeiro, o amor não se porta de maneira indecente, apelativa, inconveniente. Seu propósito jamais foi ferir os escrúpulos de quem quer que seja. Respeita-se a subjetividade alheia, seus valores morais, suas preferências. Desprovido desta característica, o amor se tornaria um insulto. Não se pode confundir a intimidade promovida pelo amor com invasão de privacidade. A comunhão entre seres não atenta contra a dignidade e individualidade, antes, as preserva.

Nossos interesses devem estar abaixo do interesse de quem se ama. Temos o direito de expor nossos desejos, sem, contudo, impô-los, antes, fazendo-os passar pelo crivo do outro. O outro sempre terá a última palavra. Caso esta não expresse a nossa própria vontade, isto não será motivo de irritação. Afinal, a felicidade do amado sempre tem primazia sobre a satisfação do amante.

Na maioria das vezes, a irritação ocorre quando nutrimos expectativas sobre-humanas de alguém, impossíveis de serem correspondidas. Quem ama se nega a irritar-se por reconhecer suas próprias limitações no outro, ainda que reveladas em áreas distintas.

O desprovido de amor sempre suspeita mal do seu semelhante. Se este demonstrar bom caráter, suspeita-se de sua integridade: “Ele não é tão bom quanto parece! Deve estar escondendo algo”. Se for criativo e inteligente, suspeita-se de sua autenticidade: “Duvido que a ideia tenha sido dele. provavelmente copiou de alguém”. Se for próspero, suspeita-se de sua honestidade: “Deve ter roubado ou trapaceado”. Se for generoso, suspeita-se de sua motivação: “Deve querer algo em troca”. Porém, o verdadeiro amor jamais suspeita mal, nem perde seu tempo procurando chifres em cavalos. Em vez disso, ele aposta na integridade, autenticidade, honestidade e na boa motivação do outro, sem buscar qualquer razão para duvidar.

É insuportável conviver com quem suspeita de tudo e de todos. Quando não acusa diretamente, faz insinuações infundadas, atentando contra a credibilidade do outro. Quem ama, buscará preservar a reputação do seu semelhante.

Semelhantemente, quem ama jamais torce contra o outro, nem comemora a sua derrota, sentindo-se vindicado e deixando escapar um “bem feito!”. E, se porventura, o outro alcançar algum êxito, quem ama não o invejará, tampouco se sentirá traído por Deus ao permitir isso. Caso tenha sido ofendido e perdoou, seu perdão será validado pela alegria que sentirá assistindo à vitória de quem o ofendeu. 

domingo, 30 de agosto de 2015

Música


Música (de Musiká, cuja raiz vem do egípcio moys água,como símbolo das vibrações, pois o universo é um conjunto de vibrações heterogêneas, para os egípicios. A música era a arte suprema, por ser aquela que nos faz captar as vibrações, penetrar mais
diretamente no simbolizado. Daí vem o termo Moysés, o salvo das águas, o que vem das águas, o que recebe o influxo das vibrações suprema, o eleito).

sábado, 29 de agosto de 2015

Só para os íntimos...



Por Hermes C. Fernandes

“Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.” 
Cânticos 4:12


Nossa vida é dividida em três esferas: a pública, a privada e a íntima.

A esfera pública é aquela à que todos têm acesso. Nela desenvolvemos alguns dos nossos papéis sociais mais importantes, tais como empregado ou empregador, chefe de família/dona de casa, professor ou aluno, cidadão, consumidor, etc. Estamos constantemente sendo avaliados pelos que nos cercam. Por isso, devemos tomar os cuidados necessários para que nosso comportamento não comprometa o nosso testemunho.

Porém, estabelecemos um perímetro e dizemos: Daqui ninguém passa, a menos que seja permitido. Trata-se, portanto, da esfera privada. Nunca época em que nossas vidas ficam expostas nas redes sociais, e somos vigiados 24 horas por dia através de câmeras espalhadas pela cidade, nunca se valorizou tanto a privacidade. Pode-se dizer que ela tem se tornado artigo de luxo. 

Há uma cerca que delimita a fronteira entre as esferas pública e privada de nossa vida. Apesar de nem todos serem bem-vindos, alguns se aproveitam das brechas da cerca para nos espreitar. Trata-se da prática do voyeurismo social. Querem saber como vivemos, como nos relacionamos, o que consumimos, etc.

Nossa vida privada deve ser como um jardim fechado. E será nesta esfera que faremos a triagem através da qual selecionaremos quem deve ter acesso à nossa intimidade.

Se a privacidade é guardada por cercas, a intimidade deve ser guardada por paredes bem espessas, mantida numa espécie de cofre à prova de invasão.

Nossa intimidade equivale a uma fonte selada, inacessível a quem não for convidado a dela desfrutar. Se para entrar na esfera privada precisa-se permissão, para entrar na esfera da intimidade requer-se convite. A intimidade é valor que não se pode violar, tão pouco negociar. 

Ninguém deverá saltar da esfera pública para a intimidade sem passar pela privacidade.

Alguns critérios devem ser respeitados antes que alguém se introduza em nossa intimidade.

Não há intimidade sem liberdade, nem liberdade sem confiança, nem confiança sem comprometimento, nem comprometimento sem amor, nem amor sem conquista. Quando falta confiança, os alicerces da intimidade vêm abaixo. E só há confiança legítima, havendo amor. Pode-se dizer que amor e confiança são os dois querubins que guardam nosso jardim.

A intimidade é, por assim dizer, a coroação do amor. Intimidade sem amor nos faz sentir usados. Amor sem intimidade nos faz sentir desperdiçados.

Um dos maiores empecilhos à intimidade é a timidez, que consiste num bloqueio que nos torna inacessíveis. A timidez sugere que não queremos nos dar a conhecer. Preferimos o isolamento, a alienação. Ilhamo-nos em nosso mundo particular, contentando-nos com nosso narcisismo. Achamo-nos auto-suficientes. Bastamo-nos. 

Por isso os tímidos encabeçam a lista dos que não herdam o Reino (Ap.21:8), pois são incapazes de abrir-se ao outro. Sua intimidade é preservada ao custo da comunhão.

A timidez é uma represa que precisa ser rompida para que o amor flua com liberdade levando-nos a desaguar no mar da comunhão.

A timidez revela que estamos mais preocupados em nos preservar do que em promover a felicidade do outro.

Portanto, abramo-nos à comunhão, deixando de lado o que nos distancia uns dos outros. Porém, sejamos seletivos para com aqueles que desfrutarão de nossa intimidade. Que conquistem antes nossa confiança e revelem em gestos e palavras a sua lealdade.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Pergunta idiota, tolerância zero!


Por Hermes C. Fernandes


O mesmo Jesus que tratava cordialmente àqueles que eram considerados os párias da sociedade, revelava-se diametralmente enérgico no trato dispensado aos religiosos de sua época. Basta uma conferida nos adjetivos nada amistosos que usava em referência a eles. O preferido deles era, sem dúvida, “hipócritas”

Entre as principais facções religiosas da época, duas se destacavam por sua rivalidade: os fariseus e os saduceus. Os fariseus eram a ala conservadora, fundamentalista, enquanto os saduceus eram a ala progressista, liberal. Jesus não se alinhava ideologicamente com nem uma das duas. Se alguém perguntasse de que lado estava, Jesus certamente responderia mais ou menos como respondeu aos discípulos enviados por João Batista para testá-lo: “Aos pobres é pregado o reino de Deus.” 

Mateus relata um episódio em que os saduceus se aproximaram d’Ele para suscitar uma discussão acerca da ressurreição (Mt.22:23-46). Em vez de irem direto ao ponto, preferiam apelar a uma pergunta capciosa. 
“Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; por fim, depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?” 
Parece que ouço o cochichar de alguns deles: Quero ver se ele vai se sair dessa!  Sem papas na língua, Jesus respondeu: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” 

Pergunta idiota, tolerância zero! Não basta conhecer as Escrituras e continuar subestimando o poder de Deus. Nem basta considerar o poder de Deus, ignorando o que dizem as Escrituras, tanto em suas linhas, quanto em suas entrelinhas. As Escrituras visam revelar a vontade geral de Deus, mas não podemos supor que Ele seja refém das mesmas. Ele segue agindo com absoluta soberania e autonomia, sem ter que dar satisfação a quem quer que seja. Portanto, não perca seu tempo buscando enredá-lo com seu parco e modesto conhecimento bíblico. 

O problema não são as Escrituras em si, mas nossa compreensão prejudicada por nossos pressupostos e preconceitos. Na resposta dada por Jesus aos saduceus, fica claro que certas instituições que vigoram desde a criação, perderão sua validade quando adentrarmos os portais eternos. Ninguém vai levar certidão de casamento para o céu! Todavia, laços terrenos serão substituídos por laços eternos. 

As multidões ficaram maravilhadas com a resposta de Jesus. Quando os fariseus viram que Jesus calou os saduceus, seus arquirrivais, reuniram-se imediatamente. Posso imaginar o papo entre eles: Viram o que Ele fez com os saduceus? Será que Ele é dos nossos? Se não é, que tal trazê-lo para o nosso lado? 

Ao vê-los reunidos como abutres sobrevoando a carniça, Jesus se aproximou e perguntou-lhes: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?” Eles responderam unânimes: “De Davi!” 

Bingo! A resposta estava... exata! Pronto. Já podiam ser recrutados como discípulos. Ou será que não? Será que basta ter as respostas certas? Basta ter uma teologia correta? Basta seguir a ortodoxia? Basta repetir feito papagaio o que dizem os compêndios teológicos? Se Jesus houvesse escolhido um lado, teria optado pelo o que tinha a melhor teologia? 

Quando eles esperavam um tapinha nas costas, Jesus se vira e diz: “Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?” 

Os saduceus devem ter comemorado. Pau que dá em saduceu, também dá em fariseu. A questão levantada por Jesus tinha como objetivo mostrar que as coisas não são tão simples como parecem. Nem tudo é preto no branco. Cada questão tem sua complexidade, apesar de nem sempre atentarmos para isso. A partir daí, ninguém mais se atrevia a fazer qualquer pergunta. Em vez disso, começaram a tramar contra Sua vida. 

A propósito, Jesus jamais se sentiu ofendido por alguém expor suas dúvidas e questionamentos. O problema era quando as perguntas tinham como objetivo expor uma suposta contradição a fim de ridicularizá-lo e minar Sua credibilidade.

Numa das mais calorosas discussões que tivera com os fariseus (Jo. 8:39-49), estes apelaram à sua ancestralidade: “Nosso pai é Abraão!” Sem se intimidar, Jesus respondeu: “Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me (...) Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” A chapa esquentou! Ele jamais usou termos tão fortes no trato dispensado a meretrizes e publicanos. Em outra ocasião, Ele os chamou de“geração adúltera”, expressão próxima a “filhos da p*ta”. Mas daí, chamá-los de “filhos do diabo” já era demais. Ou não? 

Os fariseus não deixaram barato. Devolveram na mesma moeda. “Não dizemos bem que és samaritano, e que tens demônios?” Com estas palavras eles vomitaram todo o preconceito que tinham contra aquela raça mestiça que transitava entre eles: os samaritanos. O que haveria de errado em ser samaritano? Absolutamente, nada. Mas o uso que eles fazem do termo denota um preconceito raivoso.  Nos artigos anteriores, exploro mais este tema. Por favor, não deixe de lê-los. 

Jesus respondeu: “Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.” Repare, apesar de não ser samaritano, Ele não os desmente, mas, apenas afirma não estar endemoninhado. Se dissesse que não era samaritano, poderia parecer que estivesse endossando aquele preconceito idiota.

De onde tiraram a ideia de que Jesus fosse samaritano? Não foi Ele mesmo que destacou a gratidão do samaritano que fora curado de sua lepra, enquanto os outros nove, que eram judeus, nem sequer voltaram? Não foi também Ele que foi flagrado conversando despudoradamente com uma samaritana de moral duvidosa à beira de um poço? Não foi Ele que impediu que dois de Seus discípulos rogassem a Deus para que enviasse fogo do céu para consumir toda uma aldeia samaritana? E por que içou um samaritano ao papel de protagonista de uma de Suas principais parábolas? Agora, chegara a fatura e Ele teria que pagar. Quem mandou demonstrar compaixão por aquela gente detestada por Seus patrícios? Talvez seja por isso que muitos preferem manter distância de certas questões. Temem ser estigmatizados por defender causas consideradas abomináveis tanto para os fariseus conservadores, quanto para os saduceus liberais. Enquanto isso, Jesus vai tomando sobre Si as nossas dores, sem importar-Se com o estigma que terá que carregar. Muito mais importante do que a reputação é a compaixão que demonstramos para com aqueles com os quais não possuímos qualquer identificação. O resto... que se dane! Da próxima vez que me perguntarem de que lado estou, terei o prazer de responder: Estou do lado daqueles de quem Jesus certamente estaria.

Fonte: Hermes C.Fernandes

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Intolerância Zero - Para que os perseguidos jamais passem a perseguir



Por Hermes C. Fernandes


Estou profundamente indignado e envergonhado. Como alguém pode identificar-se como seguidor do maior pacifista que já existiu e ainda assim ser capaz de agredir um adepto de outro credo? Como um povo que um dia foi duramente perseguido, pode agora se prestar a perseguir a outros? Onde foi parar a principal mensagem de Jesus, o amor?

Uma criança de apenas 11 anos, que poderia ser minha filha, foi alvo da intolerância e agressão por parte de um grupo que ostentava bíblias e gritava frases como “Vocês vão para o inferno!” e “Está repreendido em nome de Jesus!” Se ficasse só na gritaria, ninguém sairia machucado. Mas um deles teve a infeliz ideia de arremessar uma pedra na direção do grupo de candomblecistas que acabara de deixar uma festa no centro que frequenta. A pedra ricocheteou ao bater num poste e acabou atingindo a cabeça da menina, que começou a sangrar. O crime ocorreu no bairro de Vila da Penha, subúrbio carioca.

Que Bíblia esses “irmãos” estão lendo? Ou melhor, o que eles estão ouvindo do púlpito da igreja onde frequentam?

Piores do que aqueles que lançaram a pedra são os que armaram suas almas, munindo-as de discursos odiosos travestidos de piedade religiosa.

Peço a Deus que poupe o Brasil de passar pelo mesmo que a Irlanda do Norte por três décadas seguidas. De um lado, católicos fervorosos, do outro, protestantes. Resultado: milhares de mortos. O mais famoso episódio desse conflito histórico aconteceu no dia 20 de janeiro de 1972, quando catorze manifestantes católicos morreram na cidade de Derry, num incidente que ficou conhecido como Domingo Sangrento (episódio que inspirou a canção “Sunday Bloody Sunday” do U2). Até o ano 2000, mais de 3.600 pessoas haviam sido mortas de ambos os lados.

Recuso-me a crer que nosso país tenha tal vocação. Sempre fomos um povo cordato, de convívio amistoso. Fatos como este, ainda que isolados, deveriam nos estarrecer. Mas, parece que estamos começando a nos acostumar. E o pior é quando sinalizamos com uma bandeira branca, pedindo que os religiosos aprendam a arte da coexistência respeitosa, somos acusados por irmãos da mesma fé de estarmos aderindo ao ecumenismo (o que para alguns setores da igreja protestante é a heresia das heresias).

Não precisamos concordar com os dogmas da religião alheia para respeitarmos os seus adeptos. Todas tem em comum o fato de buscarem sentido na existência. O próprio Paulo, o apóstolo dos gentios, disse que Deus permitiu que cada povo o buscasse como quem está tateando na escuridão. Respeitá-los não significa abrir mão do que cremos, nem relativizar o papel único de Cristo como Salvador dos homens. 

Cada cultura e tradição espiritual traz traços da graça comum. O Criador não nos deixou entregues à própria sorte, mas deu testemunho de Si mesmo e do Seu amor através de cada elemento da criação. Creio que não preciso citar as passagens bíblicas que comprovam isso.

Se insistirmos na intolerância, ela poderá nos custar a tão cara liberdade de culto que prezamos. Se não queremos ser importunados em nosso momento de culto, não queiramos calar os tambores dos terreiros, nem os sinos das catedrais.

Nosso papel como discípulos de Jesus não é atacar o credo alheio, mas amar incondicionalmente aos adeptos de qualquer expressão religiosa. Antes de pregar com palavras, a gente deve pregar com gestos. Como dizia Francisco de Assis, pregue em todo o tempo, e se precisar, use palavras. 

Antes de acusá-los de possessão demoníaca, deveríamos exorcizar os demônios do preconceito que assombram nossas próprias almas. Antes de acusá-los de idolatria, deveríamos nos livrar de nossos ídolos secretos, dentre os quais, nosso apego ao dinheiro. Antes de acusá-los de bruxaria, deveríamos abdicar da presunção de que podemos manipular a vontade de Deus a nosso favor através de ofertas e correntes.

Ora, se temos todos telhados de vidro, não seria melhor que fôssemos mais compassivos uns com os outros? O diálogo sempre funciona melhor do que o embate. Mãos estendidas costumam ser mais eficazes que dedos apontados.

Aproveito este post para lançar uma campanha: Intolerância Zero. Se você não quer ver uma “guerra santa” instalada em nosso país, ajude-nos a divulgar com as hashtags #intolerânciazero e a #euescolhiamar.

Também aproveito para, em nome dos cristãos conscientes, rogar o perdão da menina atingida pela pedra. Que o bálsamo do amor de Deus possa cicatrizar, não apenas a ferida aberta em sua cabeça, mas, sobretudo, a ferida que lhe abrimos na alma.

Fonte: Blog de Hermes C. Fernandes