segunda-feira, 17 de março de 2014

Adoradores do Miojo Profético


Renato Russo dizia pertencer à geração Coca-Cola. O tempo passou e hoje a nossa geração se identifica com outro produto. O miojo.

Somos a geração do instantâneo.

Um toque no IPhone nos coloca em contato com o mundo inteiro. São tantas redes “sociais”. Não precisamos nos preocupar com endereços já que o GPS conhece todos os caminhos do planeta inteiro.

Este novo mundo instantâneo é tão atraente e eficiente que várias vezes chegamos a nos perguntar como era possível até bem pouco tempo viver sem essas facilidades.

Nos esquecemos que a Bíblia foi escrita em outra época. No ritmo das ferramentas dos agricultores, na cadencia dos pastores nos campos onde a vida corre sem pressa e onde a urgência é falta de sabedoria.

Na esfera da fé também mais do que nunca queremos resultados imediatos. Tudo está tão organizado, sistematizado e catalogado que para conseguir alguma coisa de Deus basta seguir 12 passos para isso, 8 semanas para aquilo e BUM!! Resultado alcançado. Daqui a algum tempo vamos pedir que o Senhor responda nossas orações de preferência em até 140 caracteres.

Nos esquecemos que o convite de Jesus aos apóstolos não foi para seguirem-no e viver três anos de aventura. Foi, sobretudo um gracioso desafio a seguirem-no por toda vida e para além dela.

Conhecer Jesus é muito mais que 7 semanas de campanha. É mais profundo do que algumas pregações e músicas nos sugerem. Às vezes parece que alguns estão adorando um deus miojo. Um deus para hoje, para já. E só.

A maior prova disso é a multidão de crentes com medo da morte lotando as igrejas. Perdemos o foco do eterno. Não desejamos mais cumprir a carreira e receber o maior prêmio de todos. Ver Jesus face a face. Desejamos ardentemente esse mundinho de pequenas facilidades e bênçãos instantâneas.

Como você tem tratado Jesus em seu coração?

Como um deus miojo?

Ou como um Deus tão infinito e maravilhoso que nem a eternidade inteira vai ser suficiente para descobrir toda largura e profundidade de Seu amor?

Texto: Clayton Olee


Imagem by Ruben Mukama
Fonte: Blog de Hermes C.F.

sábado, 15 de março de 2014

O CIÚME DO ESPÍRITO SANTO EM MIM!



Quando se diz que “o Espírito Santo nos habita e que sente ciúmes de nós” em Seu zelo pela nossa vida, muita gente pensa “em ciúmes” com as mesmas categorias que um cônjuge sente ciúmes de um outro que ande em leviandades ou em descuidos relacionais.

Entretanto, não é assim o ciúme do Espírito. O ciúme do Espírito é em favor da nossa felicidade e da nossa saúde de consciência; não sendo, portanto, um ciúme passional ou mesquinho.

O ciúme do Espírito é contra tudo o que não seja vida segundo Deus; é contra toda nossa traição de nós mesmos e da vida; é um insurgir-se divino em nós em razão da violação da nossa consciência; é uma tristeza santa pela nossa entrega ao que mata ou adoece o ser; é apagar de alegria de Deus em nós por causa da nossa alegria entorpecida; é o desnamoro do eterno com as nossas más escolha no existir!

O Espírito sente ciúmes do modo como não damos valor a nós mesmos, entregando-nos de modo banal ao que não seja carregado de significado, vida e amor. 

Por esta razão o Espírito se entristece e se enciúma de tudo quanto seja mentira contra a Verdade; ou de tudo aquilo que se faça contra o próximo; ou de tudo aquilo que seja promiscuidade minha contra a integridade do meu ser!

O Espírito não sente ciúme da sua namorado, mas do seu modo de namorar; não sente ciúmes do seu sexo, mas da escolha des-significada com a qual você o pratica; não sente ciúmes da sua felicidade, mas do seu autoengano de felicidade; não sente ciúmes do seu trabalho, mas do modo como você o faz; não sente ciúmes do seu amor, mas da sua possível idolatria afetiva.

O Espírito Santo sente ciúmes em favor daqueles a quem deliberadamente provocamos ciúmes; sente ciúmes das nossas vaidades; das nossas soberbas; das nossas escolhas pelas banalidades; das nossas obediências ao capricho divinizado; das nossas idolatrias materiais; dos nossos cultos ao sucesso; da nossa relação com o sagrado como se fosse com Deus; da nossa entrega à religião como um fim em si mesmo; dos altares de falsas importâncias aos quais nós possamos nos dedicar!

O ciúme do Espirito não é pela sua beleza, ou pela sua roupa, ou pela arte que você aprecie; ou pelas maravilhas que você contemple; ou pelo filme proibido para menores que você viu e gostou; ou pela musica não sacra e não gospel que agrada tanto a você.

O ciúme do Espirito é contra tudo o que eu não possa fazer em Deus, dando graças a Deus, e com amor, respeito e reverencia para com o meu próximo e para com a vida!

O Espírito Santo me habita; sou cheio Dele; sou santuário Dele; sou Sua casinha de amor!

Assim, o ciúme do Espírito tem a ver com o que trago para o coração como se pudesse ter em mim um lugar para Deus e um outo para o que não se apresenta em santidade e pureza diante do Eterno habitante do nosso ser.

O ciúme do Espírito não vem de fora, mas do que me possui dentro, nos meus pensamentos, nos meus sentimentos, nas minhas produções de consciência, na fábrica interior do meu coração!

Assim, o ciúme do Espirito por mim tem apenas a ver com a falsificação de mim mesmo em relação ao sentido da Vida que eu acolhi no Evangelho.

Então, quando é assim, o Espírito geme angustiado em mim; e, frequentemente as angustias que sinto são as angustias Dele em mim; buscando me lembrar de que a vida com Deus é um casamento da consciência com a verdade, a fé e o amor; e que as implicações disso têm a ver com o alinhamento do meu seu ao Caráter do Amor de Deus, segundo Cristo em mim. 


Nele, em Quem o que é santo é santo,


Caio

sexta-feira, 14 de março de 2014

ALGUÉM ACHA QUE JESUS NÃO SABIA?...


Uma das afirmações mais fortes e realistas de Jesus acerca do sucesso do Evangelho na Terra, digo “sucesso” mensurável por categorias visíveis, foi a sua pergunta “Quando vier o Filho do Homem, porventura encontrará fé na Terra?
Ele manda que se pregue no mundo todo, a todas as nações, e que se dê testemunho do Seu amor pelos homens, enquanto no ato do viver/pregar, dizia Ele, os que fossem Seus mensageiros e discípulos, amar-se-iam uns aos outros, pois, somente assim o mundo creria...
Ao mesmo tempo Ele declara que quando o Filho do Homem voltasse... fé seria uma raridade no chão do planeta.
Ele manda pregar ao mundo, mas diz: “Se o mundo me odiou, odiará também a vocês”.
Ele ordena que se dê testemunho a todas as nações, mas não disse que as nações se converteriam...
Todavia, quando disse que somente o amor entre os discípulos é que seria o poder comprovador da eficácia do Evangelho, e, assim, seria o único poder com a força necessária para, como testemunho, curvar o mundo ante as evidencias de Seu poder manifesto como cura humana, pelo amor, entre os Seus discípulos... —, também disse que quando o Filho do Homem voltasse não encontraria fé na Terra.
Ora, com isto Ele dizia que se os discípulos se amassem o mundo teria uma chance; mas se não se amassem, nem o mundo, e menos ainda os discípulos, teriam qualquer chance; pois, para Jesus, Igreja sem amor não existe; é sino tocando como latão de má qualidade; é como blasfêmia cantada com cara contrita; é como homem e mulher fingindo que estão tendo prazer; é como o que tivemos: o Cristianismo com cara de poder romano ou terreno..., mas sem nada de Jesus.
Ora, Jesus sabia que assim ninguém creria..., pois, Ele mesmo não creria...
E se Jesus não crê em algo, quem mais genuinamente poderá dizer que sua fé naquela coisa seja real?
Jesus somente se convence ante a fé que atua pelo amor!
Ora, o que não for assim não convencerá a Ele; e como é Ele, pelo Seu Espírito, quem convence o mundo, tal anuncio do “evangelho” no qual Jesus não creia [posto que ainda que “certo” não seja fruto do amor], não convencendo primeiro a Ele, não convencerá ao mundo; pois, não tendo o testemunho Dele, não terá poder sobre o mundo.
Por isto somente me interessa pregar aquilo no que Jesus creia.
Creia em mim..., a partir da coerência da mensagem com o desejo sincero da vida em amor e em perdão para com todos, indiscriminadamente; e não somente isto, mas capaz de manifestar amor simples por todos os homens.
No entanto, esses serão sempre um pequenino rebanho... Pois, os discípulos não se amaram e não se amam, não crêem que sem amor nada aproveita, e insistem em pregar aquilo no que Jesus não crê..., que é um evangelho sem amor e misericórdia.
Por isto, o afã da “igreja” de pregar sem amar, é sua própria condenação, pois, pela falta de amor, a pregação se torna apenas uma barulheira dos infernos...
Assim é a profundidade do realismo de Jesus acerca do “sucesso” da Sua mensagem entregue à Igreja que virou “igreja”.
Enquanto isto, o "Legião Urbana" parece saber disso melhor do que a "igreja":http://www.youtube.com/watch?v=AKqLU7aMU7M

Nele, quem não levou susto com nada do que fizemos,

Caio

Espiando pelas frestas da janela...


Por Hermes C. Fernandes


Um dos mais aclamados filmes de Alfred Hitchcock é "Janela Indiscreta". Lançado em 1954, o suspense gira em torno do fotógrafo profissional L.B. Jeffries está confinado em seu apartamento em Greenwich Village, Nova York, por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com uma lente tele-objetiva, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um homem matou sua mulher e escondeu o corpo. Com a ajuda de sua noiva Lisa, Jeff vai tentar provar que está certo.

Outros filmes já usaram a janela como tema e cenário. O último grande sucesso envolvendo o tema foi "Janela Secreta", baseado no bestseller de Stephen King. Estrelado por Johnny Depp, conta a história de um escrito em crise que decide isolar-se em uma cabana, mas passa a ser incomodado por um homem que o acusa de plágio.

De fato, nossa sociedade é fissurada em janelas. Até o sistema operacional de computador mais difundido no mundo é conhecido como "windows" ("janelas", em inglês).

Diferente das portas, que servem de passagem entre um ambiente e outro, as janelas nos oferecem uma vista panorâmica do mundo à nossa volta, preservando porém a nossa privacidade.

Entre as frestas das cortinas e persianas, podemos espiar, sem ser notados.

Deve-se ter cuidado com as janelas! Daniel, em seu exílio na Babilônia, abria as janelas do seu quarto para que pudesse orar voltado para Jerusalém. Porém, não podia imaginar que seus acusadores o espreitavam, aproveitando a visão proporcionada por suas janelas, buscando motivos para acusá-lo perante o rei, e assim, destituí-lo do cargo que tanto cobiçavam (Dn.6:10).

Às vezes, também serve pra fuga, como fez Paulo dentro de uma cesta, ajudado por irmãos (2 Co.11:33). Também ajuda na circulação de ar. Imagine o que seria da Arca de Noé sem uma janela!

Alguns a usam para sentar em seu parapeito, correndo o risco de cair, como aconteceu com Êutico, enquanto cochilou ouvindo a pregação de Paulo (At.20:9). Minha mãe conta que quando eu tinha 4 anos, sentei-me da janela de nosso apartamento no terceiro andar, e pra me tirar dali, ela teve que se aproximar silenciosamente para não me assustar.

Dentre todas as histórias bíblicas envolvendo janelas, nenhuma chama tanta minha atenção quanto a de Davi e Mical.

Mical era filha de Saul, antecessor e oponente de Davi. Foi usada pelo próprio pai como armadilha para enredar a Davi (1 Sm.18:20-21). O dote exigido por Saul por sua filha era de cem prepúcios de filisteus. Em vez de ser morto pelos filisteus, como esperava Saul, Davi trouxe não apenas cem, mas duzentos prepúcios.

Nenhuma mulher custou tanto a um homem! Os duzentos filisteus não perderam só o prepúcio, mas também a própria vida. Pelo menos, Mical estava apaixonada por Davi.

Numa ocasião em que seu pai intentava tirar a vida de Davi, Mical providenciou sua fuga através da janela do seu quarto (1 Sm.19:12). Tomando uma estátua, deitou-a na cama e a cobriu. Resultado: enganou o próprio pai para salvar a pele de seu amado.

Mas em vez de dizer que fizera aquilo por amor, Mical contou ao seu pai que havia sido ameaçada de morte por Davi, piorando ainda mais a situação. Parecia que entre Mical e Davi as contas estavam ajustadas. Ela lhe havia custado tanto, porém, em um momento crucial, salvou sua vida.

O tempo passou, Saul morreu, e Davi ascendeu ao trono de Israel. Uma de suas mais importantes empreitadas foi trazer de volta para Jerusalém a Arca da Aliança. Em uma procissão festiva, Davi vinha à frente do povo, dançando euforicamente.

Em vez de juntar-se à multidão naquela santa folia, Mical preferiu assistir da janela de seus aposentos, a mesma que ela usara para livrar a Davi. Se ela apenas assistisse, não haveria qualquer problema. Porém, a liberdade com que Davi dançava e louvava a Deus a incomodou. Pra ela, tudo não passava de exibicionismo.

O que, na opinião de Mical, lhe dava o direito de censurá-lo? Acredito que haja duas respostas:

1 - O senso de valor próprio - Afinal de contas, ela lhe havia custado muito caro, e isso parecia apontar para o alto valor que possuía. Muitos cristãos imaginam que o alto preço pago por Jesus pela nossa salvação revela o quão valiosos somos. E por conta disso, acham que têm o direito de sair julgando todos à sua volta. É como se ninguém mais tivesse valor tão alto. Mas a verdade é que o custo alto pago por Jesus não revela nosso valor, e sim a gravidade de nossos pecados. Quando um Juiz estabelece o valor de uma fiança, não o faz com base no valor do criminoso, mas na gravidade do seu crime. Não possuímos um valor intrínseco que nos coloque acima dos demais. O único valor que temos é o que nos foi atribuído, sem qualquer explicação, exceto o amor de Deus. Portanto, não temos o direito de julgar ninguém.

2 - O senso de justiça própria - Mical poderia imaginar que o fato de haver salvo Davi das mãos de seu pai, conferia-lhe o direito de julgá-lo. Muitas pessoas respaldam suas ações numa espécie de contabilidade, onde cada boa ação lhes dá o direito de cobrar da parte beneficiada. São motivadas sempre por interesses escusos. Quando agem como benfeitores, na verdade, estão agindo como credores.

Será que o fato de um dia haver ajudado a Davi, ou mesmo o fato de seu dote ter custado tão caro, davam-lhe o direito de desprezar e criticar seu marido?

A janela era ao mesmo tempo, o cenário e a testemunha do que ela havia feito por Davi. A mesma janela usada para ajudar, agora era usada para criticar e emitir juízo.

Ao fim da festa, "voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele, e lhe disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um vadio qualquer" (2 Sm.6:20).
O preço pago por Mical por esta conduta indiscreta e repleta de juízo foi mais caro do que o preço que Davi pagou por seu dote.

O episódio se encerra com a seguinte sentença: "E Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte" (v.23).

Tal qual Mical, muitos fazem o bem a espera do momento certo para cobrar. Outros se acham no direito de nos criticar e censurar, por um dia nos ter feito algum bem. Por conta disto, muitos têm se tornado espiritualmente estéreis e infrutíferos.

Se fecharmos a janela indiscreta do preconceito, do julgamento precipitado, Deus nos abrirá as janelas dos céus, e nos derramará Suas bênçãos, tornando-nos frutíferos em toda boa obra.