sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Friedrich Nietzsche

O sofrimento, entretanto, é necessário para a formação do homem; todo homem de boa compleição deve trilhar esse caminho:
"Essas dores podem ser bastante penosas: mas sem dores não é possível tornar-se guia e educador da humanidade; e coitado daquele que quisesse sê-lo e não tivesse essa pura consciência!"
Por fim, o gênio que sobrevive ao sofrimento que lhe cria e lhe acompanha acaba superando as noções de "bom" e "mau", e a moral existirá apenas como um vestígio de uma cultura inferior:
Enfim, quando a tábua de sua alma estiver totalmente coberta de esperiências, ele não desprezará nem odiará a existência e tampouco e amará mas estará acima dela ora com o olhar da alegria, ora com o da tristeza, e tal como a natureza terá uma disposição ora estival, ora outonal.
Quando o seu olhar tiver se tornado forte o bastante para ver o fundo, na escura fonte de seu ser e de seus conhecimentos, talvez também se tornem visíveis para você, no espelho dele, as distantes constelações das culturas vindouras.






























SEM TUA PRESENÇA EU NÃO VOU



A experiência com Jesus é Presença.

É o conhecimento da única Presença real.

Quando você é tocado em seus sentidos por todas as coisas que aos sentidos tocam, sempre haverá graça divina em todas as coisas.

Outra coisa, todavia, é quando você experimenta todas as graças de Deus em todas as coisas, tendo seu próprio ser possuído pela Presença, e que interpreta tudo o que vem de fora e de dentro—e o que vem do fundo e do alto—e faz com que cada coisa passe a significar muito mais que a coisa em si para você.

“Assim, habite Cristo ricamente em vossos corações pela fé!”

Esse é um estado de permanência do ser na Presença que é!

E esse estado é fruto do conhecimento de Deus como Presença e Confiança!

Ora, isso gera Contentamento, mesmo quando dói!

Mas nem sempre dói. Há muitas brisas de prazer e muitos aromas de amor. Há muitas águas geladas e tépidas. E há muitos dias diferentes. E cada um deles tem o seu próprio cheiro, cara e sabor. E quando se experimenta cada dia na Presença, e quando essa Presença não é apenas um arrepio que evoca o que está fora de nós, mas sempre um-ser-em-si-Nele, então, acaba essa relação com Deus que o projeta para fora de nós, e se estabelece a relação com Deus em nós.

Isto significa “Cristo vive em mim”. Isto significa “...eu e meu Pai viremos, e faremos nele morada”. Isto significa “Cristo em vós, a esperança da Glória”.

Como eu não sou dispensacionalista, não creio na “teoria da habitação de Deus no homem apenas depois do dia de Pentecoste”. Deus sempre fez o que quis.

Ou alguém acha que não? Dele é o domínio e a glória!

Portanto, digo que era a essa Presença que Moisés fazia referencia, quando disse que nem com o Anjo do Senhor indo adiante de Israel fazendo proezas e destruindo inimigos, ele, Moisés, se atreveria a sair de onde estava, e nem iria com Israel, à menos que a Presença fosse com ele.

E Presença é. Portanto, seu conhecimento acontece na existência. Não dá para conhecer a Deus se não nos entregarmos com fé, coragem, confiança e amor à vida em Deus.

Mas nós ainda estamos na era anterior à conversão da mulher Samaritana. Ela é quem desejava saber “onde era o lugar onde se deveria adorar”. Se era em Jerusalém ou em Samaria. Jesus estava oferecendo a experiência de Deus dentro. A mulher via tal relação como algo a ela exterior. A religião cria uma visão de Deus fora de nós--em algum lugar. Mas Jesus nos chama para encontrar o reino de Deus, e o próprio Pai, dentro, no coração.

“Deus é espírito”, foi o que disse Jesus. E acrescentou: “Importa que Seus adoradores o adorem em espírito e verdade”.

Espírito é Presença. E sem Verdade não há Presença, pois sem Verdade tudo é ausência. Por isto, sem espírito nada é Presença.

Ora, digo isto não como deletantismo, mas como confissão de fé. Eu creio que o verdadeiro entendimento espiritual tem que nos levar ao conhecimento de Deus como Presença em nós. E creio que isso não nos serve como “compreensão”, mas tão somente como experiência real, pela fé e no coração. E seu último ponto de instalação é o intelecto.

O mergulho nessa dimensão muda todo o nosso discernimento do mundo, e nos deixa num estado de percepção muito diferente, pois é como se tudo fosse possível, embora você tenha prazer apenas em fazer aquilo que gera paz para o coração.

Os medos também acabam. E aparece uma imensa vontade de se conhecer, pois, quanto mais a pessoa se conhece, mais ela mesma conhece a Deus como Graça e Presença—visto que muito dessa auto-revelação seria insuportável se o olhar do próprio indivíduo que está se vendo, não acontecesse na Graça.

A infância da fé propõe a realidade de um Deus que existe. Mas a maturidade da fé nos chama para a experiência de Deus como Presença.

Isto é Emanuel. Isto é Deus conosco. Isto é Deus em nós. Isto é Presença!


Caio

Ed René Kivitz - Pecado

Pr. Ariovaldo Ramos - Pare de conjugar o verbo sofrer

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Confrontando uma geração de filhos da p#&@


Por Hermes C. Fernandes

Não fazia qualquer sentido. Como Deus poderia ter permitido aquilo? Depois de uma vitória tão grande, um fracasso inexplicável.  Israel havia sucumbido diante do exército de uma cidadezinha inexpressiva chamada Ai. Ao todo, foram 36 baixas e fuga vergonhosa.

Dias antes, Jericó tinha caído ante a fúria Israelita. A cidade fortificada fora conquistada pelo povo nômade que perambulava pelo deserto por quarenta anos. Seus muros ruíram depois de treze voltas ao seu redor. Foi um massacre. Uma vitória para levantar o moral daquele povo e fazê-lo temido por todas as nações que se alojaram na terra que Deus prometera a Abraão. Os únicos moradores poupados foram Raabe, a prostituta, e seus familiares. Josué decidiu honrar a promessa feita pelos espiais enviados a Jericó e acolhidos por aquela mulher de moral duvidosa. Em momento algum, julgaram-na pelo estilo de vida que levava. A única coisa que importava naquele instante era o fato de ter arriscado a própria vida para escondê-los em sua casa.

Chegou a vez de Ai. Israel se sentia um time de futebol vindo de uma campanha impecável de sucessivas vitórias. Agora, tendo que enfrentar um time menor, resolve poupar seu elenco e usar seu time reserva, subestimando seus adversários. Bastavam dois ou três mil soldados para quitarem a fatura. Entraram em campo de salto alto, como se usa dizer no futebol, e saíram descalços e desmoralizados.

Josué protesta. Rasga suas vestes diante do Senhor. Passo o dia inteiro prostrado sem proferir uma única palavra. Até que toma coragem e atrevidamente questiona:

- Por que o Senhor nos trouxe até aqui? Antes houvéssemos ficado do outro lado do Jordão.  O que os outros vão dizer? Como vai ficar a nossa reputação? Sem contar a vergonha sofrida pelo seu nome!
A preocupação do general israelita seguia a seguinte ordem de prioridades: 1) A repercussão negativa do fato; 2) A reputação do seu exército; 3) a glória devida ao nome do seu Deus. Pelo jeito, a glória de Deus era o que menos importava naquele momento.  O problema não era o ‘problema em si’, mas a repercussão negativa que gerava.

De repente, Deus interrompe sua oração e diz:

- Você está lamentando o quê? Vocês pecaram contra mim! Há coisas condenadas que foram trazidas para o arraial do meu povo! Enquanto isso não for eliminado, você experimentarão sucessivas derrotas.
Josué se levanta decidido a descobrir onde estava o erro. Quem quer que houvesse sido responsável deveria pagar caro. O mal teria que ser cortado pela raiz.

Imagino o burburinho entre o povo:

- O problema deve ser Raabe! Quem  mandou Josué acolhê-la entre nós!? Como pode uma prostituta ser aceita no meio de um povo santo? Temos que eliminá-la o quanto antes! Apedrejá-la com toda a sua família até a morte.

Em vez de precipitar-se, Josué recebe do Senhor a orientação para fazer uma espécie de triagem por sorteio. Dentre todas as tribos, a escolhida é Judá. Justamente a tribo de onde todos sabiam que sairia Aquele que seria destinado a governar o mundo, o Messias. O erro que impedira a vitória de Israel sobre Ai partira dali.

De todos os clãs de Judá, os zeraítas são os escolhidos. De todas as famílias do zeraítas, a sorte recai sobre a família de Zinri, e desta família Deus aponta Acã.

Ufa! Raabe deve ter respirado aliviada. O problema não era ela e sua família. O problema vinha de dentro do próprio povo de Deus.

Decepcionado, Josué se dirige a Acã e diz:

- Pelo amor de Deus! Onde você estava com a cabeça? O que você aprontou, Acã? Confessa! Não esconda nada!

Exposto, Acã resolve confessar o seu pecado:

- Enquanto Jericó era tomada, vi uma capa babilônica lindíssima, e usei-a para embrulhar todo o ouro e toda a prata que encontrei. Chegando à minha tenda, enterrei-os num buraco.

Profundamente decepcionado, Josué ordena a execução de Acã com toda a sua família. Era necessária uma medida radical para que não se abrisse um precedente justo agora que Israel começava a engatinhar como nação organizada.

Se a preocupação de Josué fosse tão-somente buscar um bode expiatório, a candidata mais provável  seria Raabe. Mas, além de ser poupada juntamente com sua família, Raabe ainda foi incluída na genealogia do Messias. Que incrível ironia. Acã, da tribo de Judá, condenado e apedrejado, como se fazia às prostitutas. Raabe, prostituta canaanita, poupada e incluída na estirpe do Messias.

Verdadeiramente, a graça subverte surpreendentemente a ordem das coisas.

Todavia, atrevo-me a afirmar que a igreja parece não ter aprendido a lição. Preferimos poupar Acã e apedrejar Raabe. Afinal, Acã é dos nossos! Raabe é da concorrência.

Os pecados de ordem moral são sempre os primeiros da lista. Sobretudo, os que envolvem sexo. Prostitutas, adúlteros, homossexuais, mães solteiras, são tratados como seres asquerosos, indignos do nosso convívio. Ao passo em que somos condescendentes com os gananciosos, com os que fazem qualquer negócio objetivando algum lucro. Crucificamos a carência, enquanto coroamos a ganância. O discurso moralista nos atrai muito mais do que o ético.

À exemplo dos discípulos, sentimo-nos ultrajados com a abordagem de Jesus com a mulher samaritana no poço de Jacó. Uma mulher que já estava no sexto relacionamento não deveria merecer a atenção do Senhor. Ela tinha que ser empurrada no poço para morrer lá. Porém, Jesus identifica ali uma carência. Os múltiplos relacionamentos eram sintomáticos. Por isso, em vez de apelar ao discurso moralista, Jesus lhe oferece a água da vida que saciaria sua carência para sempre.

O mesmo Jesus, ao deparar-se com Zaqueu, o famigerado cobrador de impostos, expôs seu disfarce e disse: Desce depressa, porque hoje me convém pousar em sua casa. Em outras palavras, Jesus estava dizendo: hoje você terá que repartir seu pão comigo e abrigar-me sob o seu teto. Todo ganancioso tem dificuldade de compartilhar o que tem. Quanto mais tem, mais quer. Jesus desfere um golpe sutil em sua avareza. Constrangido, Zaqueu se dispõe a devolver quadruplicado tudo o que surrupiou de seus próprios patrícios em nome de um governo estrangeiro invasor.

Uma igreja que fosse mais parecida com Jesus acolheria os carentes e exporia os gananciosos. Em vez disso, ela prefere aliar-se aos poderosos, enquanto detona os que considera pervertidos.

Os pecados sexuais se tornaram verdadeiros ‘bois de piranha’ (ou seriam ‘bois de Raabe’? rs). Enquanto nos preocupamos em demasia com eles, a boiada inteira passa incólume do outro lado do rio. Os mesmos que sobem aos palanques para denunciar a ‘ditadura gay’, envolvem-se em escândalos, votam em favor da impunidade, vendem-se por concessões de TV, escondem dinheiro não declarado dentro da Bíblia, etc.
Acã é nosso camarada! Raabe é uma descarada que não merece viver.  Viva o lucro, o jeitinho e a hipocrisia!

Enquanto pouparmos Acã, nossas vitórias serão sucedidas de épicas derrotas. Venceremos nas urnas, mas perderemos na relevância junto à sociedade. Venceremos na arrecadação, mas perderemos em credibilidade. Seremos maioria no Brasil, elegeremos o próximo presidente, mas não faremos qualquer diferença. Derrubaremos muralhas, mas sucumbiremos diante de nossa própria cobiça. 

Pelo jeito, Jesus prefere descender de uma p#&@ a ter Seu nome envolvido em tanta podridão. É melhor ser descendente direto de uma prostituta a ser conivente com uma 'geração adúltera' (eufemismo para "filhos da p#&@), como a que foi severamente denunciada por Jesus. Para Ele, prostituição vai muito além de alugar o corpo; é fazer por dinheiro o que deveria ser feito unicamente por amor. Inclusive, falar em nome de Deus e dos bons costumes. 

Ed René Kivitz - Original