quinta-feira, 26 de junho de 2014

Jesus é muito melhor do que nos contaram

 


Por Hermes C. Fernandes

Jesus é muito melhor do que nos contaram. Reconhecemos Sua inegável sabedoria, bem como Sua misericórdia ímpar, que O levavam a arguir doutores da lei com a mesma destreza com que atendia ao clamor de um párea da sociedade.

Todavia, o que mais me faz saltar os olhos é a maneira como Ele é capaz de enxergar bondade em quem todos só viam vilania. Atender ao pedido de um centurião romano, representante da força invasora, já era um insulto aos Seus patrícios. Mas elogiar sua fé, a ponto de afirmar jamais ter visto igual nem mesmo entre os mais fervorosos judeus, já era demais.  E o que dizer da vez em que concordou publicamente com um escriba por haver identificado em sua fala sinceridade e verdade? Não estaria Ele dando corda a um integrante de um dos grupos que mais lhe fizeram oposição?

E que tal introduzir um Samaritano em Sua parábola, não como vilão ou figurante, mas como mocinho? Logo um samaritano? Aquela gente considerada asquerosa!

Para Jesus, pouco importava se estava do Seu lado ou do lado oposto. Onde quer que a verdade e o amor fossem encontrados, Ele fazia questão de ressaltar sem o menor pudor. Mas também não hesitava em admoestar um dos Seus mais chegados discípulos, quando sua fala ou comportamente não condiziam com a verdade em amor. 

A bondade de Jesus era tão grande que não negou atender nem o inusitado pedido de uma legião de demônios. Quão escandalizador seria isso caso o levássemos a sério. Preferimos acreditar que aquilo foi apenas uma exibição de poder e uma demonstração do que os demônios são capazes. Pobres porcos!

Nem mesmo o meliante crucificado ao Seu lado foi poupado de Sua bondade. Dizem até que o paraíso foi inaugurado por ele, que adentrou-o de mãos dadas com o Salvador dos homens. 

Jesus jamais subestimou ninguém. Todos eram tratados com o devido respeito e gentileza. Meretrizes, mendigos, cobradores de impostos corruptos, traidores da pátria, e até religiosos hipócritas que o procuravam na calada da noite, eram acolhidos como seres humanos, portadores de uma dignidade intrínseca. Por mais moralmente deformado que estivesse, o mestre galileu era capaz de enxergar os resquícios dos traços fisionômicos do Pai Celestial. Em vez de ressaltar o que havia de pior nas pessoas, Ele preferia extrair delas o que tinham de melhor. Seu discurso não destilava ódio, rancor, nojo, mas os sentimentos mais nobres que poderiam habitar o coração humano. Jamais fez piadinha da condição de ninguém, nem ridicularizou quem quer fosse. Antes, encorajava-os a acreditar no maravilhoso destino que o Pai Celestial lhes havia provido.

Em vez de sair em defesa própria, como muitos de nós fariam sem titubear, Ele era a voz dos indefesos e oprimidos.

Caso Se preocupasse com Sua própria imagem, certamente não aceitaria a companhia de gente de vida pregressa duvidosa e reputação maculada. Ele não estava nem aí...

Ria quando tinha que rir. Chorava quando tinha que chorar. Comovia-se com o sofrimento humano, a ponto de sublimar o Seu. Não Se deixava impressionar pelos louvores de quem, no fundo, queria pressioná-lo a romper com Sua agenda e submeter-se a outros interesses. O único louvor que o enternecia era o das crianças, sem segundas e terceiras intenções.

Quanto mais medito acerca d’Ele, mais O admiro e sinto-me compelido a adorá-lo e submeter-me às demandas de Sua revolucionária mensagem. Somente um Deus saberia ser tão humano.

Que diferença entre este Jesus e aquele forjado pela indústria religiosa, garoto propaganda de impérios, ícone de moralismos anacrônicos. De fato, como Ele mesmo nos advertiu, não é possível servir a dois senhores. Ou servimos ao Cristo que emerge das páginas dos evangelhos, ou nos submetemos à figura insólita a quem nos acostumamos a chamar de Cristo, mas que está na posição oposto à d’Ele. Eu, particularmente, optei pelo primeiro. O outro que me esqueça.

E quanto aos que não admitem que Jesus pudesse ser tão bom, que ouçam de Sua própria boca: "Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?" (Mt.20:15b).


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Filósofo Jean-Paul Sartre em debate no Loucuras Filosóficas do Alexandre...

Sartre: O Existencialismo é um Humanismo - Franklin Leopoldo e Silva

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Quando a vaia é um sinal dos céus

 



Por Hermes C. Fernandes

Já era de se esperar que a presidente Dilma fosse vaiada durante a abertura oficial da Copa do Mundo. Eu diria que aquele foi o seu batismo de fogo. Semelhante ao vivido por Lula em pleno Maracanã durante os Jogos Pan-americanos. 

Creio que exercer qualquer cargo político numa democracia demanda que estejamos preparados para qualquer tipo de reação popular. E, sinceramente, prefiro isso à censura. Todavia, penso que deveríamos ser mais civilizados. Bastava uma boa vaia e ponto. Não havia a necessidade de xingá-la daquela maneira, posto que ela seja a maior autoridade do país. Se ficou feio para ela, ficou bem pior para nós diante da audiência mundial. Demonstramos ser um povo deseducado, capaz de impropérios como aquele até diante dos nossos próprios filhos.

Apesar de xingada, Dilma segue liderando as pesquisas de opinião. Julgo que agiu bem em não retrucar na hora. Experiente, ela sabe que o povo é instável em suas opiniões. O mesmo povo que recebeu Jesus com mantos e palmas e gritos de Hosana, no dia seguinte, instigado pelos sacerdotes e membros do sinédrio, gritava no pátio de Pilatos: "Crucifica-o!" Não duvido que muitos que a vaiaram e xingaram, votarão nela nas próximas eleições. A turba age pela emoção do momento. 

Creio que é hora de Dilma fazer um balanço honesto de seu governo. Não creio que a vaia só partiu da "elite branca". Ainda que o estádio estivesse lotado de gente beneficiada pelo bolsa família, duvido muito que ela não saisse igualmente vilipendiada. 

Nem mesmo Davi, o mais importante monarca de Israel, escapou de ser hostilizado por seu próprio povo. Durante sua fuga de Jerusalém quando seu filho Absalão conspirava para tomar-lhe o trono, um homem da linhagem de Saul, cujonome era Simei, aproveitou-se do momento para sair ao seu encontro, amaldiçoando-o e atirando-lhe pedras. Sobrou até para os servos de Davi. Um dos seus homens sugeriu uma reação forte contra Simei e até ameçou arrancar-lhe a cabeça, pelo que Davi respondeu: Se meu próprio filho procura tirar-me a vida, que dirá este homem que pertence a mesma linhagem de Saul. Deixem que ele me amaldiçoe à vontade, pois isso vem do Senhor (2 Sm.19:5-12).

Outro teria dito que isso viria do diabo... Mas Davi, homem segundo o coração de Deus, sabia que nada escapava do Seu controle. Mesmo o descontentamento da turba poderia resultar numa guinada em seu reinado. 

Se Dilma souber aproveitar este momento para reavaliar sua política, quem sabe seu governo sofra também uma guinada positiva?

Apesar de ter sido duravamente vaiado no Maracanã, o fato é que Lula conseguiu fazer sua sucessora. Isso é ou não é dar a volta por cima? Concordemos ou não com sua maneira de governar, é inegável sua popularidade sem precedentes na história recente do país. 

Não sou eleitor de Dilma, mas torço para que ela acerte. Não tenho qualquer comprometimento ideológico/partidário. Só quero ver meu país e meu povo prosperando. 

O descontentamento popular é um sinal dos céus para qualquer governante. Mesmo não concordando com o xingamento em si, creio que Dilma poderá encará-lo como um desafio. Brizola já dizia que ninguém é totalmente aceito sem que antes seja totalmente rejeitado.

O texto sugere que Simei passou todo o tempo acompanhando a caravana de Davi, amaldiçoando-o e apedrejando-o. Bastava um sinal por parte do rei, e sua cabeça voaria longe. Mas o rei preferiu sofrer calado.

Depois que Absalão foi derrotado, Davi fez o caminho inverso, e retornando a Jerusalém, reassumiu o trono. Enquanto caminhava em direção a Jerusalém, o povo saiu-lhe novamente ao encontro. Só que agora a situação era bem diferente. Em vez de tristeza, havia alegria no ar, ainda que o coração de Davi estivesse em profundo luto pela morte de seu filho amado. Era chegada a hora do acerto de contas. Aquele mesmo Simei que acompanhou a caravana de Davi, apedrejando-o e amaldiçoando-o, agora saiu novamente ao seu encontro.

Simei tomou a frente de todos, prostrou-se diante do rei, e lhe disse: “Não me imputes, senhor, a minha culpa, e não te lembres do que tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei meu senhor saiu de Jerusalém. Não o conserves, ó rei, no coração. Pois eu, teu servo, deveras confesso que pequei, mas hoje SOU O PRIMEIRO, de toda a casa de José, a descer ao encontro do rei meu senhor” (vv.19-20).

Como disse anteriormente, o povo costuma ser instável, tanto para o bem, quanto para o mal. Quem hoje nos critica, amanhã nos elogiará. Quem hoje nos elogia, amanhã nos xingará. A vida pública se parece com uma montanha russa, cheia de altos e baixos. O que não se pode é perder o foco, o propósito.