segunda-feira, 9 de junho de 2014

A PAZ IGNORADA OU DESCONHECIDA!

 



O Evangelho nos faz promessas que para a maioria parecem ser apenas poesia existencial, especialmente em tempos de tanta inquietação, angustia, pânico, medo, carências, frustrações, ansiedades, frenesi de alma, medo de solidão, angustia de silencio, crises existenciais, conflitos de identidade sexual, vazio de significado, culpa neurótica, paranoia, desequilíbrio mental e emocional; esburacamento afetivo, superficialidade de sentimentos, fraqueza de decisões, obrigatoriedade de ceder a tentações, dúvidas constantes sobre a fé, confusão acerca do significado de Jesus e do Evangelho —; enfim, tempos de tanto anti-evangelho instalado na alma e na existência; e por cuja Era de Morte afirmações como as que fez Paulo acerca da “paz de Cristo que excede a todo entendimento”, ou da “paz de Deus em nossas mentes e corações”, ou mesmo da “paz de Cristo como o arbitro nos nossos corações”, parecem ser totalmente poéticas, irreais e inalcançáveis.

Isto porque a paz que excede ao entendimento se tornou algo que precisa ser o resultado de tudo o que se entenda em nosso favor e como conforto pessoal; e nunca algo que possa existir para além do entendimento e das lógicas do conforto caprichoso.

a paz de Deus em nossas mentes e corações é algo aceito como harmonia de todos os nossos desejos e circunstancias, sem contratempos, doenças, dores ou mínimos desconfortos ou dissabores.

E a paz de Cristo como arbitro nos nossos corações tem que ser o conluio de Deus com todas as nossas vontades, apelos, venetas e delírios; do contrário, que paz pode haver?

Sim, nesses dias de angustias supremas e desejos soberanos, paz é algo que não importa, desde que estejamos angustiadamente de posse de tudo o que loucamente sonhamos!

Desse modo, paz é tudo dar certo, conforme o nosso planejamento; é a realização de todos os nossos caprichos; é a expressão de nossa importância, ainda que de modo angustiado; é reconhecimento relacional; é nossa relevância social; é dinheiro; é propriedade; é poder; é ter; é realizar; é ser alguém, ainda que seja no Facebook...

Jesus disse: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou”; e disse que se tratava de uma paz que o mundo não conhecia e nem poderia conhecer.

Ora, Paulo disse que essa Paz de Deus em nós, e que excede o entendimento, e que arbitra o bem em nossos corações, convive com todas as contradições da existência e não foge do viver jamais. Assim, diz ele, essa paz existe em meio à rejeição, ao aperto financeiro, ao desprezo, às opiniões que nos degradem, às angustias por fora e às lutas por dentro; e até mesmo quando somos considerados espetáculo de morte a homens e principados e potestades.

Sim, é paz que mesmo nada tendo, pois possui tudo; e que mesmo carregando no corpo o morrer, vive para Deus em suprema alegria de ser!

A teologia sempre buscou diminuir as implicações de tal paz de Deus em nós; isto quando dicotomizou-a, criando a categoria da paz com Deus como algo inicial, até que se alcance a paz de Deus, o que seria um estágio para os mais elevados na fé. Assim, a paz com Deus é coisa para quem foi basicamente salvo e perdeu o medo do inferno; já a paz de Deus é o bem dos santos superiores, os quais transcenderam a este mundo — coisa rara!

Jesus, entretanto, apenas disse: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo!

Desse modo, trata-se de uma mesma e única paz; e que excede ao entendimento mundano; e que é paz de Deus no cerne do ser; e que é o árbitro do que se deve e não se deve ser e fazer segundo Deus!

Tal paz decorre de estar em Cristo; Nele enraizado pela fé; Nele justificado e santificado; Nele tendo nossa advocacia eternamente gratuita; Nele tendo nossa intercessão e Seu sustento como Sumo Sacerdote; Nele provando a glória de Deus como galardão existencial em fé, hoje; Nele permanecendo pela obediência em fé ao mandamento do amor e do perdão; Nele comendo a vontade de Deus também já Nele totalmente revelada; Nele vivendo em gratidão; Nele celebrando a Graça até nos absurdos; Nele provando contentamento em razão de nos sabermos herdeiros de bens superiores; Nele absolvidos; Nele justificados; Nele mortos e ressuscitados; Nele já assentados em lugares celestiais; Nele já mais que vencedores; Nele postos acima de todo principado, potestade e poder; Nele crendo que aquele que Dele se alimenta, por Ele e Nele viverá!
Ora, esta paz pode não ter casa própria, mas tem morada na casa do Pai; pode não saber do pão de amanhã, mas agradece o de hoje; pode não ter nome a ser reconhecido, mas sabe que tem um novo nome, o qual ninguém conhece; pode ter muito, pois não confiará em quantidade; pode não ter nada, pois não temerá a escassez; pode nada poder, pois sabe Quem pode por nós; pode nada possuir, pois já é rico de tudo o que somente se pode carregar no coração!

Sim, esta paz pode sepultar filhos, pois sabe que não os perdeu; pode viajar da sepultura ao casamento, posto que no primeiro celebre as bodas eternas, e no segundo caso a bela alegria da relatividade humana; pode chorar sem tristezas mortais; pode sofrer com doces dores celestiais; pode ser acusado, e ainda assim dormir com anjos; pode ser visto como lixo e escoria, porém, apesar disto, se saber coroado em gloria com apóstolos e profetas.

Tal paz não sente pena de Jó, mas em sua fé se regozija; não lamenta por João Batista, pois sabe que ele foi um dos poucos que nunca perdeu a cabeça; não acha estranho que frequentemente os dias mais felizes sejam os mais destituídos de poder; não inveja nada; não ambiciona; não julga que seja de fora que nos possa vir o nosso bem; não é dono de nada, posto que já seja herdeiro de toda a Terra, e de muitos outros mundos, camadas e dimensões!

Tal paz não morre, pois aquele que por ela é possuído já é herdeiro da vida eterna; não sente fome, pois come o pão dos significados; não sente sede, posto que dele jorre uma fonte que salte para a eternidade; não julga nenhuma tragédia final, pois sabe que a verdadeira vida e felicidade não estão disponíveis aos sentidos mortais.

Sim, essa paz é Deus em nós; é a possessão da loucura divina contra as logicas deste mundo de morte; é poder que passa fome, mas não transforma pedras em pães; é a decisão de descer pela escada do Pináculo, ao invés de dele pular como autoconfiança messiânica; é arbítrio supremo que diz não a Satanás nos lugares mais altos...

Ora, isto não é poesia! Sim, isto não é a sedução evangelizadora do “Cristianismo angustiado” na busca de prosélitos; e não é a “cantada” de Jesus aos incautos!

Esta paz é real; existe; é possível; está ao alcance do coração de qualquer um que creia e se entregue sem medo e sem discussão com Jesus e Sua Palavra!

Esta é a paz de quem morre para as falsas importâncias do tempo/espaço e se entrega apaixonadamente ao amor invisível de Deus!

Todavia, esta paz somente é possível para os que morreram para o mundo; os quais se fizeram vivos para Deus!

Afinal, esta paz não é deste mundo; e este mundo não a pode conhecer e nem mesmo conceber. Ora, como disse Pedro: “Foi por esta razão que o Evangelho foi pregado a mortos, para que, mesmo mortos na carne, vivam para Deus”.

Aquele, porém, que quer ter seu galardão neste mundo, este, então, tome boas doses de ansiolítico e aguente o tranco; pois, a paz de Cristo jamais será uma possibilidade para o cidadão escravizado aos mortais galardões e falsas importâncias deste planetinha de cardos, abrolhos, angustias e recompensas de fumaça, fogo, sangue e fumo de agonia.

Nele, em Quem creio, por isto digo o que provo para mim como possibilidade, caminho, verdade e vida,

Caio

sábado, 7 de junho de 2014

POR QUE JESUS MANDOU PREGAR?

 



Por que Jesus mandou pregar o Evangelho?

Primeiro devo começar com o que não é objetivo do anuncio do Evangelho, mas que entre a multidão dos discípulos equivocados, é aclamado como sendo parte do objetivo do Evangelho.

Não é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado a fim de fazer as pessoas mudarem de religião.

Nem tampouco para que as pessoas passem a freqüentar um templo, nem para cantarem hinos para Jesus entre chineses ou hindus, esquimós ou índios nus, como dizia o “corinho” da Escola Dominical.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que o Cristianismo se expanda na Terra. Deus não é cristão, contrariamente ao que alguns dizem: “O Deus cristão é...” assim ou assado...

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para despovoar o inferno e povoar o céu, como se tudo dependesse da iniciativa do “cristianismo” para a salvação humana.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que os crentes sejam “glorificados” na Terra.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para batizar pessoas usando muita ou pouca água.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que se discuta com os novos convertidos o resto da vida acerca de quem joio e quem é trigo.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para criarmos impérios de comunicação cristãos.

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para qualquer coisa que não seja a encarnação do bem do Evangelho no coração das pessoas.

O Evangelho é a noticia de Deus aos homens, a saber: que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo todo.

Jesus não ergueu nada fora do coração humano, correndo todos os riscos de tal “confiança” na natureza humana, pois, de fato, fora do coração não cabe nada que seja essencialmente reino de Deus.

Qualquer bem do Evangelho será sempre vida. E vida como o ensino e conforme a prática de Jesus, no espírito de tudo o que Ele viveu e, assim, ensinou.

O Evangelho, portanto, antes de tudo é Reconciliação.

Sim! É Reconciliação do homem com Deus, consigo mesmo e com o próximo, mesmo que o próximo seja inimigo, pois, assim como Deus se reconciliou conosco sendo nós inimigos de Deus no entendimento e nas praticas de obras perversas e alienadas, ainda assim Ele nos amou e nos ama, e, unilateralmente se reconciliou conosco.

É Reconciliação com Deus porque Deus a fez e feita está. Assim, não há o que discutir, mas apenas dizer “quero” ou “não quero”.

É Reconciliação do homem consigo mesmo porque Deus o perdoou. Portanto, perdoado está todo homem que creia que está perdoado; e assim viva como quem crê que está perdoado, perdoando outros, como Deus em Cristo o perdoou.

É Reconciliação do homem com seu próximo, pois, quem foi perdoado de tudo, perdoa tudo e segue em amor.

Portanto, é apenas Reconciliação que o Evangelho carrega como objetivo.

Por causa disso, o Evangelho é também Reconciliação do homem com o todo da criação de Deus, pois, se o que existe é de Deus, e nós dizemos que Dele somos, o natural é amar a tudo o que Ele criou, e proteger cada coisa para ter sua própria existência.

Se a pregação gera isto como vida, então é o Evangelho que se está pregando. Mas se não gera, ou é porque quem ouve não quer ou não entende; ou, então, é porque não é o Evangelho que está sendo pregado.  

O Evangelho ensina tudo, menos uma religião. Aliás, desde que João disse que na Nova Jerusalém não há santuário que ficamos sabendo que o Evangelho é ateu de religião.

É simples assim.

O Evangelho é o bem das ovelhas de Jesus em todos os outros apriscos.

Ora, o Evangelho pode ser o bem de Jesus até para cristãos, quanto mais para todos os homens.

É ou não é?


Caio

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ética, Cultura e Avaliação

Combatendo a raiz do desespero humano

 

 Por Hermes C. Fernandes
Eis a genealogia do desespero humano: a morte gera o medo, o medo gera a ansiedade, e a ansiedade gera a depressão.


Quando nos convertemos a Cristo, o pavor da morte é neutralizado, e a ansiedade fica órfã. E mesmo em sua orfandade, ela ainda é forte o bastante para gerar a depressão.

Como lidar com a ansiedade? Como livrar-se da inquietação da alma?

O mesmo antídoto usado contra o medo da morte deve ser usado para tratar da ansiedade: o Amor.

Quando nos sentimos amados por Deus, sabemos que somos importantes para Ele. Deus Se importa com aqueles a quem ama. Foi para isso que Jesus chamou a atenção dos Seus discípulos: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu; não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, e, contudo, o vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida? Quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Pois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.[1]

A ansiedade faz com que invertamos nossas prioridades. Passamos a atribuir maior valor àquilo que não tem tanto valor. Fazemos do meio, um fim em si mesmo. O alimento passa a ser mais importante do que a vida. A roupa tem mais valor do que o corpo. O sexo se torna mais importante do que o companheirismo. O salário mais importante do que a vocação profissional. E assim por diante.

Cristo nos conclama a observar o mundo à nossa volta, percebendo os cuidados que Ele dispensa à criação. Ele cuida dos pássaros, dos animais selvagens, dos insetos, dos peixes, e até das minúsculas bactérias. Se o homem é a coroa da criação, como Deus não Se importaria com ele?

Cristo nos convida a descansar em Seu Amor providencial. Não há nada a temer. O amanhã pertence a Ele. Pra quê sofrer por antecipação? Enquanto nos preocupamos em demasia com o futuro, deixamos de viver o dia chamado “Hoje”.

Atribui-se a John Lenon a seguinte frase: “A vida é o que se passa, enquanto nos ocupamos com outras coisas”.

Quando enxergamos a vida com as lentes do amor, deixamos de priorizar nossas próprias necessidades, para priorizar o Reino de Deus e a sua justiça.

Quando descansamos nos cuidados d'Ele, nosso sono é tranqüilo e reparador. Mesmo quando fugia de seu filho Absalão, que intentava matá-lo, Davi foi capaz de declarar: “Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta”[2]. Em outro Salmo, ele diz: “Em paz me deitarei e dormirei, pois só tu, ó Senhor, me fazes habitar em segurança”.[3] O salmista sabia que “aos seus amados, Ele dá enquanto dormem”.[4]

A vida não é como um aparelho de vídeo-cassete, que basta apertar um botão pra fazer avançar o filme, ou um outro pra rebobinar a fita. A ansiedade faz com que percamos a paciência de esperar a conclusão de um processo. Queremos saber o final da história, enquanto ela ainda está em andamento.

Lembremo-nos de que “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus”.[5] Deus não abandonará Sua obra, antes que ela seja concluída. E nada, absolutamente nada, é capaz de fazer com que Ele altere Seu cronograma. Pois “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.[6]

A melhor coisa a se fazer é confiar e descansar. De outra maneira, estaremos provocando o Senhor, e nos rebelando contra Ele. Cabe aqui a exortação do Espírito Santos, encontrada na epístola aos Hebreus:

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama HOJE, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Temo-nos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a confiança que desde o princípio tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, com na provocação (...) Procuremos, portanto, entrar naquele descanso, para ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência”.[7]

Não há alternativa! Temos que confiar no amor e no zelo de Deus por Seu povo. Se deixarmos de confiar, estaremos desperdiçando o dia chamado “Hoje”, em favor de um amanhã incerto.
Ele é responsável por nossa vida, e por todos os nossos amanhãs.

Nas palavras de Pedro, devemos lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós.[8] E como podemos lançar sobre Ele nossa ansiedade? Vejamos a recomendação de Paulo:
“Não andeis ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, sejam as vossas petições conhecidas diante de Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”.[9]
A oração é o mecanismo através do qual nos livramos da ansiedade. Nossa confiança em Deus precisa ser verbalizada. Orando, externamos nossas inquietações. A oração não visa mudar Deus, e sim, mudar a maneira como vemos a vida. Os planos de Deus não são alterados quando oramos. Quem precisa ser transformado somos nós, e não Deus.

Orar é verbalizar. Suplicar é recorrer à misericórdia de Deus. Tudo isso precisa ser acompanhado de ações de graças. Não devemos deixar pra agradecer depois de recebermos a resposta de nossas orações. Se não formos capazes de agradecer, enquanto pedimos, sairemos da oração ainda tomados pela ansiedade. Será que Deus me ouviu? Será que Ele me responderá? São questões inquietantes, e que atentam contra a fé. Não podemos duvidar dos cuidados de Deus. Aquilo que pedimos está nos planos de Deus. Ele decidiu lhe abençoar, me antes de você nascer. Entretanto, para que isso redundasse em ações de graças, Ele decidiu que lhe abençoaria em resposta às suas orações. As ações de graças validam nossas orações. A oração com ações de graças é a válvula pela qual somos livres das pressões e inquietações da vida.

Diante do túmulo de Lázaro, antes mesmo de ordenar que ele voltasse à vida, Jesus orou: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves”.[10] Este é o padrão de uma oração que nos livra das inquietações e angústias diante da morte e da vida.

Não basta declarar nosso amor a Deus. Devemos afirmar o quanto nos sentimos amados por Ele, e isso, o fazemos através de ações de graças.

[1] Mateus 6:25-34[2] Salmo 3:5[3] Salmo 4:8[4] Salmo 127:2b[5] Filipenses 1:6b[6] Eclesiastes 3:1[7] Hebreus 3:12-15, 4:11[8] 1 Pedro 5:7[9] Colossenses 4:6-7[10] João 11:41b-42a

terça-feira, 3 de junho de 2014

VOCÊ É UMA LUZ QUE PODE ILUMINAR



Quando comecei a jejuar e orar em 1973, fazia isto buscando a Deus, Sua presença, Seu poder. Depois fazia isto [e era dia ‘sim’ dia ‘não’] buscando sabedoria e discernimento.

Quando jejuava no quarto, fechado, recluso, apenas lendo a Bíblia e orando, eu sonhava muito; e nos sonhos era visitado pelos melhores manjares; e também pela capacidade de ler a Bíblia em minha própria mente, de tal modo que eu recitava epistolas de cor, dormindo, enquanto, de-fato [ou seja: de-sonho], no sonho, eu lia o que ficara impregnado e inscrito em mim.

Frequentemente sinto que tenho o Novo Testamento todo escrito em mim [legado daquele tempo]: do cérebro para baixo, para cima, para dentro e para fora.

Entretanto, foi só quando passei a jejuar ao ar livre — de preferência na natureza, com água, chão, vento, nuvem, pássaros; e muitas cores, sombras e luzes; mediante o jejum, com meu ser focado na adoração ao Criador, já não pedindo nada, nem buscando coisa alguma, mas apenas sendo e contemplando — que percebi luzes, formas, belezas, sensibilidades e sentidos que antes pareciam inexistirem em mim.

Jesus disse que o olhar é o que ilumina o ser. Ora, é o amor a luz que ilumina o olhar. E sem amor não há luz de Deus em ninguém.

Entretanto, certos exercícios de devoção sincera, focada, aberta, expectante de luz, amante da bondade, plena de contemplação a Deus na maravilha da criação, são fundamentais para alimentarem nosso processo espiritual, mental [consciente, subconsciente e inconsciente], e cerebral; de modo que tudo em nós esteja focado na mesma direção.

Não era à toa que Jesus buscava a solitude, o deserto, as montanhas, as fontes de águas, e as cavernas, a fim de imergir em profundidade que age pelo não agir; e que discerne pelo não pensar; e que guarda pelo não tentar reter; e que absorve tudo porque se abre para todas as coisas ao seu redor: dando-se ao que existe em gratidão e amor que adora ao Criador; e, assim, recebendo tudo.

Hoje em dia, muitas vezes inspiro memórias de arrebatamentos de amor na estação dos jejuns perfumados pelo estranho odor que a oração exala [podendo ser sentida pelos mais sensíveis]; e, assim, por tal exercício, tudo aquilo volta a encher meu coração.

Tenho tentando olhar tudo com atenção. Mesmo quando estou distraído sempre me sinto conectado a tudo o que está acontecendo. E essa experiência intensa com passarinhos e plantas está me abrindo muito mais.

Meu mundo aumenta cada vez mais, mesmo quando não saio do lugar. Há um crescente sentimento de conectividade.

Digo isto porque acredito que o “Cristianismo” cartesiano, linear, tomado de misticismo como propaganda, e de filosofia como vaidade sacerdotal, continua a cegar a maioria de nós; e, de outro lado, o excesso de carismas (dons) pentecostais, raramente mais profundos do que o cérebro, chegando no máximo ao sub-consciente, empedrou nossas sensibilidades, ou nos tornou cínicos; enquanto que o Protestantismo histórico roubou de nós todo encanto e ludicidade na contemplação; fazendo de nós uns urubus togados que se alimentam de defuntos do século 16.

A maioria vive entupida. Pouca gente vai além do pensamento, como se o pensamento fosse grandes coisas. Ah! O pensamento pode ser um pensa-muito que vira um pensa-manto, e que cria um pensa-dor, mas ainda tudo tão básico perto do que acontece no eterno mundo que existe enquanto “a palavra me não chegou à língua”. É nesse ambiente pré-cerebral onde a usina de riquezas opera total; fazendo de toda lógica um retardo.

É hora de nos abrimos e crescermos no cérebro, na mente, na alma, no espírito, na totalidade e na multiplicidade de todos os infindáveis dons da Graça de Deus que existem em nós, embora estejam dormentes na maioria esmagadora de nós.

Se pensar já é uma façanha, quanto mais o resto?

Pense no quanto sua experiência humana de Deus não está impregnada da dês-humanização [dês-sensibilização] promovida e mantida pelo “Cristianismo” e seus derivados em geral; a ponto que você tem apenas uma relação de testa com Deus; e, para além disso, o que dizem que lhe seria bom, seria o encher a cabeça de informações supostamente sobre Deus. E aí se chega para morrer...


Jesus disse que se eu estou Nele, posso desenvolver o olhar que ilumina o ser como um todo, de modo que de fato emanarei luz e graça; e isto é ser luminoso: ver tudo com e na luz da verdade e do amor que ama a Deus e a toda Sua criação.


Nele,


Caio

domingo, 1 de junho de 2014

Carta Aberta a todos os candidatos às eleições de 2014


Por Hermes C. Fernandes

Sinto muito em lhe dizer que não poderei hipotecar o apoio do nosso rebanho à sua candidatura. Por uma questão de princípios, deliberamos deixar que nossos irmãos exerçam sua cidadania sem qualquer interferência, optando pelos candidatos que melhor lhes parecer.

Por favor, não insista. Não adianta oferecer ofertas, novos instrumentos ou aparelhagem para a igreja, material de construção, ou coisa parecida. Os votos do nosso povo são inegociáveis. Não me vejo em condição de subestimar a inteligência do meu povo.

Se quiser o voto de alguém, conquiste-o, fazendo por merecer. Não venha propor representar nosso seguimento e defender os interesses de nossa igreja. Este argumento não funciona conosco. Defenda os interesses populares, a justiça, o direito, e valores que representem o interesse de toda a sociedade, e não apenas de uma seguimento religioso.

Também não venha apelar para o medo, dizendo que os valores da família precisam ser defendidos, e que, por isso, sua eleição é tão importante. Não cremos que qualquer lei, por mais imoral que seja, ponha em risco nossa liberdade religiosa, ou o bem-estar familiar. Terror não nos convence.

Infelizmente, há muitos líderes cristãos dispostos a negociar e a ceder ao assédio dos candidatos. Mas antes de procurá-los, pense bem se é certo aproveitar-se da ingenuidade do povo, e da falta de princípios dos seus líderes.

Voto não se compra, se conquista.

E mais: se além de candidato, você também for “pastor”, não use seu título para fazer propaganda política. Isso é um desserviço ao Evangelho.

Espero ter deixado bem claro a nossa posição. Não se ofenda. Não se trata de intransigência, mas de princípios. Talvez você não esperasse esbarrar com alguém que ainda defendesse tais princípios. Mas saiba que não somos os únicos. Como nos dias de Elias, Deus tem preservado um remanescente de pessoas fiéis e comprometidas com a verdade e a justiça.

Em tempo: nossa igreja não está comprometida com nenhuma candidatura. Nosso púlpito não é palanque político. Se quiser visitar nossa igreja, fique à vontade. Mas não espere ser apresentado como candidato. Panfletar... nem pensar! Só se for do lado de fora, sem qualquer endosso de nosso ministério.

Que Deus levante homens em nossos dias, que a despeito do credo que professem, sejam éticos, sérios, e comprometidos com esta e com as próximas gerações.