quarta-feira, 28 de maio de 2014

E se Deus nos tirasse pra dançar?


Hermes C. Fernandes

Hoje estive pensando um pouco mais sobre o episódio em que Mical, de sua janela, desprezou e censurou a Davi enquanto este dançava à frente da Arca da Aliança, em seu cortejo de volta a Jerusalém.

Dissemos num artigo anterior que para Mical, o que lhe dava o direito de julgar seu marido daquela maneira era o senso de valor próprio e o senso de justiça própria.

O primeiro, porque Davi havia lhe atribuído um valor maior do que Saul, pai de Mical, pedira como dote.

E o segundo, porque Mical havia livrado a Davi de ser assassinado pelos servos de seu pai, dando-lhe fuga pela janela de seu quarto.

Foi daquela mesma janela que Mical o desprezou. Ela se achou no direito de fazê-lo.

Fiquei imaginando se essa história não poderia servir como analogia de Cristo e a Sua Igreja.

Como Mical, muitos cristãos se acham no direito de desprezar o que Deus está fazendo do lado de fora dos seus arraias religiosos.

Afinal de contas, Deus lhes atribuiu valor muito maior do que de fato mereciam. O preço pago por sua redenção foi o sangue de Jesus. No caso de Mical, seu dote custou a morte de duzentos filisteus. No caso da Igreja, seu dote custou a morte do Filho de Deus.

O que deveria nos envergonhar, tornou-se no motivo de nossa soberba. Achamo-nos mais importantes do que o resto do mundo.

Da janela de nosso edifício teológico, desprezamos o Deus que dança com o resto da criação. Este Deus não é monopólio de ninguém. Ele é Espírito, e o Espírito é livre para soprar e dançar onde quiser.

Além desse senso de valor próprio, os cristãos também têm nutrido um profundo senso de justiça própria.

Achamos que nossas boas obras foram capazes de nos tornar credores de Deus. Se antes, nós é que tínhamos uma dívida com Ele, agora, Ele é quem nos deve. Concluímos que nossas boas obras fazem com que o preço pago por nós seja devidamente compensado. É como se estivéssemos quites com Deus. Quanta pretensão!

Em lugar de gratidão, vaidade. Em lugar de humildade, presunção.

Até quando os cristãos desprezarão o Seu Deus? Até quando se incomodarão com o que Deus está fazendo para além dos muros eclesiásticos? Até quando censurarão e repudiarão o Deus dançarino?

Tornamo-nos como o irmão mais velho do filho pródigo. Recusamo-nos a participar da festa de arromba promovida pelo Pai por causa do filho que retornou. Só dançamos se a festa for nossa, se o baile for gospel!

O desprezo de Mical a Davi lhe rendeu esterilidade por toda a vida. Até que ponto a igreja cristã também não tem se tornado estéril em nossos dias por desprezar o que Deus está fazendo lá fora?

Só há uma maneira de reverter este quadro de esterilidade espiritual: descer de nossas torres eclesiásticas e aceitar o convite que Cristo nos faz: Quer dançar comigo?

Uma lição de ética sobre publicidade infantil

terça-feira, 27 de maio de 2014

A Dinâmica dos Afetos

SOMA, PSIQUE E PNEUMA: EU.


Sofro pressões do meu corpo, da soma de elementos que me formam como físico.

É o corpo desta carne, como diria Paulo.

Existo sob as interruptas influências de minha alma, de minhas emoções, sentimentos e interpretações psicológicas, cegados pela ilusão do meu sentir e julgar.

Esta é minha alma desesperadamente enganada, enganosa e auto-enganada.

Sou, no entanto, chamado a não viver conforme o instinto que possa se opor ao amor, conforme as pulsões do mamífero de carne e sangue quentes.

Sim! Sou chamado a amar meu corpo com o olhar do espírito, com consciência, e fazendo-o andar de acordo com a minha fé e percepção do que seja bom na vida, e que, certamente, deve ser o resultado da assimilação da Palavra no espírito.

Sou, também, chamado a não andar segundo os meus sentimentos, emoções ou pulsões psicológicas, pois, a vitória é fazer a alma acompanhar o espírito na decisão de realizar apenas o que seja fruto da consciência alimentada pelo amor.

Ora, como fazer?

O que tenho a dizer embasado na Bíblia acerca do tema, já está abundantemente tratado aqui no site.

É somente ir ao serviço de Busca e escrever alma, espírito, carne, fé — e você terá farto material.

Aqui, quero apenas dizer três coisas simples e práticas, e que busco fazer sempre que vejo a carne-corpo tentar levantar-se, e, também, quando vejo a alma desejar impor suas subjetividades sobre o caminhar, falsificando-me o significado do que seja realidade-verdade.

Faço sempre uma viagem para fora da Terra. Vou para fora da atmosfera ou até no sistema solar. E, de lá, olho o meu lugar no Planeta, e, também de lá, me pergunto o que aquilo que no instante na Terra me perturba, tem de significado uma vez que eu me distancie daquilo que se me apresenta como sendo problema.

Sinceramente, nada subsiste a tal olhar do Espaço.

Ou, então, faço uma viagem para dentro das dimensões subatômicas. Entro nas vísceras do mundo micro e invisível aos olhos; e, de lá de dentro do elemento quântico, olho para fora, e ouço os argumentos dos gigantes que existem como matéria gerada pelos elementos invisíveis aos olhos, e, assim, ao ouvir tais gritarias de gigantes feitos de buracos entre elementos subatômicos, vejo que tudo aqui fora, é como um brigar de bonecos mondrongosos e excessivos, máquinas de carne e de pulsões de emoções eruptivas e cegas.

É guerra de Titãs enlouquecidos.

Ou, então, faço o que Jesus mandou:

Ponho-me no lugar do outro. Torno-me filho de seus pais, irmão de seus irmãos; sou criado como ele foi, vejo o que viu, sinto como se sente, penso como ele pensa — e, então, pergunto-me: O que eu desejaria que eu fizesse a ele se ele fosse eu?

Então, sinto que meu espírito responde, e, assim, vence o instinto do mamífero e a volúpia de pulsões enlouquecidas de minha alma.


Um beijão em todos!


Caio

Nietzsche - Café Filosófico - Viviane Mosé - Completo

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Orar pra não ter Copa?


Por Hermes C. Fernandes

Estamos a poucos dias da Copa. Muitos irrmãos sinceros têm embarcado na campanha #nãovaitercopa. Apesar de entender que a escolha do Brasil para sediar o maior torneio de futebol do mundo foi precipitada, e que deveríamos estar empenhados em outras prioridades como a saúde, a educação, a segurança, tenho certa relutância em abraçar uma campanha como esta. Algumas igrejas já até anunciar reuniões de oração para que não haja copa.

Acredito que a Copa do Mundo será uma ótima oportunidade para atrair a atenção do mundo para o nosso país, mostrando que somos bem mais que uma república de bananas. O que poderá provocar uma onda de investimento sem precedentes no país, beneficiando assim a nossa tão sofrida população.

Não acho que devamos fazer vista grossa aos estádios superfaturados, aos desperdício de dinheiro público, enquanto nossos hospitais e escolas estão entregues às baratas. Mas daí, querer boicotar ou mesmo sabotar a copa não me parece sensato.

Temos que saber distinguir alhos de bugalhos.

Protestos? Por que não? Mas que tal se fossem protestos criativos que revelassem ao mundo a incompetência de nossos governantes e o descaso com que nossa população é tratada? Sem quebra-quebra. Sem violência.

Oro para que a Copa transcorra na mais absoluta paz e que a nossa seleção canarinho faça um bom torneio e, se possível, leve a taça.

Espero que os brasileiros tratem bem os turistas que vierem, como sempre fizeram, sem deixar que sua justa revolta se volte para os alvos errrados. Eles não têm culpa de nada o que acontece aqui. Que eles encontrem em nós um povo consciente de seus direitos, porém, ordeiro, afável, hospitaleiro, cujo sorriso é uma de suas marcas registradas.

Que a igreja de Cristo se empenhe na oração, na evangelização e proclamação do evangelho da paz, da justiça e do amor, em vez de fazer coro com aqueles que acham que estarão ajudando o país simplesmente sabotando um sonho que acalentamos desde os anos 50.

Se depender de mim, vai ter Copa e muito mais. Que venham as Olimpíadas...

Lembremo-nos da recomendação bíblica: "Busquem a paz da cidade e orem ao Senhor em favor dela, porque se ela prosperar, vocês também prosperarão" (Jr.29:7)

Viviane Mosé - Café de Ideias