sexta-feira, 14 de março de 2014

ALGUÉM ACHA QUE JESUS NÃO SABIA?...


Uma das afirmações mais fortes e realistas de Jesus acerca do sucesso do Evangelho na Terra, digo “sucesso” mensurável por categorias visíveis, foi a sua pergunta “Quando vier o Filho do Homem, porventura encontrará fé na Terra?
Ele manda que se pregue no mundo todo, a todas as nações, e que se dê testemunho do Seu amor pelos homens, enquanto no ato do viver/pregar, dizia Ele, os que fossem Seus mensageiros e discípulos, amar-se-iam uns aos outros, pois, somente assim o mundo creria...
Ao mesmo tempo Ele declara que quando o Filho do Homem voltasse... fé seria uma raridade no chão do planeta.
Ele manda pregar ao mundo, mas diz: “Se o mundo me odiou, odiará também a vocês”.
Ele ordena que se dê testemunho a todas as nações, mas não disse que as nações se converteriam...
Todavia, quando disse que somente o amor entre os discípulos é que seria o poder comprovador da eficácia do Evangelho, e, assim, seria o único poder com a força necessária para, como testemunho, curvar o mundo ante as evidencias de Seu poder manifesto como cura humana, pelo amor, entre os Seus discípulos... —, também disse que quando o Filho do Homem voltasse não encontraria fé na Terra.
Ora, com isto Ele dizia que se os discípulos se amassem o mundo teria uma chance; mas se não se amassem, nem o mundo, e menos ainda os discípulos, teriam qualquer chance; pois, para Jesus, Igreja sem amor não existe; é sino tocando como latão de má qualidade; é como blasfêmia cantada com cara contrita; é como homem e mulher fingindo que estão tendo prazer; é como o que tivemos: o Cristianismo com cara de poder romano ou terreno..., mas sem nada de Jesus.
Ora, Jesus sabia que assim ninguém creria..., pois, Ele mesmo não creria...
E se Jesus não crê em algo, quem mais genuinamente poderá dizer que sua fé naquela coisa seja real?
Jesus somente se convence ante a fé que atua pelo amor!
Ora, o que não for assim não convencerá a Ele; e como é Ele, pelo Seu Espírito, quem convence o mundo, tal anuncio do “evangelho” no qual Jesus não creia [posto que ainda que “certo” não seja fruto do amor], não convencendo primeiro a Ele, não convencerá ao mundo; pois, não tendo o testemunho Dele, não terá poder sobre o mundo.
Por isto somente me interessa pregar aquilo no que Jesus creia.
Creia em mim..., a partir da coerência da mensagem com o desejo sincero da vida em amor e em perdão para com todos, indiscriminadamente; e não somente isto, mas capaz de manifestar amor simples por todos os homens.
No entanto, esses serão sempre um pequenino rebanho... Pois, os discípulos não se amaram e não se amam, não crêem que sem amor nada aproveita, e insistem em pregar aquilo no que Jesus não crê..., que é um evangelho sem amor e misericórdia.
Por isto, o afã da “igreja” de pregar sem amar, é sua própria condenação, pois, pela falta de amor, a pregação se torna apenas uma barulheira dos infernos...
Assim é a profundidade do realismo de Jesus acerca do “sucesso” da Sua mensagem entregue à Igreja que virou “igreja”.
Enquanto isto, o "Legião Urbana" parece saber disso melhor do que a "igreja":http://www.youtube.com/watch?v=AKqLU7aMU7M

Nele, quem não levou susto com nada do que fizemos,

Caio

Espiando pelas frestas da janela...


Por Hermes C. Fernandes


Um dos mais aclamados filmes de Alfred Hitchcock é "Janela Indiscreta". Lançado em 1954, o suspense gira em torno do fotógrafo profissional L.B. Jeffries está confinado em seu apartamento em Greenwich Village, Nova York, por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com uma lente tele-objetiva, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um homem matou sua mulher e escondeu o corpo. Com a ajuda de sua noiva Lisa, Jeff vai tentar provar que está certo.

Outros filmes já usaram a janela como tema e cenário. O último grande sucesso envolvendo o tema foi "Janela Secreta", baseado no bestseller de Stephen King. Estrelado por Johnny Depp, conta a história de um escrito em crise que decide isolar-se em uma cabana, mas passa a ser incomodado por um homem que o acusa de plágio.

De fato, nossa sociedade é fissurada em janelas. Até o sistema operacional de computador mais difundido no mundo é conhecido como "windows" ("janelas", em inglês).

Diferente das portas, que servem de passagem entre um ambiente e outro, as janelas nos oferecem uma vista panorâmica do mundo à nossa volta, preservando porém a nossa privacidade.

Entre as frestas das cortinas e persianas, podemos espiar, sem ser notados.

Deve-se ter cuidado com as janelas! Daniel, em seu exílio na Babilônia, abria as janelas do seu quarto para que pudesse orar voltado para Jerusalém. Porém, não podia imaginar que seus acusadores o espreitavam, aproveitando a visão proporcionada por suas janelas, buscando motivos para acusá-lo perante o rei, e assim, destituí-lo do cargo que tanto cobiçavam (Dn.6:10).

Às vezes, também serve pra fuga, como fez Paulo dentro de uma cesta, ajudado por irmãos (2 Co.11:33). Também ajuda na circulação de ar. Imagine o que seria da Arca de Noé sem uma janela!

Alguns a usam para sentar em seu parapeito, correndo o risco de cair, como aconteceu com Êutico, enquanto cochilou ouvindo a pregação de Paulo (At.20:9). Minha mãe conta que quando eu tinha 4 anos, sentei-me da janela de nosso apartamento no terceiro andar, e pra me tirar dali, ela teve que se aproximar silenciosamente para não me assustar.

Dentre todas as histórias bíblicas envolvendo janelas, nenhuma chama tanta minha atenção quanto a de Davi e Mical.

Mical era filha de Saul, antecessor e oponente de Davi. Foi usada pelo próprio pai como armadilha para enredar a Davi (1 Sm.18:20-21). O dote exigido por Saul por sua filha era de cem prepúcios de filisteus. Em vez de ser morto pelos filisteus, como esperava Saul, Davi trouxe não apenas cem, mas duzentos prepúcios.

Nenhuma mulher custou tanto a um homem! Os duzentos filisteus não perderam só o prepúcio, mas também a própria vida. Pelo menos, Mical estava apaixonada por Davi.

Numa ocasião em que seu pai intentava tirar a vida de Davi, Mical providenciou sua fuga através da janela do seu quarto (1 Sm.19:12). Tomando uma estátua, deitou-a na cama e a cobriu. Resultado: enganou o próprio pai para salvar a pele de seu amado.

Mas em vez de dizer que fizera aquilo por amor, Mical contou ao seu pai que havia sido ameaçada de morte por Davi, piorando ainda mais a situação. Parecia que entre Mical e Davi as contas estavam ajustadas. Ela lhe havia custado tanto, porém, em um momento crucial, salvou sua vida.

O tempo passou, Saul morreu, e Davi ascendeu ao trono de Israel. Uma de suas mais importantes empreitadas foi trazer de volta para Jerusalém a Arca da Aliança. Em uma procissão festiva, Davi vinha à frente do povo, dançando euforicamente.

Em vez de juntar-se à multidão naquela santa folia, Mical preferiu assistir da janela de seus aposentos, a mesma que ela usara para livrar a Davi. Se ela apenas assistisse, não haveria qualquer problema. Porém, a liberdade com que Davi dançava e louvava a Deus a incomodou. Pra ela, tudo não passava de exibicionismo.

O que, na opinião de Mical, lhe dava o direito de censurá-lo? Acredito que haja duas respostas:

1 - O senso de valor próprio - Afinal de contas, ela lhe havia custado muito caro, e isso parecia apontar para o alto valor que possuía. Muitos cristãos imaginam que o alto preço pago por Jesus pela nossa salvação revela o quão valiosos somos. E por conta disso, acham que têm o direito de sair julgando todos à sua volta. É como se ninguém mais tivesse valor tão alto. Mas a verdade é que o custo alto pago por Jesus não revela nosso valor, e sim a gravidade de nossos pecados. Quando um Juiz estabelece o valor de uma fiança, não o faz com base no valor do criminoso, mas na gravidade do seu crime. Não possuímos um valor intrínseco que nos coloque acima dos demais. O único valor que temos é o que nos foi atribuído, sem qualquer explicação, exceto o amor de Deus. Portanto, não temos o direito de julgar ninguém.

2 - O senso de justiça própria - Mical poderia imaginar que o fato de haver salvo Davi das mãos de seu pai, conferia-lhe o direito de julgá-lo. Muitas pessoas respaldam suas ações numa espécie de contabilidade, onde cada boa ação lhes dá o direito de cobrar da parte beneficiada. São motivadas sempre por interesses escusos. Quando agem como benfeitores, na verdade, estão agindo como credores.

Será que o fato de um dia haver ajudado a Davi, ou mesmo o fato de seu dote ter custado tão caro, davam-lhe o direito de desprezar e criticar seu marido?

A janela era ao mesmo tempo, o cenário e a testemunha do que ela havia feito por Davi. A mesma janela usada para ajudar, agora era usada para criticar e emitir juízo.

Ao fim da festa, "voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele, e lhe disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um vadio qualquer" (2 Sm.6:20).
O preço pago por Mical por esta conduta indiscreta e repleta de juízo foi mais caro do que o preço que Davi pagou por seu dote.

O episódio se encerra com a seguinte sentença: "E Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte" (v.23).

Tal qual Mical, muitos fazem o bem a espera do momento certo para cobrar. Outros se acham no direito de nos criticar e censurar, por um dia nos ter feito algum bem. Por conta disto, muitos têm se tornado espiritualmente estéreis e infrutíferos.

Se fecharmos a janela indiscreta do preconceito, do julgamento precipitado, Deus nos abrirá as janelas dos céus, e nos derramará Suas bênçãos, tornando-nos frutíferos em toda boa obra.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O que você pode fazer com o seu fio














Cristo e o labirinto da condição existencial humana


Por Hermes C. Fernandes

Havia um labirinto na antiga Grécia, na ilha de Creta, criado com o intuito de abrigar umas das mais temidas feras do mundo antigo chamada Minotauro: uma criatura com corpo de homem, cabeça de touro e dentes de leão, usados para devorar todos que se aproximam.

A figura do labirinto serve-nos como analogia da condição existencial humana. A proposta religiosa nos oferece uma rota para nos tirar deste emaranhado e nos reencaminhar na direção da fonte onde encontraríamos a resposta para as nossas mais inquietantes indagações. Porém, é ao homem que devemos creditar tal façanha, não a Deus. Toda religião seria iniciativa meramente humana, diferindo da proposta do evangelho que seria uma iniciativa estritamente divina.

Veja o que Deus diz sobre nossas vãs tentativas de nos reaproximar d’Ele em nossos próprios termos:

“O caminho da paz eles não o conhecem, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz. Pelo que a justiça está longe de nós, e a retidão não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão. Apalpamos as paredes como cegos; sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo, e entre os vivos somos como mortos.” Isaías 59:8-10

Veredas tortas, escuridão que nos força a andar apalpando as paredes, reforçam a imagem do labirinto que proponho aqui como análoga à religião. Devido à nossa total incompetência em escapar dele, Deus teve que intervir.

A Lei entregue por Deus a Moisés serviu-nos como um mapa dentro desse labirinto, porém, não nos livrou da presença do mal. A cada curva corríamos o risco de nos depararmos com a besta, metade homem, metade fera. Mas por estarmos na escuridão, apenas ouvíamos o seu rugido, como que de um leão buscando a quem pudesse tragar.

A segunda medida tomada por Deus foi enviar-nos profetas cuja luz serviu-nos como lanterna, possibilitando-nos enxergar o que estava logo à nossa frente (2 Pe. 1:19). Foi a partir daí que descobrimos que as paredes desse labirinto eram feitas de espelho, de sorte que o monstro que vimos nada mais era do que nosso próprio reflexo. Estávamos todos encurralados, não importando que direção tomássemos. A cada curva, o monstro reaparecia. Fugir dele era fugir de nós mesmos. Metade humanos, metade monstros. Tal era nossa condição. Sabíamos o bem que tínhamos de fazer, mas a fera em nós era indomável. Talvez a Lei até pudesse nos conduzir ao destino glorioso que se propunha. O problema não estava nela, mas em nós, nas pulsões que habitam nosso ser bipartido. “Miserável homem que sou!”, exclamaria Paulo, “quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm.7:24). 

Não foi Teseu, o filho de Egeu quem liquidou o monstro, como na mitologia grega. Foi Jesus, o Filho do Deus vivo quem entrou nesse labirinto e derrotou a besta-fera. Por isso, o mesmo Paulo responde imediatamente à sua pergunta: Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor” (v.25).

Através de Sua cruz, Jesus não apenas liquidou o minotauro que nos assombrava, como também nos abriu um novo e vivo caminho pelo qual temos amplo acesso ao Pai. As paredes do labirinto vieram ao chão. É disso que Paulo fala em sua carta aos Efésios:

“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.” Efésios 2:13-18

Chega de curvas oblíquas e de caminhos interditados! Chega de ouvir o eco dos rugidos da besta! Estamos agora percorrendo um caminho reto. A complexidade do labirinto cedeu lugar à simplicidade do Caminho. Sequer precisamos de um mapa para transitá-lo. Basta seguir sempre reto, sem desviar-se nem para a esquerda, nem para a direita. Sua simplicidade é tão evidente que o profeta diz que “até mesmo os loucos, não errarão” (Is.35:8). Imagine soltar um louco num labirinto! Solte-o no caminho, ele certamente encontrará seu destino.

Tal verdade é desconcertante para os que se arrogam o papel de especialistas da religião. Aqueles que se apresentam como portadores do mapa. Que dizem possuir a única arma capaz de liquidar o minotauro.

Apesar do alto custo envolvido na demolição do labirinto, a obstinação humana é tamanha que logo se pôs a reconstruí-lo. São os reconstrutores do labirinto religioso os responsáveis por esta nova Babel que vivemos em nossos dias. Diferente da primeira que se erguia verticalmente, a nova Babel é caracterizada por sua complexidade. Não foi em vão que Paulo declarou temer que “assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia”, tenhamos nosso entendimento corrompido, apartando-nos “da simplicidade e da pureza que há em Cristo” (2 Co.11:3).

Nada mais simples do que um caminho reto, sem curvas e interdições. Nada mais complexo do que um labirinto insinuoso como uma serpente enroscada em torno de si. O que pode, à primeira mão, parecer um atalho ingênuo, na verdade é uma armadilha.

Nenhum parede sequer deve ser poupada. Nada há que se aproveitar do que só serviu para promover alienação e escravidão. Seria como transformar Auschwitz num Jardim de Infância. Que pai se sentiria confortável ao deixar seus filhos estudarem nos mesmos edifícios usados pelos nazistas para torturar e matar os judeus durante a Segunda Guerra Mundial?

Por isso, Jesus foi categórico ao profetizar a demolição completa do templo de Jerusalém. “Não ficará pedra sobre pedra!” O rasgar do véu do templo no momento em que rendeu Seu espírito ao Pai foi o prenúncio do que aconteceria cerca de quarenta anos depois sob a espada romana.

Aquele templo havia se tornado num monumento à religiosidade farisaica e hipócrita que se instalara entre os judeus contemporâneos de Cristo. Sua santidade original houvera sido profanada. E a partir do momento em que o sacrifício de Jesus fora aceito pelo Pai, todo e qualquer sacrifício, bem como todo e qualquer culto que se oferecesse ali seriam nulos. Portanto, o templo se tornara obsoleto.

Uma nova aliança passara a vigorar, em que já não haveria geografias sagradas, nem lugar para a burocracia sacerdotal, mas tão somente o culto racional, aquele oferecido ao Pai “em Espírito e em Verdade”, conforme Jesus.

A Antiga Aliança oferecia um caminho em meio ao labirinto. Mas a Nova Aliança oferece o Caminho sem qualquer labirinto. Com o labirinto implodido, que utilidade teria o velho caminho proposto pelo pacto anterior?

Nossa comunhão com Deus foi reatada. O Minotauro foi liquidado.  Nosso velho homem foi crucificado juntamente com Cristo. Os sacrifícios exigidos pela Lei foram totalmente inutilizados e ofuscados ante o sacrifício vicário de Jesus. Portanto, insistir neles é um insulto ao Espírito da Graça.

Por isso, tenhamos ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne” (Hb.10:19).

EU SOU MUITO COMPLICADO...


Sim, sei que sou...
Pois prefiro gastar dinheiro num bom jantar com a família toda reunida... do que pelo mesmo valor comprar o que quer que seja...
Porque se posso invisto em memórias, em oportunidades que os que eu amo nunca mais esqueçam, do que dando presentes...
Pois privilegio qualquer momento/eterno... ao invés de interrompe-lo para tirar uma foto...
Porque gosto mais de trabalhar cedo e fazer tudo que seja minha responsabilidade logo... a fim de ter tempo para o que eu aprecio.
Pois meu prazer maior é dar prazer ao invés de buscar o meu prazer...
Porque prefiro perdoar do que ter razão...
Pois aguento muito contra mim, mas não suposto quase nada quando é contra os outros...
Porque prefiro ouvir a pior verdade... do que viver “feliz” em qualquer fantasioso engano...
Pois escolho sempre o que creio ao invés de optar por aquilo que me dá vantagem...
Porque aguento muito mais esperar os atrasados do que fazer quem quer que seja me esperar...
Pois prefiro a solitude serena do que as festas e as agitações...
Porque gosto mais da minha própria companhia do que da companhia dos muitos e indecisos...
Pois andar sozinho me é mais produtivo do que fazer-me acompanhar de distraídos...
Porque aceito muito melhor ser traído do que viver a dor de trair alguém...
Pois acolho a dor sincera melhor do que os festivais das irrealizações...
Porque aprendo mais só do que ouvindo mil opiniões...
Pois não busco adesões, mesmo quando isso faria a minha vida mais fácil...
Porque para mim qualquer leitura bíblica solitária me edifica mais do que uma reunião de mil especulações...
Pois sou cauteloso embora não sinta medo de nada que não seja racional...
Porque só consigo vestir uma roupa que reflita a minha alma, do que possuir grifes caras que não se comuniquem com a minha existencialidade...
Pois abomino fazer compras, apesar de gostar de ver as pessoas felizes com o que de útil tenham adquirido...
Porque não sinto falta de socialização, mesmo que ame ver as pessoas felizes por se encontrarem umas com as outras...
Pois não sei gargalhar, embora ame sorrir...
Porque não consigo sentir inveja de ninguém...
Pois me alegro com a alegria genuína das pessoas até mais do que da minha própria...
Porque encaro a morte com simplicidade, ainda que entenda a dor dos que não conseguem consolar-se...
Pois gosto de gente humilde muito mais facilmente do que aprecio a companhia dos sofisticados...
Porque não creio nas alegrias do mundo...
Pois não venço quando ganho uma disputa, mas apenas quando alguém entende o que tento comunicar...
Porque prefiro ter um lindo e simbólico sonho noturno do que ler um livro de dia...
Pois prefiro dar meios de compreensão para meios filhos ganharem a vida do que deixar-lhes heranças materiais...
Porque leio na mesma Bíblia há quarenta anos, e não a troca por nenhuma nova impressão de texto...
Pois amo abrir portas para os outros muito mais do que abrir portas para mim mesmo...
Porque quanto mais abro mão, mas enxergo minhas mãos fechadas...
Pois amo saber que alguns entenderam... do que viver da adulação de multidões que nada compreendem...
Porque se me dissessem que o mundo iria acabar hoje... ainda assim esperaria o final de olhos bem abertos...
E por um bilhão de outras coisas... sei que sou esquisito.
Sim, por muitas outras razões é que sei que sou quase totalmente inadequado ao que todos chamam de sadio e de normal...
Ora, é tão grande a minha anormalidade que é melhor eu parar por aqui...

Nele, em Quem busco ser... embora eu seja apenas como sou, ainda que Nele me perceba crescendo todos os dias,

Caio