terça-feira, 13 de agosto de 2013

Para quem não viu










































Você tem certeza que ama ou é amado?


Por Hermes C. Fernandes

“O amor... não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” 1 Coríntios 13:5-6

Entre toda de descrição que Paulo dá acerca do amor, esta pequena porção capta minha atenção de maneira especial. Aqui são apresentadas seis características que, a meu ver, autenticam o amor.

Primeiro, o amor não se porta de maneira indecente, apelativa, inconveniente. Seu propósito jamais foi ferir os escrúpulos de quem quer que seja. Respeita-se a subjetividade alheia, seus valores morais, suas preferências. Desprovido desta característica, o amor se tornaria um insulto. Não se pode confundir a intimidade promovida pelo amor com invasão de privacidade. A comunhão entre seres não atenta contra a dignidade e individualidade, antes, as preserva.

Nossos interesses devem estar abaixo do interesse de quem se ama. Temos o direito de expor nossos desejos, sem, contudo, impô-los, antes, fazendo-os passar pelo crivo do outro. O outro sempre terá a última palavra. Caso esta não expresse a nossa própria vontade, isto não será motivo de irritação. Afinal, a felicidade do amado sempre tem primazia sobre a satisfação do amante.

Na maioria das vezes, a irritação ocorre quando nutrimos expectativas sobre-humanas de alguém, impossíveis de serem correspondidas. Quem ama se nega a irritar-se por reconhecer suas próprias limitações no outro, ainda que reveladas em áreas distintas.

O desprovido de amor sempre suspeita mal do seu semelhante. Se este demonstrar bom caráter, suspeita-se de sua integridade: “Ele não é tão bom quanto parece! Deve estar escondendo algo”. Se for criativo e inteligente, suspeita-se de sua autenticidade: “Duvido que a ideia tenha sido dele. provavelmente copiou de alguém”. Se for próspero, suspeita-se de sua honestidade: “Deve ter roubado ou trapaceado”. Se for generoso, suspeita-se de sua motivação: “Deve querer algo em troca”. Porém, o verdadeiro amor jamais suspeita mal, nem perde seu tempo procurando chifres em cavalos. Em vez disso, ele aposta na integridade, autenticidade, honestidade e na boa motivação do outro, sem buscar qualquer razão para duvidar.

É insuportável conviver com quem suspeita de tudo e de todos. Quando não acusa diretamente, faz insinuações infundadas, atentando contra a credibilidade do outro. Quem ama, buscará preservar a reputação do seu semelhante.

Semelhantemente, quem ama jamais torce contra o outro, nem comemora a sua derrota, sentindo-se vindicado e deixando escapar um “bem feito!”. E, se porventura, o outro alcançar algum êxito, quem ama não o invejará, tampouco se sentirá traído por Deus ao permitir isso. Caso tenha sido ofendido e perdoou, seu perdão será validado pela alegria que sentirá assistindo à vitória de quem o ofendeu. 

GEMIDOS DE DOR E SUSPIROS DE ESPERANÇA



Como já disse, todos nós sabemos que o tesouro de Deus habita nos vasos de barro de nossa presente condição humana. No entanto, também já afirmei a vocês que até mesmo o processo de enfraquecimento de nossos corpos e as constatações de nossa própria relatividade, contribuem para a expansão do poder de Deus, conforme nossa consciência, em fé, acerca do modo como a Graça de Deus opera em nós neste mundo caído.

Por isso é que sabemos que os “vasos de barro” podem até se esboroar, mas o Oleiro é poderoso para o refazer para a Sua própria Glória.

Além de vasos fracos, porém habitados por grande tesouro, somos também peregrinos, o faz com que no tempo presente caminhemos como quem “arma tendas”, sempre mudando e conhecendo novos chãos da vida, coerentemente como o fato de que habitamos um “tabernáculo perecível”.

Nossa “casa terrestre”—ou seja: este nosso tabernáculo contingencial—, pode até mesmo se desfizer e se desgastar com o tempo e com as lutas da existência presente. Nós, no entanto, sabemos que temos de Deus um Edifício que nos aguarda, uma Casa não feita por mãos humanas e nem presa às contingências do tempo; porém, eterna, nos céus.

Caminhamos no deserto. Vivemos os desconfortos das desestabilidades da existência. Mas tudo isto é passageiro. Afinal, todos nós somos peregrinos sobre a terra.

Habitando este “tabernáculo temporário”, todos nós gememos, desejando muito ser revestidos da nossa Habitação Definitiva e Plenificada, que é do Céu.

Ora, isto tudo será nosso se formos vestidos com a justiça que vem de Cristo, e que é a única vestimenta que não se desgasta durante o tempo dessa travessia no deserto.

Nenhum de nós tem que se enganar. Todos nós sabemos como é doída essa travessia pelo deserto da terra!

Por isso é que nós gememos oprimidos enquanto vivemos neste “tabernáculo” temporário. Isto não porque queiramos ser “despidos” do que já é nosso, e que também nos cobre o ser com esperança e justiça, mas sim porque almejamos ardentemente ser revestidos com o que pleno, para que a presente condição mortal seja absorvida pela Vida que é.

Ora, foi Deus quem preparou tudo isto para nós. E para que não desfalecêssemos no caminho da peregrinação, Ele mesmo nos deu o penhor do Espírito Santo como segurança da Promessa que nos foi feita e garantida.

Assim, habitados pelo Espírito em nossa presente fraqueza, temos a certeza de que a jornada será completada por nós, se andarmos pela fé em Cristo.

Por isso é que temos sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos presentes neste corpo terrestre—preso às contingências da Queda, do tempo e do espaço—, estamos sensorialmente “ausentes” do Senhor. Por isso é que andamos por fé, e não pelo que vemos.

Mas enquanto estivermos vivendo as limitações do que não é permanente, temos que ter sempre bom ânimo, mesmo que permanentemente desejemos a libertação deste corpo mortal, para que possamos estar “presentes” em plenitude com o Senhor.

Esta é também a razão de nos esforçarmos tanto para sermos agradáveis a Deus, não importa se ainda presos as contingências do tempo ou se à caminho de sermos completamente absorvidos por Ele e por aquilo que Ele nos preparou como Definitivo.

Há também algo, meus irmãos, que desejo que todos nós fiquemos sabendo.

Ninguém deixará de ser levado perante o Tribunal de Cristo, pois é necessário que todos nós sejamos manifestos na plena consciência da verdade, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.

Esta é a razão de estarmos sempre buscando persuadir os homens acerca do que é bom—e também de como viver com Graça a vida no presente corpo de morte.

A experiência de existir neste corpo mortal é o que nos dá a chance de, pela fraqueza, ficarmos conhecendo a nós mesmos.
Deus nos conhece.

Nós é precisamos nos conhecer a nós mesmos.

Sei que tenho sido “manifesto” diante de Deus no que sou, e não temo minha auto-revelação justamente porque conheço o temor do Senhor.

Quanto mais eu me “manifestar” agora, na Graça, menos terei que ser “manifesto” depois, perante o Tribunal de Cristo.

O Tribunal de Cristo “manifestará” tudo aquilo que pela presunção da auto-justificação, nós não assumirmos como verdade e como necessidade da Graça de Deus em nós, no Dia Chamado Hoje.

Dizendo isto não estou “recomendando” a mim mesmo como referência para ninguém. O que faço é tentar dar ocasião a vocês de verem como uma “vida aberta” e sem “aparências”—mas que se veste da justiça que vem da fé—é de fato a única realidade que dignamente nos veste aos olhos de Deus.

Assim é que me exponho e me desvisto de minhas próprias justiças, a fim de que vocês tenham ocasião de se gloriar na verdade, e também para que vocês tenham “resposta” para dar àqueles que se gloriam na aparência, e não no coração.

Alguns acham que estou louco. Mas se enlouquecemos, é para Deus que e por Deus que enlouquecemos. E se conservamos o juízo, é para vocês que o fazemos.

E talvez alguém me pergunte: Por que isto?

Ora, é que o amor de Cristo nos constrange!

Afinal, nossa lógica existencial é simples, e é dela que vem a fonte de nosso amor. Porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram!

Ora, Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos e nem para as aparências do auto-engano, mas sim para Aquele que por eles morreu e ressuscitou, a fim de propiciar-lhes uma existência sem medo e na verdade.

Essa é a razão de não andarmos nos jactando nos feitos da carne e nem nas aparências enganosas de pseudo-virtudes.

De fato, as impressões da carne e suas seduções de auto-justificação, e seus virtuosismos, já não nos dizem nada.

Ora, até mesmo a Jesus não conhecemos mais segundo a carne. Houve um tempo em que eu assim o conheci—como um personagem histórico ou uma informação—, mas esse já há muito tempo não é o caso. E se um dia assim conheci a Cristo, já não o conheço desse modo.

É somente essa experiência de conhecer a Jesus em fé, no Espírito, e em nosso próprio espírito, aquilo que de fato faz nascer em nós uma nova criação existencial.

Por isso é que se alguém está em Cristo, é nova criatura. Por essa mesma razão é que se pode ter certeza de que as coisas velhas e antigas já passaram, porque, em Cristo, tudo se fez e se faz novo.

E quanto a isto não há nenhuma virtude nossa em operação.
Afinal, todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo e em Cristo.

A maravilha é que além de nos reconciliar com Ele mesmo em Cristo, Deus ainda nos confiou o ministério da reconciliação.
Assim, não somos apenas reconciliados, porém portadores da Boa Nova que diz que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões!

Sim, por Sua Graça Ele nos deu o privilégio de anunciarmos a Palavra da Reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós falasse com todos os homens e os convidasse para receber, conscientemente e em fé, todos os benefícios da Cruz de Cristo e de Sua Ressurreição em favor de todos, especialmente dos que crêem.

Por isto é que imploramos que vocês se reconciliem com Deus por meio de Cristo. E quando assim falo, não pretendo fazer com que vocês pensem que o conhecimento histórico da Vida de Jesus seja o que salva. O que de fato desejo é que vocês se apropriem, com pela confiança, de algo muito mais profundo. E esta verdade é simples, porém, uma vez crida, nos dá a garantia de que nossa vida está definitivamente reconciliada com Deus.

Então, que todos saibam a Palavra da Verdade que Liberta:

Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus!

Quem assim crê, mesmo que conhecendo as fraquezas e dores do tempo presente, poderá até gemer de ansiedade pelo que é Definitivo. Mas jamais o fará com medo e desanimo. Afinal, para tal pessoa, os sofrimentos e contingências do tempo presente—com todas as suas relatividades—, não são para comparar com a eterna glória que está reservada e garantida para todo aquele que crê.

Nele,


Caio
Em afinidade de fé com o irmão Paulo

Como eliminar toolbar indesejavel e propagandas em sua pagina da web e y...

Ed René Kivitz - Outros

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sexo, amor e espiritualidade


 “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará” (Hb.13:4). O tradutor usa a palavra “leito”, que é sinônimo de “cama”; talvez por ser uma palavra mais elegante. Porém, o texto original usa o vocábulo grego “koité”, de onde vem a palavra “coito”. Portanto, tanto o matrimônio quanto o coito (o ato sexual em si) devem ser igualmente honrados.
Parece bobagem? Mas não é! Nossa sociedade tem transformado o sexo numa coisa suja, banalizando-o, coisificando-o. Rita Lee retrata isso em uma de suas composições, em que diz que o amor é cristão, mas o sexo é pagão. A pornografia nada mais é do que a vulgarização de algo sagrado, a perversão da justiça. Sexo é comunhão, e a cama do casal é um altar onde o que ali se pratica deve ser encarado como uma oferta de amor. Não há comunhão sem comunicação. Tampouco há sexo plenamente satisfatório sem amor. 

Um relacionamento sem amor não produz um ambiente propício à comunicação franca, sincera, aberta. Logo na primeira estrofe de seu maravilhoso hino acerca do amor, Paulo declara: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa, ou como o sino que tine”. Ora, Paulo era um poliglota. Para circular livremente pelas províncias romanas, ele teria que falar, pelo menos, quatro idiomas: grego, latim, aramaico e hebraico. Ele sabia, entretanto, que não bastava dominar vários idiomas para poder comunicar-se com pessoas de culturas diferentes. Se ele quisesse comunicar algo, ele teria que dominar o idioma do amor. O verbo “comunicar” tem o sentido de tornar algo comum entre pessoas diferentes. Comunicar é construir pontes entre mundos diferentes. Cada pessoa é um mundo distinto. Para podermos atravessar o abismo que nos separa uns dos outros, precisamos de pontes. O idioma é apenas o pavimento desta ponte. O amor pode ser comparado às colunas abaixo do pavimento, que dá sustentação à estrutura da ponte. Sem amor, o pavimento cede, e a ponte cai.

A pessoa pode falar quantos idiomas puder, e até mesmo a língua angelical. Com isso, ela impressionará muita gente, mas não fará mais do que barulho. Ela pode até comunicar idéias, mas jamais vai conseguir comunicar seu ser. A verdadeira comunicação transcende o campo das idéias. Os termos comunicação e comunhão são sinônimos. Através da Sua Palavra, Deus nos comunica Seu próprio Ser. Não nos comunicamos pra tentar convencer alguém de que estamos certos em nosso ponto de vista. Em vez disso, nos comunicamos para tornar alguém participantes daquilo que temos recebido. Essa é a essência da comunicação, de acordo com as Escrituras. E isso só é possível mediante o amor.

Quando não há amor, falta diálogo, mas sobra discussão. E sabe por quê? Porque ninguém quer dar o braço a torcer. Aos poucos, o tom de voz vai se alterando, e o que deveria ser um diálogo edificante, torna-se uma gritaria irracional.

A diferença entre um diálogo e uma discussão é que o primeiro se baseia na necessidade que ambos de têm de se compreender mutuamente. O segundo se baseia na insistência que ambos têm de provar que estão com a razão.

Discutir é entrar na contramão do outro. Toda discussão leva à colisão. Já o diálogo produz o encontro.

O amor tem sua própria linguagem, que abrange desde sons inteligíveis pronunciados pelos lábios, passando por expressões corporais, cheiros, toques, olhares, gemidos, sendo capaz de expressar-se até no silêncio.

O CAMINHO DE TODOS OS QUE ANDAM NO CAMINHO



Paulo disse que os dons espirituais eram graças do Espírito, e que todos eram necessários ao Corpo de Cristo. Porém, prosseguiu e fez um convite para algo que faz com que toda a discussão sobre dons, se torne como coisa de crianças, nas suas disputas por pirulitos celestiais, lugares na gangorra, pequenas façanhas no trapézio, e algumas sonsas vontades de aparecer no grupo, todas elas travestidas de “carismas” e muita cara de “piedade”.

Sim, porque a realidade dos dons espirituais, de todo e qualquer um deles, já nasce morta quando Paulo diz que sem amor nenhum dom espiritual teria qualquer significado; ou: “de nada vos aproveitará”.

“Eis que passo a mostrar-vos um Caminho sobremodo excelente...”, diz ele. Isto para então relativizar todas as coisas, até mesmo e sobretudo, as coisas chamadas “boas”; dizendo que sem amor tudo é vácuo, zunido, coisa nenhuma, proveito algum.

Não há nenhuma coisa boa que possa ser boa se não for fruto do amor!

O que quer que não seja fruto do amor não existe como Bem diante de Deus. Línguas estranhas e espirituais, fé que remove montes, ciência sobre tudo, sabedoria que enxerga o caminho da sensatez, profecias que mexem com o hoje e o amanhã, coragem altruísta, e abnegação capaz de se dar ao fogo pela vida dos outros — não produzem Bem algum para aquele que o pratica, se os fizer sem amor.

Os outros, os que receberam o benefício, esses são beneficiados, se os recebem com gratidão; mas os chamados benfeitores, nada levam diante de Deus por tais “boas e santas” performances.

Paulo diz que esse Caminho maior e adulto é feito do amor que tudo crê, que tudo sofre, que tudo espera, que tudo suporta, que pensa o melhor de tudo e todos, que não se exaspera, que não se torna jamais ressentido, que não se vinga, que não tem prazer na injustiça, mas regozija-se com o que verdadeiro.

Para ele, tudo o que não crescesse no Caminho Excelente do Amor, cristalizava-se no estado de infantilismo apenas carismático, cujo sentir é em geral imaturo e invejoso, em razão da não experiência do amor. Por isso é um sentir de criança, um pensar de menino e um agir de garotinho.

No fim, não no final, mas afinal, o que vale, fica e sobra, são apenas três importâncias espirituais: a fé, a esperança e o amor; sendo que dentre esses, nenhum é como o amor; pois os anteriores podem existir a partir de outras pulsões existenciais e psicológicas; porém o amor é maior do que eles; visto que eles podem ser sem “este amor”; mas no amor eles existem de modo intrínseco, e em sua expressão válida para Deus.

A questão é: e daí? Essa conversa é velha. Isso só serve para entreter noivos em cerimônias de casamento; ou mesmo para dar poesia a um momento de culto!

Mas, de fato, não é assim; e quem assim pensa, já morreu, e ainda não foi informado mediante um atestado de óbito espiritual, o qual a “igreja” jamais fornecerá, visto que nesse dia assinará uma carta de alforria aos crentes, e isso ela parece jamais desejar. Afinal, a ela parece interessar manter todos como seus garotinhos.

Paulo diz a procedência desse amor, e, além disso, ensina o significado dele; e mais: nos diz como ele pode crescer em nós. Afinal, andar nesse Caminho sobremodo excelente é o alvo terreno de nossa existência. Sim, esse é o Bem do Evangelho para a alma.

Tal amor é fruto da gratidão. Gratidão pelo que Jesus fez por nós. E esse “fez por nós” não é algo distante, lá na Cruz do Calvário, na Palestina, há dois mil anos...

Na realidade esse “fez por nós” é algo que tem que ter relação com o Hoje. Tem que ser a gratidão pelo perdão de cada dia. Sim, e mais: esse “fez por nós” precisa ser também demonstrado como aquilo que nós fazemos pelos outros. Isto porque o perdão que se recebe como perdão dos céus, é o que se deve conceder na Terra aos homens.

É assim na terra como no céu que a Graça se manifesta sempre!

Ora, isto só acontece como experiência cotidiana da gratidão pelo amor de Cristo. É tal amor que nos constrange e nos move no Caminho sobremodo excelente.

O chão desse Caminho é expresso por Paulo da seguinte maneira: “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes inculpáveis e irrepreensíveis para o dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus”.

Assim, o amor que é fruto da gratidão pela Graça de Deus Hoje, e que suscita a força da indivorciabilidade do amor de Deus por nós, gera um constrangimento interior, e que é o motor da alma, na caminhada da fé no cotidiano, a qual é feita mediante a Graça do amor que cresce em “conhecimento e em percepção”.

Ora, isto significa que o caminho do amor de Deus em nós é uma jornada de crescimento da consciência, posto que conhecimento e percepção, no dizer de Paulo, equivalem ao espírito do entendimento da vida, conforme o ensino simples do Evangelho.

A questão é que o Caminho sobremodo excelente já não significa mais nada num mundo de espertalhões, maquinadores, manipuladores, e seres que existem apenas para as riquezas que a traça e o ferrugem corroem...; ao invés de ambicionarem tesouros nos céus.

No entanto, para quem ainda deseja o que vale e o que carrega significado diante de Deus — não tendo de todo se entregue ao cinismo que acomete a maioria dos de nossa geração —, deve ser dito que somente crescendo nesse amor que nasce da gratidão pela Graça do amor de Cristo, da justificação total, do perdão absoluto, e que cresce em entendimento espiritual conforme o espírito do Evangelho — é que vem o poder da alegria daquele que confessa fé em Jesus.

A maioria de nós vive apenas no mundo das performances dos milagres, do esforço de modo altruísta diante dos homens, dando-se às chamas e aos sacrifícios, entregando-se aos estudos do divino, aprendendo de tudo o que se pode amealhar como saber intelectual, buscando expressões de manifestações espirituais e morais visíveis, e arriscando-se na intenção de tirarem montanhas do caminho; ou, sobretudo, fazendo de tudo para serem frutuosos conforme as contabilidades de evangelização e capacidade de fazer pessoas se converterem à “igreja”.

Ora, havendo isso tudo sem que seja fruto da gratidão pela Graça recebida, pode haver sucesso exterior, mas nada de bom e verdadeiro se acrescenta ao ser como bem para ele mesmo. Essa é a razão pela qual o exercício de tais “trabalhos” não torna os seus praticantes seres felizes e pacificados no amor de Deus.

Cristãos infelizes são seres ingratos!

Cristãos felizes são seres gratos!

E tal gratidão não é pela prosperidade material ou pelo sucesso obtido entre os homens, mas gratidão pela Graça de todo dia, o que faz com que a existência seja movida pelo amor de Cristo, o qual nos desentope o ser, pois nos faz crescer em conhecimento e percepções acerca do que vale e do que tem sentido, e que se manifesta como fruto de uma vida que existe em permanente estado de gratidão.

É para esse Caminho sobremodo excelente que somos chamados. Além disso, não há vida com Deus que nos faça “bem-aventurados” se não for vivida nesse amor que não é burro; posto que cresce em entendimento e em gratidão, sabendo que o que vale não está do lado de fora, mas começa no coração.

No Caminho sobremodo excelente o coração conhece o Evangelho como Boa Nova para si mesmo; e tudo o mais é fruto desse estado de contentamento produzido pelo amor que é filho do perdão e da consciência da grandeza da Graça em nosso favor.

Para quem quiser, ainda dá tempo de experimentar a alegria dessa Jornada no Caminho mais excelente que existe para um ser humano na Terra.



Caio Fábio
Pregador do Evangelho de Cristo Jesus