terça-feira, 1 de julho de 2014

AGENCIA DE PUBLICIDADE DE MILAGRES

 


Que alguns grupos religiosos “evangélicos” se utilizam de equipes formadas por publicitários e marketeiros profissionais, que trabalham produzindo as “campanhas” de tais “igrejas”, eu já sei há 20 anos.

São Campanhas do Estilingue de Davi, da trombeta de Josué, da lã de Gideão, do altar de Abraão, da Arca da Aliança, do Cordeiro do êxodo, etc.

Mas o que é novo para mim foi saber ontem por um amigo muito bem informado, que o responsável pela agencia que cuida de criar os testemunhos de prosperidade de um desses grupos (o maior deles), o procurou propondo uma conversão dele ao grupo, a fim de impressionar o povo (ele é pessoa bem conhecida).

Foi em tal conversa que o dono da agencia disse a ele como faziam com os testemunhos de prosperidade empresarial.

Disse o homem que pegam o negócio falido de uma pessoa, injetam dinheiro, e, depois, compram um novo ponto do negócio, e botam a pessoa “no ar”, na televisão, dizendo como prosperou depois da “campanha de prosperidade”.

Disso eu sabia de ouvir dizer. Mas foi a primeira vez que alguém me diz que foi abordado pela agencia de propaganda a fim de ser um dos “testemunhos”.

Esse meu amigo estava falido e, por tal razão, foi abordado. Criam que ele não resistiria a oferta de virar um menino propaganda da “igreja”, dizendo como prosperara depois de ter entrado para aquele lugar de milagres.

O dono da agencia é um judeu. Meu amigo disse a ele que não faria isso contra Deus. Mas o dono da agencia disse: “Que é isso? Deus não está nisso. É só negocio, só business. Eu até sou judeu. Mas faço esse trabalho pros evangélicos. Só negócio. Entra. Vamos lá. Vai ser bom pra você”.

Meu amigo disse que foram dias de insistência.

Desse material são feitos os milagres de tais grupos.

Fernandinho Beira-mar é um fedelho perto desses bandidos da religião do engano, do dinheiro e da prosperidade.

É a mágica do estelionato. É a bruxaria do engano. É a feitiçaria da imagem. É maldição da criação fantasiosa. É a operação do diabo. É transformar pedra em pão artificial. É a gargalhada do inferno, vendo as pessoas darem glória a Deus pela mentira.

Deus não tem glória em nenhuma mentira que sendo dita em nome de Deus, faz as pessoas dizerem: “Louvado seja Deus!”

Deus só tem glória na verdade!

E assim vão de engano em engano, até que vejam que foram também enganados pelo inferno.


Caio

Entre aspas - Um Poema

 

 
Para quê tantas asneiras
Se inventaram as “aspas”?
Uns comem pelas beiras
Outros se fartam de raspas
Desqualificam o oponente
Expondo-o ao ridículo
Vale é o escândalo recente
Não importa o seu currículo
Quem nos deu procuração
Pra pensar pelos demais?
Se quiser dar sua opinião
Tem que provar ser capaz
Basta dizer o que pensa
E as pedras lhe atingirão
Porém sua recompensa
Vai além de se ter razão
Se deles recebe sentença
de Deus vem seu galardão
Ser autêntico tem um preço
Quem se dispõe a pagar?
Se agrado ou se aborreço
Ou se vão me difamar
No meu rumo permaneço
Sei aonde vou chegar
Não me tratem pelo título
Entre aspas ou colchetes
Isso é só mais um capítulo
Falem grosso ou em falsetes
Só me nego andar em círculo
Iludido entre os verbetes
Por Hermes C. Fernandes em 26/06/2014


segunda-feira, 30 de junho de 2014

A gente não é feito pra acabar!

 


Por Hermes C. Fernandes
Durante estes dias de Copa do Mundo, o Brasil se transformou numa enorme caldeira cultural. Gente de todas as línguas e matizes culturais convivendo pacificamente nos mesmos espaços urbanos. Os mais curiosos se perguntarão: de onde vem tal variedade cultural? Ou ainda: de onde procede o fenômeno cultural? 
A vocação primordial do homem é a de cultivar a terra. O texto sagrado diz que o Criador tomou o homem a quem criara à sua imagem e semelhança e o pôs no Jardim do Éden, incumbindo-lhe de guardá-lo e cultivá-lo (Gênesis 2:15). Surgia aí a cultura. A própria etimologia da palavra encerra este significado. “Cultura”do latim colere, que significa cultivar. Portanto, a cultura surge a partir da dinâmica da interação do homem com o meio em que está inserido. A cultura, portanto, abrange toda a produção de conhecimento, crenças, arte, moral, lei, costumes e todos os hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade, e geralmente deixados para as gerações posteriores.
 A agricultura foi o ponto de partida desta interação entre o homem e o ambiente. Todavia, ela se intensificou à medida que o homem foi descobrindo novas demandas. Por exemplo, tomando a referência bíblica como base, quando se percebeu nu, o homem coseu folhas de parreira, uma das árvores que ele cultivava no jardim. Deus, entretanto, preparou-lhe uma vestimenta de pele de animal. Surgia, então, a espiritualidade, parte essencial da cultura humana.  A espiritualidade surge a partir da reflexão acerca da finitude da vida. Os antropólogos identificam a emergência da espiritualidade na raça humana com o tratamento dispensado aos mortos. Desde que começou a vislumbrar a possibilidade da vida após a morte, o homem passou a sepultar seus mortos de maneira reverente. Em vez de abandoná-los para serem devorados pelas feras, passou a enterrá-los em covas, acompanhado de flores e objetos de uso pessoal. A cultura, então, toma um rumo inusitado, pois não se resume à interação com o meio, mas também à resposta que se dá à existência, revestindo-a de sentido e significado. A vida deixa de ser vista como um acidente e passa a ser encarada como cheia de propósito. As folhas de parreira são substituídas por vestes feitas da pele de um animal sacrificado. Era a resposta do homem à inexorável sentença da morte: a gente não foi feito para acabar!
Duas cosmovisões começam a se digladiar entre si. Uma tem como arquétipo a figura de Caim, o primogênito de Adão. A outra, a figura de Abel, seu segundo filho. Caim, o agricultor, representa a fase em que a humanidade deu seus primeiros passos na composição de sua cultura. O que importava era a sobrevivência num mundo hostil, cheio de cardos e espinhos. Diferentemente da Adão, seu pai, que representa o estágio em que o homem vivia da coleta daquilo que encontrava. Abel, seu irmão, era pastor de ovelhas, e representa o desenvolvimento da prática pecuária. Neste estágio, o homem deixa de se preocupar exclusivamente com sua sobrevivência e passa a considerar assuntos relativos à transcendência. A interação entre as duas cosmovisões nem sempre foi amistosa. Todos  conhecemos o desfecho desta história. Caim mata Abel. Foragido, cabe a ele a construção da primeira cidade. Portanto, a civilização nasce daí, do conflito, da fuga e do desejo de estabelecer-se. Caim representa a humanidade que se assenta nos lugares férteis, geralmente próximos de grandes rios e ali edifica seus centros urbanos. Abel representa a humanidade em trânsito, nômade, hebreia, em busca do horizonte. Se esta aspiração houvesse terminado com Abel, talvez ainda estivéssemos às margens do Eufrates. Porém, Abel sai de cena e dá lugar a Sete, dando prosseguimento à saga daqueles que não têm cidade permanente, mas buscam a que se insinua no lugar onde nasce o sol, a cidade do futuro (Hb.13:14).
Desde então, a humanidade tem estado dividida entre dois grupos. Os que almejam a manutenção das coisas exatamente como são. E os que acenam para o futuro, desejando-o, não como repetição de uma história cíclica, mas como algo novo e inusitado. O primeiro grupo tende a produzir uma cultura estática, que valoriza, sobretudo, as tradições, sem ao menos contestá-las e colocá-las à prova. O segundo grupo tende a produzir uma cultura dinâmica, condenada a reformular-se constantemente. Para uns, a era áurea se encontra no passado. Para outros, o melhor ainda está por vir. Uns sonham voltar para o paraíso. Outros sonham com a Nova Jerusalém, arquétipo da civilização do reino de Deus. 
Para os que seguem o que chamo de paradigma caímico, a cultura se resume no que se produz para o próprio consumo. Para estes, a gente é feito pra acabar. Esta sentença nos persegue por toda a existência. Portanto, aproveitemos ao máximo o tempo de que dispomos. Mas para os que seguem o paradigma abélico, a cultura é o rastro que se deixa para os que virão depois. É a pista de que passamos por aqui. É a sinalização da estrada aberta e pavimentada pelos que nos antecederam. A cultura é, por assim dizer, o que restou de nós. Nossas paixões. Nossos sonhos. Nossos amores. Nossos temores. Tudo fica espalhado pela estrada na qual transitamos durante nossa peregrinação existencial, indicando aos que virão qual o melhor caminho a seguir e qual deve ser igualmente evitado.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Fábio Alexandrelli entrevista o Filósofo Paulo Ghiraldelli (Nietzsche)

Debate Sobre Maquiavel no Loucuras Filosóficas do Alexandrelli - JustTV ...

EVIDÊNCIAS DE VÍCIO MENTAL

 


Uma das marcas de saúde mental de uma pessoa é a sua capacidade de variedade de temas, interesses, assuntos e uma abertura total para tudo que seja humano e vida. Portanto, a maior marca de saúde mental é a alegria de ser, amar, conhecer, e participar da vida, fazendo isso com amor e bom senso; e sem medo da dor, especialmente da dor do amor.

Uma pessoa fixada num tema só, por mais que chame aquilo de “meu amor e minha paixão” ou, em certos casos, de “minha vocação”, ou de “minha obrigação”, se, todavia, se fixa naquilo como coisa única, e por tal fixação torna-se juiz de quem não tem o mesmo interesse ou não o tem na mesma intensidade ou, ainda, que manifeste outros interesses e prioridades, demonstra, por tal atitude de juízo fundado em sua própria fixação, que se fez vítima de um vício mental dos mais perigosos e também, por certo, dos mais capazes de reduzir a mente e a existência de uma pessoa a uma espécie de tara temático-existencial.

Quando uma pessoa se fixa num único tema na vida —seja pela via de um trauma, seja pela força de desejos reprimidos e transformados em “causa de vida”—, por tal fixação, evidencia o fato de que sua mente está viciada.

A questão é que vícios mentais não são apenas coisas que permanecem na psique da pessoa. De fato, quando não se trata de um problema congênito ou hereditário na área mental, em geral o que acontece é que quando a alma se entrega um certo modo de sentir — seja em brigas domésticas, seja uma relação viciada na tragédia e no desamor, seja um poderoso condicionamento de natureza sexual, seja a fuga de intimidade, seja o ódio, seja a amargura, etc —, o que acontece é que a presença contínua desse “sentir”, demanda do cérebro certas liberações químicas que façam “compensação” frente ao stress ou frente à hiperexcitação ou às oscilações ou a qualquer coisa que caracterize um modo de sentir intenso. E tais “descargas” químicas de compensação acabam por se tornarem programas cerebrais que passam a operar por conta própria; e, agora, invertendo a ordem, ou seja: já não necessariamente sendo a psique exigindo participação do cérebro, mas o contrário: o cérebro, agindo de modo condicionado, descarrega o que antes era um “socorro” para uma situação vivida como experiência emocional, a qual, agora, passa a ser demandada pelo cérebro, o qual exige aquele comportamento compatível com a liberação química em curso.

Vícios mentais, portanto, são como uma cobra que se alimenta do próprio rabo!

O problema é: onde está a mente sadia?

Para mim Jesus é o exemplo da mente mais sadia possível, e, portanto, aberta a tudo e todos; exatamente como Deus, que manifesta Seus interesses e variedades temáticas na multiformidade da criação.

Jesus mostra interesse pela variedade da vida assim como Seu Pai foi variado e extravagante em tudo o que criou. Sim, porque até as maiores sutilezas da criação estão carregadas de extravagância divina.

Jesus foi um carpinteiro por profissão, e nunca chegou a ficar nem de longe velho, tendo morrido jovem. Entretanto, já menino, no templo, chocava os mestres com suas questões e interesses acerca de coisas elevadas, porém, no lugar certo e com as pessoas certas. Nunca estudou, mas lia. Nunca plantou, mas observava o trabalho do agricultor. Nunca escreveu, mas sabia qual era a presunção de um copista do sagrado. Nunca namorou, mas sabia como ser carinhoso com as mulheres. Nunca teve ovelhas, mas sabia, pela observação, como um verdadeiro pastor se portava. Nunca foi casado, mas sabia como uma dona de casa ficava feliz quando achava algo precioso que se havia perdido. Nunca foi pai, nunca foi pródigo, nunca foi um irmão ciumento, mas sabia como todos os três personagens se sentiam em cada situação. Nunca foi desonesto, mas sabia como um administrador infiel se sentia quando apanhado em flagrante. E, assim, Ele demonstra também como um pai de família deve se comportar se um ladrão se aproximar. Sabe que a pobreza é crônica na terra; conhece o modo como os políticos dominam sobre os povos; sabe o que sente uma mulher dando à luz um filho. E não evita a emoção do choro, da dor, da tristeza, da alegria, do suor de sangue, do vinho melhor, do medo da cruz, e da oração para ter força para não morrer fora dela; e vive cada coisa, cada dia, não se deixando escravizar por nenhum tipo de aflição ou preocupação.

Sim, Jesus tinha a mente mais despreocupada do mundo, ao mesmo tempo em que era a mais responsável da Terra.

Sobretudo, além de ser pela variedade de Seus interesses, indo de crianças a velhinhas, vê-se Sua saúde mental na Sua total vitória sobre a ansiedade. Ele faz gestão leve até da hora da morte. “Não é a hora”, diz Ele. Até o dia em que Ele diz: “Chegou a Hora”. E Sua despedida de Seus amigos e discípulos não poderia ter sido mais própria, mais grave e, ao mesmo tempo, mais esperançosa; mais verdadeira e também protetora das limitações de percepção deles.

Assim, aprendendo com Jesus, busque interessar sua mente por tudo, sempre apenas retendo o que é bom. E se você perceber que se irrita com qualquer coisa que não seja o seu “tema”, preste atenção, pois já é forte sinal de que a sua mente e cérebro estão viciados ou se viciando. E isso não é brincadeira. É pior do que qualquer outro vício.

Pense nisso!



Caio