terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


O reino de Deus e o fenômeno da globalização




Por Hermes C. Fernandes


Você já se perguntou o porquê de alguns países serem classificados como terceiro mundo? Se os países subdesenvolvidos são terceiro mundo, e os desenvolvidos são chamados de primeiro mundo, quem seriam os países do segundo mundo? Aliás, por que nunca ouvimos esta designação?

Na verdade, tais designações já não fazem sentido, desde a Perestroika (abertura política da Rússia), da queda do Muro de Berlim, e do fim do comunismo no Leste Europeu. Os países comunistas, liderados pela antiga União Soviética, formavam o segundo mundo. Ora, se já não existe o segundo mundo, não faz sentido classificar países como sendo de terceiro mundo.

Hoje, há outro tipo de classificação. Há os países desenvolvidos, os emergentes (Brasil e Índia, por exemplo), os subdesenvolvidos, e ainda os muçulmanos (não entendo porque são classificados à parte).

Apesar das diferenças culturais, políticas e econômicas, aos poucos estamos desenvolvendo a consciência de que o Mundo é um só, e não três, como classificávamos antes. Igualmente aos poucos, países com proximidade cultural e geográfica, unem-se em blocos econômicos, como é o caso da União Européia, do Mercosul, da NAFTA e etc. Tais blocos relacionam-se entre si, promovendo a chamada Globalização. Trata-se de uma tendência que dificilmente será revertida. O Mundo se tornará numa grande aldeia global.

Seria isso parte do plano de Deus para a humanidade? Como cristãos, deveríamos temer a unificação dos povos? Seria prenúncio do fim? Ou isso estaria preparando o cenário para a ascensão de um líder mundial, que encarnaria as características do tão temido Anticristo?

Em Isaías 19:23-25 lemos uma interessante passagem que nos revela o interesse de Deus na integração dos povos:
“Naquele dia haverá estrada do Egito até a Assíria. Os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria. Os egípcios adorarão com os assírios ao Senhor. Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. O Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, a Assíria, obra das minhas mãos, e Israel, minha herança.”
Imagino o escândalo que tal profecia deve ter causado entre os judeus mais ortodoxos. Como Deus poderia referir-se ao Egito como “meu povo”? Israel se achava detentor exclusivo de tal título. Nenhum outro povo poderia usurpá-lo, quanto mais o Egito.

O Egito foi o primeiro grande império pelo o qual os filhos de Israel foram dominados. A Assíria era o império da vez, que levara cativo os judeus, e destruíra completamente sua santa cidade, Jerusalém. Agora vem o Deus de Israel dizendo pelos lábios de Isaías, que no futuro haveria integração entre o Egito, a Assíria e Israel. Isso era simplesmente inconcebível.

Como seres limitados que somos, focamos os conflitos atuais, mas o Senhor enxerga para além do horizonte histórico. Mesmo Seus juízos visam, a longo prazo, trazer harmonia entre os povos. A promessa de Deus é que “desde o nascente do sol até o poente”, Seu nome “será grande entre as nações” (Ml.1:11).

As nações muçulmanas são obra de Suas mãos, e um dia reconhecerão a Jesus Cristo, não apenas como um profeta abaixo de Maomé, mas como Deus que Se fez homem, e caminhou entre nós.

Estados ateus, como a China, se prostrarão e reconhecerão que todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele. A propósito, a igreja chinesa é a que mais cresce no mundo. São mais de 100 milhões de chineses que adoram ao Deus da Bíblia reunidos em porões de igrejas clandestinas. A Índia se libertará de seu sistema de castas, e de seu politeísmo crônico, e adorará somente o Deus de toda a Terra.

As fronteiras cairão! Uma nova civilização será construída ao redor do Trono. “Todas as famílias das nações se converterão ao Senhor” (Sl.22:27). 

Ainda mais importante do que o fim das barreiras alfandegárias, será o fim do preconceito e da xenofobia. Quando finalmente aprendermos que não há culturas superiores às outras. Cada uma delas tem sua beleza, suas virtudes e vicissitudes. Uma não deve pretender eliminar as outras, mas conviver pacificamente com elas, e mais, aprender com elas. 

Na verdade, do ponto de vista espiritual, a unificação da humanidade se deu a partir da cruz, quando as paredes ruíram, e de todos, Deus fez um só povo.

Está é a verdadeira globalização. Não a apregoada pelas grandes potências econômicas, que só visam seus interesses econômicos. A globalização proposta no Evangelho unifica os povos, mas não os uniformiza. Une, mas não destrói sua identidade cultural. 

Estados, sistemas políticos, ideologias, governos, todos estão fadados a passar. Mas a civilização do Reino permanecerá para sempre.



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