quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Experiência da Fenda Dupla

PARA QUEM DIZ O QUE DEUS SABE E O QUE DEUS NÃO SABE!





Estou vendo todos os dias o que já não existe, mas que para mim parece ser ainda real.

Olho para o céu. Nele há coisas que existem ainda, como o sol, a lua, os planetas e bilhões de galáxias, enquanto vejo também um monte de corpos celestes que já morreram, que viraram poeira cósmica há milhões ou até bilhões de anos, que morreram antes de a Terra existir, mas cuja luz viaja pelo espaço cintilando desde sempre sobre nosso planeta, e, especialmente sobre a percepção sensorial dos humanos, sendo, entretanto, apenas luz viajando no espaço, anunciando a morte de uma estrela antes mesmo de nosso sistema solar haver sido criado.

Ora, quando tais estrelas morreram, nós não existíamos, e, em muitos casos, a vida como a conhecemos não existia também.

Assim, até mesmo na linearidade do tempo-espaço nós não temos nem mesmo modo de sentir tais coisas, pois, vemos muito do que já não é.

Estamos fazendo poesia para estrelas defuntas ou até já inexistentes.

Entretanto, ousamos dizer se Deus sabe, não sabe, pode ou não pode saber as coisas antes de nós...

Brincadeira!

O que é antes? Para quem?

Ora, existe antes para mim, que até a um século achava que as estrelas todas que vejo ainda estavam existentes no céu.

Mas para Deus o que é antes?

Sim! Para Ele que criou e vê a criatura dizer o que é ou não é para Deus, quando, essa criaturazinha nem pensa que quando as estrelas morriam já era antes de haver homem?

Mas o homem vê o que não existe e tenta ainda dizer o que é e o que não é em relação a Deus.

O tempo não é o mesmo para ninguém, mas apenas para Deus. O tempo existe em Deus, mas Deus não habita o tempo.

Até na dimensão básica que habitamos de tempo-espaço, o tempo não é o mesmo, pois, uma estrela morre antes de haver Terra, e, ainda assim, só ficamos sabendo quando a Civilização humana está chegando ao seu ocaso.

O tempo só seria o mesmo para o homem se o homem pudesse também ser simultâneo na percepção do espaço. Mas como o espaço não nos é simultâneo na percepção — prova disso é nossa dês-atualização em relação à morte das estrelas para nós supostamente ainda existentes — o tempo também não nos é, sendo essa a razão porque o homem somente conhece uma fagulha do tempo, do mesmo modo como é esmagado pelo espaço.

Desse modo, como discutir Deus em relação ao tempo, se, até a luz de uma estrela só me é discernível, muitas vezes, bilhões de anos após ela ter morrido?

Teólogos! Um conselho: É melhor virar astrônomo e estudar estrelas do que se arrogar a dizer o que é antes, durante e depois para Deus.

Pelas dimensões do Universo fica claro para mim que apenas para Deus existe o que chamamos de “ao mesmo tempo”.

Sim! Para Deus tudo é ao mesmo tempo!

Para mim, todavia, não. Pois, morre uma estrela e só fico sabendo bilhões de anos depois!

Quem pensa, pára de pensar bobagem!


Caio

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Morre Eduardo Campos, mas não a esperança de um Brasil diferente


Morreu o único candidato que ainda inspirava alguma mudança no cenário político nacional no próximo pleito à presidência da república. Eduardo Campos estava a bordo do Jato Cesna, prefixo PR-AFA que caiu na área urbana de Santos, litoral paulista, por volta das 10h15.


A aeronave teria deixado o Rio de Janeiro em direção à Base Aérea do Guarujá.

Soube da queda de uma aeronave em Santos por um contato do facebook, que postou que um helicóptero teria caído próximo de sua casa. Mas jamais podia imaginar quem estaria à bordo dele.

Esperamos que as autoridades investiguem a possibilidade de sabotagem na aeronave, considerando o fato de que sua candidatura era uma ameaça à continuidade do atual modelo, ferindo inúmeros interesses.

Eduardo Campos morreu na mesma data em que morreu seu avô Miguel Arraes, de quem era herdeiro político. Oremos pela família do ex-governador e dos demais que perderam entes queridos, nesse trágico acidente.

Fica a expectativa de que Marina Silva ocupe seu lugar como candidata, trazendo renovada esperança à população.


Fonte: Blog de Hermes C.Fernandes

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

#MINHABRASILIA /// CLÓVIS DE BARROS FILHO (FILÓSOFO)

Silas Malafaia, Israel e o direito de matar


Por Hermes C. Fernandes


Acabei de assistir ao pronunciamento do pastor Silas Malafaia acerca do conflito "Israel e Palestinos" e coincidentemente tratei do mesmo assunto no culto de ontem em nossa igreja. Apesar do meu amigo Danilo Fernandes, editor do Genizah, concordar 100% com o líder da AVEC, gostaria de apresentar as razões que me fazem discordar de seu posicionamento.

Silas faz coro com boa parte dos líderes evangélicos brasileiros, que por sua vez, estão afinados com o diapazão ideológico americano. 

A primeira coisa que me chamou a atenção na defesa que Silas faz dos ataques de Israel à faixa de Gaza foi dizer que, numa guerra, nenhuma reação é proporcional à ação. Portanto, Israel teria razão em lançar mísseis em escolas palestinas matando crianças inocentes para vingar a morte de três adolescentes judeus mortos por militantes do Hamas. Ora, se Israel se mantivesse fiel aos princípios esboçados na Lei do Senhor, saberia que um dos seus mandamentos diz respeito à proporcionalidade de nossas reações (olho por olho, dente por dente). E mais: um discípulo de Jesus jamais defenderia qualquer reação, uma vez que seu Mestre ensinou a amar a seus inimigos e oferecer-lhes a outra face. Partindo do argumento usado por Silas, o ataque dos EUA a Nagazaki e Hiroshima em reação ao ataque japonês a Pearl Harbor foi totalmente justificável. Enquanto 2403 pessoas morreram na base americana de Pearl Harbor, 220 mil pessoas morreram nas duas cidades japonesas (quase cem vezes mais!). Quantas crianças palestinas terão que morrer para vingar a morte dos três adolescentes judeus?

Porém, o que mais me incomodou em seu discurso pró-Israel foi a interpretação teológica dada ao fato e à posição supostamente privilegiada de Israel. 

De fato, Deus fez uma promessa a Abraão de que toda aquela terra seria dada à sua descendência (Gn.13:14-15). Esta mesma promessa foi confirmada a Isaque e a Jacó (Gn.26:2-24; 28:12-14). Todavia, Deus estabeleceu condições para que seus descendentes tivessem o direito de posse da terra. Se não as cumprissem, a terra os vomitaria e eles seriam espalhados entre as nações (Lv.20:22; 26:14-15, 27-28, 32-33). Portanto, a Diáspora Judaica nada mais é do que o cumprimento das sanções impostas por Deus a Israel, se seu povo não guardasse os seus mandamentos. Ainda mais grave do que rejeitar a Lei do seu Deus, os judeus também rejeitaram o Messias prometido. Portanto, a aliança entre Deus e eles foi quebrada. 

Entretanto, há promessas bíblicas de que Israel retornaria à sua terra. E com base nessas promessas, surgiu o movimento sionista. Sionismo é um movimento político e filosófico que defende a existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. O sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.  O termo "sionismo" é derivado da palavra  “Sião”, nome de uma das colinas que cercam a chamada Terra Santa. Durante o reinado de Davi, Sião se tornou sinônimo de Jerusalém. Em inúmeras passagens bíblicas, os israelitas são chamados de "filhos (ou filhas) de Sião".

O que este movimento parece ignorar é que para que Israel retornasse à sua terra, algumas condições precisariam ser preenchidas. Dentre elas, a mais importante é a conversão dos judeus.
“Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a ele.” 2 Crônicas 30:9
Portanto, o atual Estado de Israel, fruto de um arranjamento político da ONU, nada tem a ver com o cumprimento da promessa de Deus de que seu povo retornaria à sua terra. E a prova disso é que não houve conversão. E converter-se a Deus é acolher a única oferta de salvação possível: JESUS CRISTO. Por isso os apóstolos eram tão enfáticos ao testificar que "tanto a judeus como a gregos devem converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus" (At.20:21). À parte de Cristo, todo judeu está tão perdido quanto qualquer gentio. 

Paulo diz que eles eram os ramos naturais da oliveira (Abraão), mas devido à sua incredulidade e desobediência, foram quebrados e em seu lugar, nós, os que cremos dentre os gentios, fomos enxertados. Até que se convertam ao evangelho, eles são judeus apenas na carne, mas não na fé que teve seu patriarca. A igreja é, por assim dizer, a continuação do verdadeiro Israel. A árvore é a mesma, os ramos que foram substituídos. 

Ademais, a promessa de que os judeus retornariam à sua terra foi cumprida quando deixaram o cativeiro babilônico e voltaram para Jerusalém nos dias de Esdras e Neemias. Porém, por terem se mantido rebeldes, foram mais uma vez espalhados pelo mundo quando Jerusalém foi destruída pelo exército romano no ano 70 d.C. sob o comando de Tito.

A aliança feita com Abraão não caducou, mas foi devidamente cumprida em Jesus, seu Descendente (Gl.3:16). E os que são de Cristo são os verdadeiros descendentes de Abraão (Gl.3:29). De acordo com o próprio Jesus, o reino foi tirado dos judeus e entregue a outro povo, a saber, a Sua igreja, reunião de judeus e gentios que creem em Seu nome (Mt.21:43). 

E mesmo que Israel continuasse a ser o povo da aliança, conforme cre Silas, isso não lhe daria o direito de agir da maneira como tem agido, tirando a vida de milhares de civis inocentes. Deus não lhes deu o direito de matar. Nem a eles, nem ao Hamas, nem aos palestinos, nem aos EUA, nem a quem quer que seja. 

Ainda segundo o pastor Silas, quem se levanta contra a política Israelense corre o risco de ser amaldiçoado por Deus. Ora, ora... A bênção de Abraão a que ele se refere (abençoarei aos que te abençoarem e amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem) está sobre seus verdadeiros descendentes, aqueles que seguem suas pegadas de fé, recebendo a oferta de salvação feita em Cristo Jesus. E por favor, não confundam isso com antissemitismo. Faço coro com Paulo que diz que seu desejo era que seus compatriotas fossem salvos. Amo os judeus. Como também amo os palestinos. Oro por Jerusalém. Como também oro por Gaza. E não é porque desejo prosperar, mas pelo simples fato de amar ao que Ele igualmente ama. Porém, este amor não me faz cego ante as arbitrariedades cometidas pelo Estado Israelense. 

Se Israel tem o direito de existir como Estado, os palestinos também tem o mesmo direito. Só haverá paz consistente e verdadeira quando houver justiça. E só haverá justiça quando houver amor. O salmista diz poética e profeticamente que a misericórdia e a verdade devem se encontrar e a justiça e a paz devem se beijar (Sl.85:10). Sem que isso aconteça, o máximo que teremos são tréguas momentaneas, seguidas de conflitos ainda mais severos. 

A questão é: quem será o cupido que promoverá este encontro? Em que cenário se dará o tal beijo? Será no jardim da Casa Branca? Ou quem sabe no pátio do Templo de Salomão... Não! A paz deve ser selada na ambiência do coração. E o cupido que deve promover o encontro não é algum presidente americano, mas ninguém menos que a igreja de Cristo. 

A igreja deve agir como agência reconciliadora entre os povos, e para tal, não pode posicionar-se ao lado de uns contra outros, como fez o meu colega Silas. Deus nos confiou o ministério da reconciliação (2 Co.5:18-19; Ef.2:14-16). Em vez de alimentar discórdias, devemos nos posicionar pela justiça, pela verdade e pela paz. 

Não ouso questionar a sinceridade de Silas, pois reconheço que seu discurso é eco do que tem sido ensinado à igreja desde o surgimento da teologia dispensacionalista. Porém, recuso-me a ficar calado, consentindo com os equívocos desta teologia. 

Que assim como Jesus, que caminhou por Jerusalém durante os dias em que Israel estava sob a tirania romana, preguemos o dever de se oferecer a outra face em vez de o direito de revidar ao ataque dos inimigos. 

Fonte: Blog Hermes C.Fernandes

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

EU, O MENINO, O HOMEM E NÓS!



Quando eu era menino sentia como menino, e, por isto, como menino, eu era o boy até poder virar Tarzan.

Quando eu era menino, pensava como menino, por isto olhar pelos buraquinhos de madeira da casa dos vizinhos pobres, para ver as moças das casas se banhando nuas, era o que o menino poderia fazer até que poder dar banhos nelas.

Quando eu era menino cria que apesar do Pelé [...] o Gérson era o melhor do mundo, até ver que o melhor do mundo é o de cada geração.

Quando eu era menino jovem as louras eram pra exibir, a morenas para degustar e as brancas normais e belas para passear, até que descobri que era tudo a mesma coisa...

Quando eu era menino Deus me amava e eu não sabia o porque. Até que entendi quando homem que quando menino eu tinha razão, pois não há sequer um porque e nem por quê a ser destinado a Deus. Salve menino!

Quando era menino não sabia que a salvação do homem estava no Menino e na criança.

Quando eu era menino eu queria ser logo homem. Quando homem lembrei do menino com gratidão. Então, bem devagar, esqueci o menino e me perdi nas florestas dos adultos sem alma e sem a religião do é, mas apenas a do que pode ser...

Há coisas de menino a serem “desistidas” e há coisas de menino nunca a serem desistidas.
Quando homem desisti de tudo de menino...

“Ah, por favor”, gritou minha alma, “tudo não!...”

E o olhar? E o sentir leve? E a fé simples? E a confiança? E a humildade de pedir ajuda? E rapidez no passar do choro ao riso? E a brincadeira séria como guerra e a guerra séria como uma brincadeira? E a desamargura? E o perdão simples como jogar bola?

Hoje, menino e homem se reconciliaram. Andam juntos. Conversam. Trocam. Se iluminam. Gargalham.

O menino se vê no homem!

O homem se admira que já estivesse pronto no menino!

Entre o homem e o menino... — Deus, pai, mãe, amigos, mulher, filhos, inimigos, tempo e tempo, dor e dor, fé e fé —; sim, entre o homem e o menino tudo o que coube entre o menino e o homem para o bem.

Eu menino me respeito. Eu homem tenho o maior carinho por aquele menino que se fez eu em mim em Cristo.

Nele,

Caio