segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ele renova as forças dos que confiam Nele, como renova as forças da águia!



A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta.O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão.Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno.Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas.Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.

Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (maus) costumes, e, outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar. Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida. 

Um vôo de vida nova e feliz.

(autoria: desconhecida)

Há lugar pra IMAGINAÇÃO no CRISTIANISMO?


“Ver o mundo num grão de areia, e ver o céu numa flor selvagem, segurar o infinito na palma de suas mãos, e a eternidade em uma hora.” William Blake

Nos últimos anos, a imaginação tem-se tornado foco de meus estudos acadêmicos. Fiz pesquisas, li muitos artigos científicos e livros, escrevi textos e participei de eventos em que centenas de interessados se reuniam para debater e compartilhar seus achados sobre essa faculdade tão preciosa na vida humana: a imaginação.

Como bom protestante [rs], acerquei-me do tema com muita resistência e desconfiança no início, pois a imaginação parecia sempre estar associada a heresia, idolatria ou até mesmo alienação política e social. Naquele instante nem me ocorria que, na verdade, a imaginação estava comigo o tempo todo, desde a infância, nas primeiras leituras das histórias bíblicas, nos romances que li, nas canções que aprendia a cantar e depois a fazer.

Talvez a apreensão inicial se devesse a certas interpretações de passagens bíblicas como as de Gênesis 6.5, Deuteronômio 29.19 e Salmo 10.2, que parecem sugerir que os pensamentos do ser humano tendem sempre para o mal e para a idolatria. Entretanto, como alerta Steve Hayhow[1], o fato de a mente humana ter sido afetada pela rebeldia contra Deus não quer dizer que ela não tenha sido também redimida em Cristo. O apóstolo Paulo mesmo alerta em Romanos 12 para a necessidade, e também para a possibilidade, de termos uma mente renovada.


Na verdade, as Escrituras Sagradas estão cheias de passagens que atestam o uso da imaginação para servir aos propósitos de Deus, seja por meio da poesia, da narrativa de histórias, do uso de metáforas, de linguagem figurada, da música e de todas as demais linguagens artísticas. Adoramos a um Deus criativo e cheio de imaginação. O próprio Jesus usou muito a imaginação para ensinar seus discípulos e as multidões: “Olhai os lírios do campo...” (Mateus 6.28); “Eis que o semeador saiu a semear...” (Lucas 8.5). E ele contou histórias, parábolas, ensinou a contemplar, a imaginar... Muitos teólogos reformados reconheceram a importância da imaginação, como o escocês William Symington, do século XIX, para quem a imaginação era "uma das mais nobres faculdades com a qual o homem foi dotado, e seu uso saudável e apropriado não é apenas necessário à existência da simpatia e outros afetos sociais, mas também intimamente relacionado aos exercícios mais elevados da alma, pelas quais o homem pode compreender as coisas invisíveis e eternas”[2].

Além dos teólogos, grandes escritores cristãos como George MacDonald, G.K. Chesterton, J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis usaram com habilidade e profundidade a capacidade humana para imaginar mundos possíveis e tocar nas mentes e corações de seus leitores. Ler esses autores é viajar no tempo e no espaço, no exterior e no interior da alma humana e exercitar as faculdades da mente. Eles não apenas criaram histórias originais e imaginativas, como também refletiram sobre o processo de criação e o uso da imaginação.

Recentemente, o pastor e pregador John Piper comentou que “a imaginação é como um músculo. Ela fica mais forte na medida em que a flexionamos”[3]. Segundo ele, a imaginação não é apenas uma capacidade, um recurso que temos, mas um dever. A imaginação não é apenas a mente em ação, analisando, observando, organizando a realidade. Ela nos permite olhar para os aspectos invisíveis da realidade, explicá-los e expressá-los de forma hábil, como muitas vezes fazem os cientistas e artistas. Para Piper, a imaginação é um dever do cristão, pois sem ela não é possível colocar-se no lugar do outro e amá-lo. Isto é, sem imaginação, não existe empatia, simpatia, amor. E é um dever porque nos permite falar da verdade de modo criativo e interessante.

O escritor norte-americano e pastor Frederick Buechner também compreende a imaginação como um músculo a ser exercitado, o que por si só já é uma metáfora. Para ele, quando usamos a imaginação, nos aproximamos de Deus em sua habilidade de criar a partir do nada. Ele também entende a imaginação como uma capacidade natural de todo ser humano, e seu uso é tão simples quanto assobiar. Exercitamos a imaginação ao criar literatura ou ao usufruir literatura. É preciso imaginação para escrever um romance tanto quanto para ler um. Além do mais, o que foi confirmado por Piper, a imaginação nos permite olhar o mundo a partir do outro e exercitar a sensibilidade humana [4].

O educador canadense Kieran Egan [5] tem dedicado mais de 20 anos de sua vida ao estudo da imaginação e sua aplicação na educação. Para ele, a imaginação é uma grande ferramenta de ensino, que pode permitir ao educador explorar todos os potenciais criativos da mente humana. O bom educador sabe usar e provocar a imaginação de seus educandos. Jesus, como o Mestre, fazia isso com leveza e encantamento.

A imaginação tem também uma forte dimensão política, na medida em que permite a solidariedade humana e a reinvenção da realidade. Ao imaginar o mundo como ele pode vir a ser, e não apenas como ele já é, fazemos um exercício político de recriação e transformação da realidade. É assim que a humanidade tem evoluído. Tudo o que há de bom em nossa cultura e sociedade foi primeiramente imaginado, sonhado; depois planejado e construído. Daí que a imaginação ativa nossa capacidade de pensar criticamente a realidade e transcendê-la.

Outro aspecto interessante é que a imaginação nos permite conhecer a realidade. Ela não nos aliena, não nos joga para fora do mundo, mas nos faz ver com mais clareza nosso tempo, nossa sociedade, nossa história, nossa vida. A imaginação nos faz olhar o mundo com admiração e senso de mistério: aquele “Oh!” que se estampa nos olhos das crianças, e nos nossos olhos, quando estamos diante do oceano. Sem ela, não há ciência nem invenção. Einstein, por exemplo, nos mostra como ciência, criatividade e imaginação podem caminhar lado a lado.

Ainda mais, a imaginação nos permite explorar as dimensões emocionais da experiência humana. Quando lemos um livro, ouvimos uma história, uma canção, assistimos a um filme, contemplamos um quadro ou uma peça teatral, somos tocados profundamente em nossas emoções. A imaginação sensibiliza, ela é a inteligência interligada à emoção. Por isso um professor, um músico, um pregador que saber usar a imaginação toca mais fundo na alma de seus ouvintes.

Finalmente, a imaginação nos permite a vivência plena como Igreja, pois por meio dela podemos edificar os irmãos “com salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.16), mas também com causos, histórias, testemunhos, narrativas, danças, pinturas, palmas e silêncio. Ela também nos permite enriquecer a adoração, pois toca com o coração a realidade, a verdade e a vida.



Gladir Cabral (Via Cristianismo Criativo)

Referências:

[1] Steve Hayhow. Christian imagination. (2008). Disponível clicando aqui. Acessado em: 20 julho 2010.
[2] Apud Steve Hayhow.
[3] John Piper. Meditation on Imagination. (2003). Disponível clicando aqui. Acessado em: 20 julho 2010.
[4] Frederick Buechner. Beyond Words: Daily Readings in the ABC's of Faith. New York: Harper Collins, 2004.
[5] Kieran Egan tem alguns livros traduzidos para o português: A Mente Educada, publicado pela editora Bertrand Brasil, e Mente de Criança, pela editora Piaget.

Ed René Kivitz - Besta

sábado, 14 de setembro de 2013

UMA GRAÇA QUE POUCOS DESEJAM



– Um presente meu para você 

O texto que segue foi fruto de uma angustia em meu coração.

Desde 1981 que eu sofria por ver a falta de visão de cooperação no Evangelho por parte dos cristãos brasileiros.

O que eu via então já era o que hoje se tornou uma realidade esmagadora.

Ou seja:

Os que dão muito (ou tudo o que têm), em geral são os que não podem dar, mas que dão, mesmo não tendo. Posto que assim procedem em razão do medo que lhes é imposto pelos cobradores de impostos-dízimos ou de impostos-taxa-de-segurança-espiritual: os “oficiais do medo”.

Também via que os que podem nada dão, ou dão menos do que seus serviçais domésticos doam nos cultos que freqüentam.

Entre todos, os ricos e a classe média estável são os que menos dão, especialmente se tais pessoas freqüentam ou trazem a cultura das chamadas “igrejas históricas”.

Assim, em 1986, durante o Congresso Mundial de Evangelização promovido pela Associação Billy Graham, em cujo evento eu estava também falando, aproveitei o que naquele tempo era para mim uma raridade, tempo, e escrevi de duas sentadas o texto que segue.

Escrevi a mão no hotel onde estava hospedado. Os cerca de 500 brasileiros que estavam lá haverão de lembrar tal fato.

Hoje, vendo o mundo se acabar bem diante de nossos olhos, sendo testemunha de tudo o que antes fora predito pelos profetas, pelos apóstolos e pelo Senhor, assusto-me com a indiferença do chamado povo de Deus em relação ao que está acontecendo.

Indiferença à hora dramática de nossa presença na História. Indiferença ante a calamidade que está às portas. Indiferença ante o Juízo que se aproxima. Indiferença para com a carência humana do Evangelho.

Indiferença, cinismo, mornidão, deboche, escárnio, irreverência, morte da esperança — é o que vejo.

Ora, em meio a tudo isso é chocante ver a morte de todos os compromissos, sonhos, e visões do Evangelho no coração de quase todos.

Escândalo após escândalo relacionado a dinheiro e sua gestão no ambiente da chamada “fé”, aumenta o buraco de indiferença, cinismo, mornidão, deboche, escárnio, irreverência, morte da esperança. Assim, quem já estava morrendo na exultação da esperança, aproveita o embalo e “chuta o balde” de vez. Desse modo se torna um ser impermeável. 

Mas eu creio que o poder da consciência e do entendimento convertido ao Evangelho, hão de gerar seus próprios filhos.

Desse modo, disponho o texto aqui no site, e que fala acerca do tema do significado do dinheiro na espiritualidade comunitária do N.T. E faço isto mesmo sabendo que o texto foi produzido no tempo em que eu tinha apenas 31 anos, e escrevia sem ajuda na escrivaninha de um hotel.

Leia o texto com todo carinho, pois é com muito amor e esperança que eu o posto aqui. 

Nele, que sendo rico se fez pobre para que Nele nos tornássemos ricos de toda Graça, 

Caio

Os Anjos Caídos