sábado, 14 de setembro de 2013

UMA GRAÇA QUE POUCOS DESEJAM



– Um presente meu para você 

O texto que segue foi fruto de uma angustia em meu coração.

Desde 1981 que eu sofria por ver a falta de visão de cooperação no Evangelho por parte dos cristãos brasileiros.

O que eu via então já era o que hoje se tornou uma realidade esmagadora.

Ou seja:

Os que dão muito (ou tudo o que têm), em geral são os que não podem dar, mas que dão, mesmo não tendo. Posto que assim procedem em razão do medo que lhes é imposto pelos cobradores de impostos-dízimos ou de impostos-taxa-de-segurança-espiritual: os “oficiais do medo”.

Também via que os que podem nada dão, ou dão menos do que seus serviçais domésticos doam nos cultos que freqüentam.

Entre todos, os ricos e a classe média estável são os que menos dão, especialmente se tais pessoas freqüentam ou trazem a cultura das chamadas “igrejas históricas”.

Assim, em 1986, durante o Congresso Mundial de Evangelização promovido pela Associação Billy Graham, em cujo evento eu estava também falando, aproveitei o que naquele tempo era para mim uma raridade, tempo, e escrevi de duas sentadas o texto que segue.

Escrevi a mão no hotel onde estava hospedado. Os cerca de 500 brasileiros que estavam lá haverão de lembrar tal fato.

Hoje, vendo o mundo se acabar bem diante de nossos olhos, sendo testemunha de tudo o que antes fora predito pelos profetas, pelos apóstolos e pelo Senhor, assusto-me com a indiferença do chamado povo de Deus em relação ao que está acontecendo.

Indiferença à hora dramática de nossa presença na História. Indiferença ante a calamidade que está às portas. Indiferença ante o Juízo que se aproxima. Indiferença para com a carência humana do Evangelho.

Indiferença, cinismo, mornidão, deboche, escárnio, irreverência, morte da esperança — é o que vejo.

Ora, em meio a tudo isso é chocante ver a morte de todos os compromissos, sonhos, e visões do Evangelho no coração de quase todos.

Escândalo após escândalo relacionado a dinheiro e sua gestão no ambiente da chamada “fé”, aumenta o buraco de indiferença, cinismo, mornidão, deboche, escárnio, irreverência, morte da esperança. Assim, quem já estava morrendo na exultação da esperança, aproveita o embalo e “chuta o balde” de vez. Desse modo se torna um ser impermeável. 

Mas eu creio que o poder da consciência e do entendimento convertido ao Evangelho, hão de gerar seus próprios filhos.

Desse modo, disponho o texto aqui no site, e que fala acerca do tema do significado do dinheiro na espiritualidade comunitária do N.T. E faço isto mesmo sabendo que o texto foi produzido no tempo em que eu tinha apenas 31 anos, e escrevia sem ajuda na escrivaninha de um hotel.

Leia o texto com todo carinho, pois é com muito amor e esperança que eu o posto aqui. 

Nele, que sendo rico se fez pobre para que Nele nos tornássemos ricos de toda Graça, 

Caio

Os Anjos Caídos

Ed René Kivitz - Alienação

Muito criativo















Ariovaldo Ramos: "Depois não vá dizer que ninguém te avisou"

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Friedrich Nietzsche

O sofrimento, entretanto, é necessário para a formação do homem; todo homem de boa compleição deve trilhar esse caminho:
"Essas dores podem ser bastante penosas: mas sem dores não é possível tornar-se guia e educador da humanidade; e coitado daquele que quisesse sê-lo e não tivesse essa pura consciência!"
Por fim, o gênio que sobrevive ao sofrimento que lhe cria e lhe acompanha acaba superando as noções de "bom" e "mau", e a moral existirá apenas como um vestígio de uma cultura inferior:
Enfim, quando a tábua de sua alma estiver totalmente coberta de esperiências, ele não desprezará nem odiará a existência e tampouco e amará mas estará acima dela ora com o olhar da alegria, ora com o da tristeza, e tal como a natureza terá uma disposição ora estival, ora outonal.
Quando o seu olhar tiver se tornado forte o bastante para ver o fundo, na escura fonte de seu ser e de seus conhecimentos, talvez também se tornem visíveis para você, no espelho dele, as distantes constelações das culturas vindouras.






























SEM TUA PRESENÇA EU NÃO VOU



A experiência com Jesus é Presença.

É o conhecimento da única Presença real.

Quando você é tocado em seus sentidos por todas as coisas que aos sentidos tocam, sempre haverá graça divina em todas as coisas.

Outra coisa, todavia, é quando você experimenta todas as graças de Deus em todas as coisas, tendo seu próprio ser possuído pela Presença, e que interpreta tudo o que vem de fora e de dentro—e o que vem do fundo e do alto—e faz com que cada coisa passe a significar muito mais que a coisa em si para você.

“Assim, habite Cristo ricamente em vossos corações pela fé!”

Esse é um estado de permanência do ser na Presença que é!

E esse estado é fruto do conhecimento de Deus como Presença e Confiança!

Ora, isso gera Contentamento, mesmo quando dói!

Mas nem sempre dói. Há muitas brisas de prazer e muitos aromas de amor. Há muitas águas geladas e tépidas. E há muitos dias diferentes. E cada um deles tem o seu próprio cheiro, cara e sabor. E quando se experimenta cada dia na Presença, e quando essa Presença não é apenas um arrepio que evoca o que está fora de nós, mas sempre um-ser-em-si-Nele, então, acaba essa relação com Deus que o projeta para fora de nós, e se estabelece a relação com Deus em nós.

Isto significa “Cristo vive em mim”. Isto significa “...eu e meu Pai viremos, e faremos nele morada”. Isto significa “Cristo em vós, a esperança da Glória”.

Como eu não sou dispensacionalista, não creio na “teoria da habitação de Deus no homem apenas depois do dia de Pentecoste”. Deus sempre fez o que quis.

Ou alguém acha que não? Dele é o domínio e a glória!

Portanto, digo que era a essa Presença que Moisés fazia referencia, quando disse que nem com o Anjo do Senhor indo adiante de Israel fazendo proezas e destruindo inimigos, ele, Moisés, se atreveria a sair de onde estava, e nem iria com Israel, à menos que a Presença fosse com ele.

E Presença é. Portanto, seu conhecimento acontece na existência. Não dá para conhecer a Deus se não nos entregarmos com fé, coragem, confiança e amor à vida em Deus.

Mas nós ainda estamos na era anterior à conversão da mulher Samaritana. Ela é quem desejava saber “onde era o lugar onde se deveria adorar”. Se era em Jerusalém ou em Samaria. Jesus estava oferecendo a experiência de Deus dentro. A mulher via tal relação como algo a ela exterior. A religião cria uma visão de Deus fora de nós--em algum lugar. Mas Jesus nos chama para encontrar o reino de Deus, e o próprio Pai, dentro, no coração.

“Deus é espírito”, foi o que disse Jesus. E acrescentou: “Importa que Seus adoradores o adorem em espírito e verdade”.

Espírito é Presença. E sem Verdade não há Presença, pois sem Verdade tudo é ausência. Por isto, sem espírito nada é Presença.

Ora, digo isto não como deletantismo, mas como confissão de fé. Eu creio que o verdadeiro entendimento espiritual tem que nos levar ao conhecimento de Deus como Presença em nós. E creio que isso não nos serve como “compreensão”, mas tão somente como experiência real, pela fé e no coração. E seu último ponto de instalação é o intelecto.

O mergulho nessa dimensão muda todo o nosso discernimento do mundo, e nos deixa num estado de percepção muito diferente, pois é como se tudo fosse possível, embora você tenha prazer apenas em fazer aquilo que gera paz para o coração.

Os medos também acabam. E aparece uma imensa vontade de se conhecer, pois, quanto mais a pessoa se conhece, mais ela mesma conhece a Deus como Graça e Presença—visto que muito dessa auto-revelação seria insuportável se o olhar do próprio indivíduo que está se vendo, não acontecesse na Graça.

A infância da fé propõe a realidade de um Deus que existe. Mas a maturidade da fé nos chama para a experiência de Deus como Presença.

Isto é Emanuel. Isto é Deus conosco. Isto é Deus em nós. Isto é Presença!


Caio