segunda-feira, 5 de maio de 2014

VÍCIO DE CULPA


Você pode ter errado muito e tomado consciência de tudo como culpa, e, por isso, senti-se culpado até quando nada faz de errado.

Ou, quem sabe, você é a apenas um neurótico, oprimido por elevadas demandas pessoais de perfeição, de acerto e correção, e, assim, todas as vezes que alguém reclama algo de sua pessoa, havendo ou não razão para tal, você se sente culpado pela tristeza e frustração que possuíram o coração do outro, e, assim, se culpa e sofre.

Ou ainda pode ser que você sofra de um narcisismo de justiça-própria, e, por tal razão psicológica, sinta-se culpado sempre que você não seja visto com beleza pelo olhar de outros.

Assim é o vício da culpa; posto que desse modo ele opera esteja ou seja a pessoa culpada ou não de qualquer coisa.

culpa, porém, existe também, e, sobretudo, de modo objetivo; e, na maioria das vezes, os verdadeiros culpados desenvolvem mecanismos de dormência e auto-engano a fim de adiarem, se possível até a véspera da morte, a reflexão sobre o que fizeram e fazem.

Em geral os culpados conseguem ir levando a existência sem muitos sentimentos de culpa, pelo menos nenhum que os perturbe e os faça mudar.

Entretanto, os viciados em culpa pessoal, sejam os neuróticos, os hipersensíveis ou os narcisistas éticos, em geral sentem culpa até que do que culpa não têm. E, assim, vão adoecendo de dor culpada, e, depois de um tempo, mergulhando em depressão, ou adoecendo na incapacidade de ter alegria, ou ainda vão desenvolvendo mecanismos de excessivas explicações, ou, então, vão se cansando, e, por fim, desistindo do verdadeiro bem, posto que o “falso bem” somente nos empurra para longe do verdadeiro bem.

Muita gente, entretanto, julga que o sentirem-se culpados é uma virtude, sem saberem que é um grande mal, isso quando nenhuma culpa está presente.

Num mundo caído e para o homem caído, o sentir-se culpado quando se peca é uma das maiores dádivas do Deus de Graça. Sim! Pois, culpados e sem culpa seríamos diabos encarnados. A culpa, porém, é uma dádiva da redenção, e, sem ela, não há processo de salvação para aquele que peca, pois, na ausência dela, eternizasse o pecado como parte do nosso ser finalizado.

Assim, pecar e esconder-se é ainda sinal de saúde nos doentes que somos nós!

Do mesmo modo a culpa é sinal de saúde no ambiente da Queda quando ela segue o pecado sinceramente; e conduz o homem ao desejo de vestir-se, mesmo que apenas depois ele descubra que somente Deus tem o poder de vestir os culpados, não pelo encobrimento da culpa, mas sim pela sua inteira remoção. 

Cabe ao homem perdoado buscar viver com a seriedade e consciência de quem conhece o pecado e a culpa, e os leva a sério, ao mesmo tempo em que dele se requer que ande sem culpa, ainda que sem levezas irresponsáveis e levianas.

O perdão alivia o coração de todo peso de culpa, mas não se impõe sem as gravidades da consciência!

Assim, perdão é leve e doce, ao mesmo tempo em que é grave e denso.

Digo isto apenas para concluir afirmando que homem que anda sob o signo do perdãoperscruta sempre a sua consciência em cada coisa, sentimento ou ato, porém, mesmo quando busca a conciliação com alguém a quem não ofendeu, o faz pela paz, mas não pela culpa. Afinal, não é bom confessar culpa da qual não nos acusa o coração exposto à Palavra e ao Espírito de Deus.

Sim! Pois, o vício da culpa é a dor de um “pobre diabo” em nós, mas, mesmo sendo “pobre”, é ainda um diabo em nós.

Pense nisso!



Caio

domingo, 4 de maio de 2014

CULTO À IMAGEM.



Esse culto a imagem é o que mais faz separação entre nós e nós mesmos. 

O gap criado é sempre enfermiço, e trás consigo conseqüências devastaras para a alma. 

Assim, também cria-se o melhor ambiente psíquico para que todas as demais formas de distúrbios se instalem na interioridade humana, visto que uma espiritualidade da imagem, só tem olhos para os olhos dos outros; isto apenas para vermos como somos vistos; ou seja: para ver como os demais nos vêem. 

Desse modo, o interior é relegado ao plano da não-existência, e nessa “casa varrida e ornamentada” pelo culto à imagem, crescem todas as sombras e fantasmas—os mesmos que atormentam a alma de muitos na igreja. 

Somente quando compreendermos que nosso chamado psíquico é para a correspondência entre o interior e o exterior, é que começaremos a ter paz. 

Assim como no espelho a imagem corresponde ao rosto, assim também o exterior humano sempre deve corresponder ao interior. 

Ora, é aqui que o medo se instala, pois as pessoas sabem como são por dentro, tão cheias de rapinas e sentimentos invejosos e malignos. 

O que elas não sabem é que tais sentimentos cresceram justamente no abismo que o culto à imagem criou entre o Consciente e o Inconsciente. 

Desse modo, quanto mais culto ao exterior, mais rapina haverá no interior, e mais se temerá expor as verdades do coração, ou viver uma vida onde a cara espelhe a alma. 

Esta é a razão pela qual ficamos como um cão que nervosamente corre em círculos, tentando morder o próprio rabo. 

Paulo diz que tudo aquilo que se manifesta é luz. 

O equilíbrio do ser só acontece na luz, e mediante as coisas que se manifestam. 

Do contrário, quanto mais se pinta o sepulcro por fora, mas apodrecem os defuntos por dentro. 

A salvação da alma, como psique, está no encontro cada vez mais tranqüilo e límpido entre os ambientes externos e internos; assim como também na aproximação do mundo psíquico consciente daquele outro que nós muitas vezes nem conhecemos, mas que existe de fato, que é o inconsciente. 

Mas para que se experimente a paz do “meio” é preciso que o nervosismo dos movimentos bi-polares dê lugar à reconciliação entre os pólos. E isto só é passível de acontecer na Graça de Deus, quando reconciliados com Deus já não tememos quem somos, pois já sabemos pela fé como Deus nos vê para o nosso bem, visto que nos enxerga em Cristo; portanto, reconciliados e incluídos. 

Afinal, no meio cristão, os pólos representam extremos, estando de um lado a imagem externa de crente, e todas as suas morais; e de outro lado a aflição criada pela hipocrisia, e que sabe que os mundos exterior e interior estão esquizofrenizados, separados por um abismo imenso—daí o movimento de um pólo ao outro ser patrocinado pela paranóia, e pela neurose culposa. 

Tudo isto é muito triste. Afinal, Jesus veio ao mundo para que tudo isto desse lugar à paz. 

Todavia, enquanto formos patrocinados pelos senhores da imagem e da fachada, nossas almas continuarão nesse estado de angustia pendular; e a paz nos será apenas uma brisa quase imperceptível, e “sentida” de modo fugaz, quando na viagem para o outro pólo, passa-se de passagem por esse ponto do meio, onde, de fato, é o nosso lar.

Caio

Um Deus Operário e a "maldição" do trabalho


Por Hermes C. Fernandes


Hoje se celebra o Dia do Trabalho. E para muitos, não haveria melhor maneira de se comemorar do que tirando um dia de folga. Quem gostaria de passar o Dia do Trabalho trabalhando? Principalmente quando se tem a oportunidade de emendar num feriado prolongado... 

Fica a impressão de que trabalho seja um mal necessário, uma espécie de maldição. Daí, a ojeriza que temos pela segunda-feira e o anseio para que chegue logo a sexta-feira.  O sonho de muitos é ganhar na loteria para nunca mais ter que trabalhar. Consideramos bem-aventurado quem ganhe muito trabalhando pouco. 

Há até quem busque justificar tal postura com sua teologia. Estes entendem que o trabalho foi instituído por Deus como uma maldição decorrida do pecado. "Do suor do teu rosto comerás..." Ledo engano! Mesmo antes do episódio conhecido como Queda, Deus destacou o primeiro homem para que cultivasse o seu jardim. Portanto, o Jardim do Éden, ou jardim dos prazeres, também era o jardim do labor. Bem-aventurado é quem descobre no trabalho o prazer da vida. 

Se trabalho é maldição, logo, o Deus revelado em Cristo seria um deus amaldiçoado. Veja o testemunho dado por Jesus acerca de Seu Pai:
"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." João 5:17
O que torna o trabalho algo penoso ou prazeroso é o seu propósito. A pergunta que deveríamos nos fazer é: pelo que trabalhamos? Ironicamente, se trabalhamos visando unicamente nosso aprazimento, o trabalho se torna um tormento. Mas quando trabalhamos visando o bem comum e a glória de Deus, sentimo-nos realizados e plenamente satisfeitos pelo fruto de nosso labor. Em outras palavras, o que dignifica o trabalho é o amor. Isaías profetiza que Jesus "verá o fruto do trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Is.53:11). E qual seria o tal fruto do Seu trabalho? A redenção da humanidade e a restauração de toda a criação. Portanto, o que motivou o Seu árduo trabalho foi o amor. 

Semelhantemente, o Pai trabalha visando o bem dos que ama. Como testifica o mesmo profeta Isaías, "desde a antiguidade não se ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele esperar" (Is.64:4). Quem diria? O Deus dos cristãos é um Deus Operário. Ele trabalha até no turno da noite! "Aos seus amados, Ele dá enquanto dormem"(Sl.127:2b).

Sabemos que "em todo trabalho há proveito" (Pv.14:23), todavia, o trabalhador não deve ser o único a se beneficiar de seu labuto. Como discípulo do Pai e do Filho, impulsionado pelo Espírito, requer-se do verdadeiro cristão que "trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade" (Ef.4:28). 

Isso não quer dizer que não se possa usufruir dos frutos do próprio trabalho. Pelo contrário. A Escritura declara que "o lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos" (2 Tm.2:6), e que sem qualquer sentimento de culpa, "todo homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus" (Ec.3:13).

O que deveríamos considerar uma maldição é a ociosidade. Por isso, Cristo adverte aos Seus discípulos: "Negociai até que eu venha"(Lc.19:13). A palavra "negócio" é a junção de duas outras palavras: negar + ócio. Portanto, trabalhar é negociar, isto é, negar o ócio, descruzar os braços, buscar o que fazer. Pode até ser que falte emprego, mas jamais faltará trabalho. 

Quem se recusa a trabalhar, sente-se no direito de ser pesado aos demais. Desde os primórdios da igreja, alguns quiseram se aproveitar daquele clima de solidariedade em que todos repartiam entre si, e com isso, recusavam-se a trabalhar. Paulo teve que cortar um dobrado com esse espertalhões. A ordem apostólica era: "Se alguém não quer trabalhar, também não coma" (2 Ts.3:10).

Uma coisa é não trabalhar por razões contrárias à vontade, tais como falta de oportunidade, doença, injustiça, etc. Outra coisa é não querer trabalhar. Ninguém tem o direito de ser pesado aos demais. Paulo dá testemunho acerca da postura que ele mesmo adotou no afã de ser exemplo para os demais:
"Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós." 2 Tessalonicenses 3:8
Outra coisa que Deus abomina é a exploração do trabalho alheio. Paulo dá eco ao princípio ensinado por Jesus: "O trabalhador é digno do seu salário" ( 1 Tm.5:18; Lc.10:7).

Assim como há quem queira receber sem trabalhar, também há que queira tirar vantagem do trabalho de outros. Há duas severas admoestação para os tais, uma extraída do Antigo e outra do Novo Testamento:

"Ai daquele que edifica a sua casa com iniquidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário." Jeremias 22:13 
"Eis que o salário que fraudulentamente retivestes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos clama, e os clamores dos ceifeiros têm chegado aos ouvidos do Senhor dos Exércitos." Tiago 5:4 
Deus não viola Seus próprios princípios. Quem se atreve a burlá-los certamente terá consequência. Assim como queremos que nosso trabalho seja valorizado, recebendo o que for justo, devemos valorizar o trabalho dos outros, pagando-os de acordo com o que for justo e honesto.

No Reino de Deus, ninguém precisa perder para que outro ganhe. Onde impera a justiça, ali há paz. E onde houver paz, ali haverá alegria.

Feliz Dia do Trabalho a todos!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O Universo Elegante O Sonho de Einstein Einstein's Dream ep.1

CRIAÇÃO POR EVOLUÇÃO E POR REDENÇÃO!


Comemoram-se os duzentos anos de Charles Darwin e de sua Teoria da Evolução das Espécies. Até ele a criação era vista como algo fixo, sem mudança desde o 6º Dia da Criação.
Em momento algum, todavia, a Bíblia diz que o Pai já não cria e nem trabalha...
Ao contrário, Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora...”
Os cristãos querem um Deus que Intervenha na vida, mas não querem um Deus que continue criando...
Sim! Querem um Deus de milagres para o homem, de criações novas para o homem; mas que não seja milagroso na criação.
E mais: fazem diferença entre Jesus curando e criando um olho em um cego de nascença e Jesus criando um órgão em um peixe no fundo do mar...
Assim, se são informados que animais estão ainda mudando e evoluindo, ganhando novos membros ou órgãos de adequação à vida, acham que isto seja blasfêmia.
Deus criou em Dias Eras de tempo e de não tempo.
Cada dia do Dia de Deus é feito de bilhões de anos humanos?... Por que não? Quem declarou tal impedimento?
Deus não sofre o tempo; posto que o tempo exista Nele.
Entretanto, se crê que o Deus dos crentes, o Criador, não tinha nada a fazer antes do homem.
Assim, agora, depois do homem, somente o homem interessa a Deus, pensam eles.
Deus, no entanto, assim como redime desde antes da fundação do mundo, também cria desde sempre; e assim como nunca deixou de redimir, também nunca deixou de criar.
O Gênesis diz Quem criou.
A ciência tenta dizer como foi criado.
Uma coisa é o Autor. Outra a Obra.
A fé lida com o Autor. A ciência lida com as Obras.
Qual é o problema?
Até no quintal de minha casa vejo as coisas mudando, se adaptando...
O Salmo 104 nos diz que tais Obras de Renovação da Natureza é trabalho do Espírito Santo, o qual, sendo enviado sobre a Terra, renova toda a criação... sempre.
Mas a pressa e a presunção do homem querem dizer quanto tempo Deus tem que ter levado para criar...
E mais:
A Bíblia não quer dizer como Deus criou. Apenas nos diz que Ele falou e assim se fez.
O Deus de Jesus criou, cria e continuará criando!...
Ora, o que é que existe entre o Gênesis e o Apocalipse senão Evolução?
Sim! O que existe entre o Jardim e a Cidade Santa senão evolução?
Evolução como evolução é; ou seja: cheia de “catástrofes”.
Entretanto, eu pergunto: E qual é o problema?
Darwin não é meu inimigo.
Celebro sua ousadia e fé.
Todavia, lamento que os crentes tenham endiabrado o homem, exceto os crentes ingleses, os quais, pela via de gente boa de Deus como C.S. Lewis e outros, logo entenderam que ali não havia conflito entre a Bíblia e a ciência.
Na América, porém, Darwin virou o diabo!
Ora, Darwin nunca esteve em briga com Deus. Apenas, como um homem de ciência, desejava entender a criação.
Mas a insegurança dos crentes, que tenta fazer da Bíblia um manual de “Ciências”, comete o crime de tornar anátema aquilo que não entende e nem tem cabeça isenta para refletir em paz a fim de compreender.
Ao fim da vida, tendo sido visto lendo a Bíblia por um crente que trabalhava no jardim onde estava meditando, Darwin ouviu o homem perguntar como ele lia a Bíblia se não cria nem na Bíblia e nem em Deus. Darwin assustou-se e disse: “Ah! Não! Eu creio tanto em Deus quanto na Bíblia. O que eu digo é uma teoria de como Deus criou, mas não uma negação de que Ele tenha criado”.
Muito assustará os crentes quando e se virem, no Reino de Deus, Charles Darwin, Einstein, Newton, Copérnico, entre outros... — enquanto  muitos bispos estarão de fora...
Enquanto isto... o obscurantismo perdura.
Já imaginou se Deus está interessado na briga entre criacionistas e evolucionistas?
Ah, meus amigos, sem medo eu lhes digo que Ele não está.
Assisto documentários sobre a Evolução das Espécies e me deleito no amor de Deus!
Todavia, para mim, não há diferença se os 6 dias foram dias pequenos, mínimos de tempo ou se foram bilhões de dias e anos...
Entretanto, e se um Dia se tornasse um Dia apenas quando cada processo estivesse parcialmente concluído a fim de iniciar um outro...Dia?
Qual o problema?
Você está com pressa?
Não estou pedindo a sua opinião.
Apenas expresso a minha.
Afinal, quem pensa que cheguei aqui sem milhões de horas de oração e reflexão?

Nele, que trabalha até agora e continua criando sempre, ainda que não vejamos,

Caio

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